05 January 2013

ANO NOVO, POLÍTICA NOVA?


Este fim de ano constituiu um dos períodos mais produtivos para negócios das privatizações   por parte deste governo e dos seus agentes, diga-se, de forma muito pouco transparente.
Foram anunciados negócios da venda  da TAP, da ANA, da RTP e dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, para satisfazer a troika e, como foi constatado, do inominável grupo de amigos do ministro Miguel Relvas.
A primeira tentativa de negócio, a venda ao milionário polaco/boliviano/brasileiro e sabe-se lá mais o quê, Germain Efromovich, a preço de saldo da TAP,  gorou-se por aquele “investidor” não ter apresentado as garantias bancárias necessárias.


Ora isto é tudo não deixa de ser  muito estranho. Aquele senhor apareceu  em Portugal como interessado na compra da TAP, tendo-se proposto como comprador  mesmo antes de ter sido divulgado o caderno de encargos referente a este negócio. Os contactos  que se sabe foram estabelecidos entre este senhor e o ministro Relvas,   parecem não terem tido   tempo suficiente para conseguir as respectivas garantias. Soube-se também do possível conhecimento comum com o ex-ministro brasileiro José Dirseu, agora preso por ter participado no escândalo do “mensalão”  que pode ter facilitado  o negócio. Tudo isto muito nebuloso e pouco transparente.
Para o controverso negócio da RTP perfilam-se como interessados a empresa Newshold detida por uma tal Pineview Overseas SA, sedeada no offshore do Panamá, com administradores que o são simultaneamente de centenas de empresas fantasmas no Panamá. O mais estranho é que por detrás destas “empresas” parecem estar capitais angolanos. Mais um estranho negócio onde  parece  vislumbrar-se  a mão de Miguel Relvas. 


Entretanto continuamos a ouvir a senhora ministra da Justiça a afirmar, categoricamente, que “o tempo da impunidade acabou” o que quer que isso queira dizer.
Pelos vistos o orçamento geral do Estado (OGE) para 2013 não vai chegar para satisfazer a voracidade austeritária da troika e já se afirma a necessidade de cortar mais seis mil milhões nas despesas em Portugal. É fácil adivinhar onde o governo vai fazer tais cortes, nas despesas sociais e nos salários e pensões de reforma. Porque o défice continua a aumentar e já chega aos 8.600 milhões de euros, mais 5,8% do que em 2012.
Só os “negócios” ligados ao BPN, o banco de ex-ministros    de Cavaco Silva, constitui mais um buraco de muitos milhares de milhões que os portugueses terão que pagar. Os mesmos portugueses que  são acusados de “ terem vivido acima das suas possibilidades” pelos   analistas do costume.
A ultima novidade em termos de enormidades proferidas pelo primeiro ministro é a tentativa de lançar gerações contra gerações  ao afirmar que os reformados estão a auferir pensões para as quais não descontaram de forma suficiente.
 A quem se referia Passos Coelho, aos reformados com meses de trabalho  no Banco de Portugal  que saem com pensões fabulosas, a pessoas como Miguel Relvas que tem o desplante de receber pensão vitalícia pela sua actividade como político, ou aos trabalhadores que depois de uma vida de trabalho descontos recebem as espantosas pensões de reforma abaixo do limiar de pobreza ? O que se pretende quando se fala assim desta maneira, metendo tudo e todos no mesmo saco?
O governo procura transformar e fazer regressar a Segurança Social à assistência pública dos anos 30 e 40 do século passado, substituindo os direitos sociais conquistados duramente pelos trabalhadores por uma caridadezinha direccionada para os “ pobrezinhos bons”.  Entendemos que há medidas de emergência que devem ser tomadas para obviar a situações de emergência, mas repudiamos vivamente tais tentativas de substituição da Segurança Social.


A completa inabilidade de governação desta equipa governamental pode aquilatar-se pela total falta de credibilidade nas previsões que vão sendo feitas. As previsões do ministro Gaspar são já do anedotário por estarem sempre erradas, que isto já nem constitui grande novidade. Já em 1992 quando este senhor era director do departamento de estudos económicos do ministérios de Braga de Macedo - que ficou conhecido pela sua “teoria do oásis”- Victor Gaspar esteve por detrás das  óptimas previsões para 1993, só por acaso o único  ano    que apresentou recessão na década de 90,  com a  receita a cair  5,3% em relação a 1992.
Tal como eu penso e muitos outros também o afirmam são indispensáveis novas medidas políticas que permitam relançar a economia, criar emprego e ultrapassar a situação de empobrecimento geral da população em que este governo nos lançou.
Este governo está esgotado e não tem crédito político.
Mas essas medidas não podem ser tomadas por aqueles que, amarrados teimosamente a ideologias politicas neo-liberais, se encontram muito distantes dos interesses dos seus próprios eleitores .
 Faço votos para que a um novo ano corresponda uma nova política e a um novo recomeço de vida.

 26.12.2012
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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