01 November 2012

QUESTÃO DE CONFIANÇA


O governo PSD/CDS mantém a prática de avançar, como teste social, com propostas de medidas extremamente gravosas para logo de seguida recuar qualquer coisa ao verificar o grau do mais ou menos profundo descontentamento popular.

Estes truques governativos são bem conhecidos e servem como almofada para aceitação menos tumultuosa das medidas mais pesadas.
Foi o que se verificou com a Taxa Social Única e que voltou a verificar-se agora com o anúncio. Pelo ministro da segurança social, Pedro Mota Soares, de cortes de 10% no já tão depauperado subsídio de desemprego. Após a resposta social dada o ministro apressou-se a recuar, mas mesmo assim manteve um corte de 6% do subsídio.


É uma prova da navegação à vista deste governo e até do seu mais completo desnorte, sem qualquer plano ou visão de futuro.
No orçamento para 2013 verificam-se cortes nas prestações sociais de 300 milhões de euros, ora o previsto no famigerado memorando de acordo com a troika até 2014 era um corte nas mesmas prestações de 350 milhões. O ministro Pedro Mota Soares já vai em 1042 milhões. Também aqui os alunos tendem a ultrapassar os mestres na arte do esbulho dos bolsos dos contribuintes.

 
Todos os dias, sem exagero, assistimos a estas medidas apresentadas sobre as mais estapafúrdias justificações e acompanhadas da mais profunda insensibilidade social, pelos mesmos que ainda há pouco mais de um ao se diziam os defensores dos contribuintes.
Agora é o banqueiro Fernando Ulrich, cujo banco BPI tanto tem lucrado com o negócio da divida que, após as declarações insultuosas sobre os trabalhadores, vem atirar-se contra instituições da republica como o Tribunal Constitucional. A estes senhores nada os trava, tudo lhes parece ser permitido, mesmo pôr em causa instituições constitucionais.


Apesar das promessas do ministro da economia sobre medidas conducentes à criação de emprego, nada se vê nesse campo. Novas industrias, concessão de minas, tudo se tem resumido a promessas. O ministro, do “pastel de nata”, não tem mostrado a mínima capacidade em levar à prática o que tem prometido.
Sabemos que os tempos estão difíceis interna e externamente, no entanto não se vê qualquer lampejo de ousadia ou criatividade nas suas medidas avulsas.
Os estaleiros de Viana do Castelo continuam a não ver concretizado qualquer rumo por parte do governo e do ministério da defesa, de que dependem, embora continuem a ter encomendas que correm o risco de serem canceladas. Mais uma vez o governo parece mais interessado em alienar todas as estruturas públicas que possui do que em procurar outras soluções e colocá-las a produzir riqueza.
Mesmo as estruturas que produzem riqueza e que têm uma gestão eficaz o governo trata de criar condições para dificultar essa eficiência. É o caso exemplar do porto de Leixões que apresenta uma situação saudável e dinâmica, mas a quem o governo pretende substituir a gestão, passando a centralizar a gestão das estruturas portuárias, o que, por certo, vai acarretar dificuldades. Na gíria futebolística costuma dizer-se que numa equipa ganhadora não se mexe.
Uma situação idêntica se passa com o aeroporto Sá Carneiro que, depois de ter criado condições de viabilidade será alienado, em nome de não se sabe bem que princípios ideológicos.
As taxas de desemprego continuam a subir muito para além do que estava previsto, aumentando a queda da procura interna e o consequente fracasso da economia.


Contrariando os elogios que o ministro das finanças alemão constantemente lhe faz, as previsões do tão louvado ministro Gaspar mostram-se completamente erradas, não será com metáforas de corridas da maratona ou de obstáculos que haverá mais cobrança de impostos, se estes não resultarem do crescimento da economia.
Neste ultimo fim de semana o primeiro-ministro manifestou a sua pretensão de uma alegada
“ refundação do programa de ajustamento”, mais uma vez tanto pode tratar-se de um eufemismo para encobrir uma renegociação ou visar a destruição completa do que resta do estado social.  Nada é claro nem transparente.

Utilizando o estilo das rebuscadas analogias do primeiro-ministro, um dia destes terá muita dificuldade em encontram alguém que aceite comprar-lhe um automóvel usado. É tudo uma questão de confiança.

Também a micro remodelação ministerial o que dá a entender é que o primeiro-ministro está refém de compromissos que não pode ultrapassar, mesmo que tenha de continuar a aceitar pesos mortos e descredibilizados na governação.

No próximo dia 14 de Novembro estão convocadas greves por várias centrais sindicais de Portugal, Espanha e França, abrangendo o sul da Europa que irão mostrar o profundo desencanto dos trabalhadores com as politicas de austeridade que estão a ser implementadas sob a égide da União Europeia.


Pode ser um primeiro passo de pressão para que, pelo lado dos trabalhadores comece a haver respostas conjuntas às malfeitorias do neo-liberalismo.

 31.10.2012
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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