26 December 2012

UMA NOVA POLÍTICA É PRECISA


                              
A destruição do tecido económico do país, que ocorreu nos anos 90, durante o  consulado de Cavaco Silva, foi um contributo fundamental  para a situação em que nos encontramos.
Sob o pretexto de que era necessário modernizar o país foi-se pondo fim à  produção agrícola, às pescas e à indústria. Privilegiava-se então   a construção civil e os serviços e incentivava-se a compra, por todos os meios, de habitação própria concorrendo para o endividamento a longo prazo das famílias.
A entrada de fundos vindos da União Europeia dava a  sensação de riqueza súbita incentivando a  abundância de concessão de créditos destinados aos mais diversos fins.
Todos nos recordamos da forma como os bancos bombardeavam os cidadãos com propostas para cartões de crédito sem o mínimo de condições e sem se preocuparem com as reais possibilidades de solvência de cada cidadão.


Os bancos deixam de privilegiar o financiamento da economia passando a financiar os consumos. Para tal endividam-se junto da banca estrangeira.
Quem viveu acima das suas possibilidades não foram os cidadãos, foi a banca, que participou naquilo a que se chamou economia de casino e se meteu a jogar com produtos tóxicos como vimos com o BPN, BPI  e outros.
Nestes jogos estiveram na linha da frente conhecidas figuras claramente conotadas com o PSD, ex-ministros dos governos de Cavaco Silva e é muito estranho que agora se procure branquear a participação desta gente na situação a que o país chegou.
Não quero aqui esquecer as responsabilidades dos governos do PS, que não souberam acautelar os interesses dos portugueses, nomeadamente daqueles  com menos possibilidades económicas, nem o terem-se deixado envolver na torrente de gastos mais ou menos faraónicos de construções, tantas vezes de muito  discutível utilidade. O que  é incorrecto é assacar exclusivamente a responsabilidade  da situação só aos últimos governos.
A falta de rigor no controle das contas públicas aliada ao descalabro financeiro provocado pela banca americana nos mercados internacionais e as aventuras em que a banca nacional de meteu, levaram  à necessidade, ainda não muito bem explicada, de recorrer a empréstimos externos. Daí a chamada do FMI, do Banco Central Europeu e do Fundo Europeu que impõem no presente condições extremamente gravosas, em termos de prazos e de custos.
A União Europeia criada como visando a constituição de um espaço económico forte e de desenvolvimento mais harmonioso do ponto de vista social, foi-se transformando sob a batuta da Alemanha de Merkel num baluarte neo-liberal, disposto a tudo para castigar os países do sul da Europa a que, certa imprensa do norte da Europa  chama PIGS e a simultaneamente  enriquecer os bancos alemães e dos países do norte.



A troika passa a instalar-se em Portugal, a exemplo do que já fazia na Grécia e da Irlanda, controlando toda a vida económica e financeira do país e ousando intervir na definição das políticas. Contou com o facto de ter sido eleito um governo absolutamente alinhado com as suas teorias e integrando sectores da direita conservadora da política portuguesa mais ligados ao neo-liberalismo,  que viram chegada a hora  de ajustar contas com as conquistas sociais a que os trabalhadores e o povo tinham acedido no Portugal democrático.
As teorias de “menos estado” e de abertura total à “iniciativa privada ”, tão características do FMI e que já vêm fazendo escola desde os tempos de Reagan/Thatcher, tiveram aqui a sua luz verde.
O mais estranho e incongruente é que foram os seus defensores os primeiros a considerar que o tal Estado que querem menorizado deveria ser ele a  salvar os bancos falidos.
Assim a “ajuda” da troika destina-se, na sua maior parte, a salvar a banca e não a pagar salários e pensões de reforma como antes  se propalava.
Claro que a finalidade é a de privatizar tudo o que pareça susceptível de gerar lucro, desde as águas à energia e aos transportes, passando pela saúde, pela educação e segurança social, e também   todos os sectores industriais ainda na mão de Estado, passando até por estruturas como aeroportos e portos marítimos.
Uma das afirmações do governo era a da necessidade de cortar nas “gorduras” do Estado, mas o que se tem verificado é uma política de cortes violentos    nas funções sociais do Estado, como forma de empobrecer e reduzir a capacidade reivindicativa da população trabalhadora.
É nesta estratégia que se enquadram  as baixas de salários, o roubo dos subsídios de natal e de férias, os cortes nas pensões de reforma, mas também nos subsídios de desemprego, de doença e noutras prestações sociais. Simultaneamente, com a quebra da procura interna, assiste-se a um surto de falências e de fecho de empresas que acarretam a mais elevada taxa de desemprego, que se aproxima dos 17% dos activos.
 Só com uma nova política e um novo governo é possível mudar.
É necessário que a esquerda ultrapasse divergências, crie as condições para devolver a voz aos portugueses e que assuma a governação, rompa com o espartilho da troika, e traga a esperança, congregando vontades, crie emprego e distribua a riqueza de forma mais equitativa e democrática.
Neste momento de fraternidade é preciso não perder a esperança. A todos Boas Festas.


   19.12.2012



José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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