05 January 2013

SEM SAUDADES


Só o sobressalto cidadão de 2012 teve algo novo e de positivo neste ano que agora acaba. O resto pode resumir-se a  um conjunto de malfeitorias.

A diminuição dos salários dos trabalhadores entre 2010 e 2012 foi da ordem  de mais de 1,4% o que acrescido do aumento dos diferentes impostos, desde o IRS ao IVA, mais os cortes das prestações sociais equivale a uma enorme perda do rendimento das famílias.


 O fecho de empresas com o consequente caudal de desemprego veio trazer à sociedade portuguesa motivos mais do que suficientes para exigir uma mudança de política, rompendo com a submissão aos ditames da troika e dos seus “delegados” no nosso país, o governo de Passos Coelho/Portas.  
Hoje é claro que o governo utiliza o álibi do memorando assinado com a troika para desmantelar as conquistas sociais do Portugal democrático. Mas o que vemos é que em 2012 trinta administradores executivos tiveram um rendimento superior a mais de um milhão de euros e um deles auferiu mesmo cerca de 2.720 mil euros. Conclui-se que a crise foi sinónimo de crescimento nos rendimentos desses executivos.
O modelo social europeu, que foi sendo afinado desde o pós guerra, sofre nos nossos dias uma contra revolução ideológica visando o seu desmantelamento. Já se tinha iniciado  no período do governo  Thatcher em Inglaterra,  que tudo fez para eliminar o Serviço Nacional de Saúde Inglês em nome de um chamado capitalismo popular.
Em Portugal sentimos cada vez mais duramente o peso das alterações legislativas levadas à prática pelo governo, na queda do poder de compra, no empobrecimento geral da população, no aumento do desemprego, mas também na desestruturação social que cada vez é mais visível.
Pode bem dizer-se que a vida de muitos portugueses   foi virada de cabeça para baixo.
Portugal tem sido um dos campos de experimentação social para a evolução dos novos patamares da contra revolução neo-liberal em marcha por toda a Europa.
Os escândalos ligados às privatizações são o aproveitamento por alguns “chicos-espertos” da bandalheira em que se transformou o aparelho de Estado.
Agora entende-se perfeitamente porque não foi aprovada uma proposta na Assembleia da Republica que pretendia que os proprietários de órgão de comunicação social fossem do conhecimento público. Os pretendentes à privatização da RTP são gente que se esconde por detrás de empresas fantasmas sedeadas em offshores e detentores de jornais como o Sol, de parte da Cofina que edita o Correio da Manhã e o Jornal de Negócios.
Pelos vistos tudo isto está na mão do Snr. Álvaro Madaleno, presidente do Conselho de Administração do BES/Angola, por intermédio de empresas como a AKoia e a Newsold, com  alguns gestores a serem  investigados por alegadas ligações ao escândalo do processo Monte Branco.
Vale tudo, conquanto se venda rapidamente o património público e de preferência a gente conhecida do ministro Miguel Relvas.
Há quem mostre estupefacção pelo silêncio de Cavaco Silva face ao desenrolar destes acontecimentos. Mas quando nos lembramos de que o Presidente da Republica manteve contactos e até teve como conselheiro de Estado homens como Dias Loureiro tal surpresa   deixa de fazer sentido. O facto de não ter manifestado coragem para vetar o Orçamento ou de ao menos  o enviar ao Tribunal Constitucional para fiscalização preventiva, diz bem das diferenças entre o que diz e o que faz. 
A tentativa de destruir tudo o que cheire a democracia local está cada vez mais às claras. Não só o governo se prepara para criar um corpo de “vigilantes” nomeados para controlar os eleitos locais como se prepara para fazer com que as autarquias que têm sido capazes de gerir os seus recursos financeiros ajudem a pagar os desvarios daquelas que estão falidas.
É interessante verificar que no topo da lista das autarquias falidas se encontram muitas das que têm sido geridas pelo PSD,  que agora se prepara para “exportar” para outras autarquias os tão prometedores presidentes em fim de mandato.


É por tudo isto que o ano de 2012 não deixa quaisquer saudades aos portugueses, mas nem por isso pode ser esquecido. É necessário que disso se recordem   quando tiverem de votar de novo.

 2.01.2013
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

No comments:

Visitas

Contador de visitas