07 March 2013

O POVO É QUEM MAIS ORDENA


                                             
A semana que passou foi caracterizada por uma nova forma de  contestação aos governantes e às suas políticas com  o entoar da canção Grândola Vila Morena, para muitos símbolo do 25 de Abril, agora espontaneamente cantada de forma sentida pelos manifestantes.. A força desta canção/hino é tal que extravasou as fronteiras e já se ouve também em grandes manifestações no estado espanhol.
Lembra a importância do povo em democracia, apela à fraternidade e igualdade dos cidadãos e mobiliza-os em torno de valores essenciais de qualquer sociedade humana. 



Um governo que não ouve ninguém, que não respeita ninguém, que trata os eleitores de forma sobranceira e que nunca se preocupou em levar à prática as promessas que fez durante a campanha eleitoral, não pode esperar respeito por parte daqueles para quem olha apenas como contribuintes.
As preocupações agora manifestadas pelos membros do governo face às recepções  de que são alvo, ao som da Grândola chegam ao ponto de dizer que tal prefigura uma quebra no direito à informação. Tal só  pode ser considerada  uma anedota, vinda deste governo que da comunicação social tem uma visão meramente instrumental, como são prova as tentativas canhestras que alguns governantes usaram para tentar instrumentalizar os protestos.
O respeito que as instituições democráticas devem merecer não pode ser invocado por quem da democracia tem uma visão unívoca e enviesada. E o respeito ao cidadão e ao seu voto? E o compromisso com a palavra dada? O direito à indignação e à resistência é devido às populações mesmo que haja quem, na oposição, não o reconheça e até manifeste a sua solidariedade com os membros contestados do governo .



Acabam de vir a público informações sobre mais um grosseiro falhanço nas previsões do governo, queda da actividade económica em 2% e consequente aumento do desemprego e de baixa na procura interna. Mesmo assim o governo continua a afirmar teimosamente em publico que não reclama mais tempo nem melhores condições para o pagamento da divida, enquanto se vai sabendo que vão negociando arrastamento de prazos.
Depois de avançar com a necessidade imperiosa de cortar quatro mil milhões nas despesas do Estado, o governo começou a falar em plano B e no corte imediato de oitocentos mil euros.
Nem uma palavra ou medida sobre a necessidade de fazer crescer a economia e estancar o desemprego, essas não parecem ser as preocupações fundamentais do governo.
As vendas de empresas públicas, algumas absolutamente estratégicas para a economia do país, continuam a constituir negócios onde os interesses de privados prevalecem sobre o interesse público. Foi assim com a EDP, com a GALP, com os aeroportos da ANA e ouve-se falar nos CTT e nas Águas de Portugal.
O aumento do numero de desempregados que se cifra já muito perto dos 17% é olhado pelo governo como inevitável e sempre “dentro do que estava previsto” embora se vão também escutando as suas tentativas de limpeza de inscrições nos centros de emprego, a pretexto de subtrair ao número de inscritos os que não comparecerem quando são chamados a esses mesmos centros.
A continuação de saída para o estrangeiro de cada vez mais jovens , ameaça seriamente o futuro do país no post-troika, embora se lhes  reconheça o direito   à procura de trabalho e de melhor qualidade de vida, o que é inadmissível é que sejam os governantes a incentivarem essa saída, em vez de apresentarem propostas políticas que travem essa hemorragia. A médio prazo todos perdemos. Não é isso que se espera de um governo.
Os argumentos utilizados pelo governo e apoiantes de que Portugal está no bom caminho e de que o “ajustamento financeiro” tem vindo a resultar são completamente desmentidos quer pelas informações sobre a situação da economia, quer pela constatação quotidiana dos portugueses que estão a cada dia mais pobres.
Outra falácia tem a ver com a tentativa de propagandear que a melhoria das recentes condições de juros se devem ao bom comportamento do governo nos cortes de despesa e nas reformas promovidas. O que os governantes e os seus seguidores não explicam é a razão porque o mesmo acontece com os outros países sob intervenção a quem o Banco Central Europeu garantiu o apoio na compra de divida pública. Essa é a razão da diminuição de juros.
A troika está de novo  em Portugal, agora  para a sétima avaliação após o empréstimo e mais uma vez teremos oportunidade de ver até que ponto são contraditórias as opiniões que temos ouvido de alguns dos responsáveis europeus e do FMI sobre a necessidade imperiosa de criar crescimento económico.
Mas em democracia há sempre alternativas, o necessário é que esta funcione sem truques e sem empecilhos. Em Portugal necessitamos de um governo “ do povo, pelo povo e para o povo” que rompa corajosamente com os perversos ditames da alta finança  e governe para e pelos portugueses.
 27.02.2013


José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda




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