21 November 2012

LUTAR PELA ESPERANÇA


Os trabalhadores, os desempregados, os reformados e pensionistas, os jovens e o povo português em geral não merecem os malefícios que contra eles exerce o governo do PSD/CDS e a troika.

Constitui uma falsidade sem nome o propalar que os portugueses andaram a viver acima das suas possibilidades e que agora têm que pagar por isso.
Quem viveu e se meteu em negócios acima das suas possibilidades e capacidades foram os banqueiros e outros figurões que se envolveram em negociatas especulativas escuras, durante anos e com o beneplácito dos sucessivos governos incitaram os portugueses a endividarem-se com promessas de crédito fácil e barato, levando-os a contrair empréstimos sobre empréstimos. Essas entidades sempre privilegiaram esse tipo de negócios em vez de investimentos geradores de riqueza. 


Para que isso se tornasse possível, os banqueiros foram contraindo dívidas junto dos bancos estrangeiros a fim de assegurarem  a continuação da economia de casino em que participaram.
Os “donos de Portugal” contaram sempre com a concessão de chorudas rendas, e nesta ultima fase até se caracterizaram por parcerias público privadas (PPP), por privatizações a preços de saldo e pela mais descarada apropriação dos bens públicos.
Quando a situação se degradou não hesitaram em exigir o apoio do Estado para resolver os seus problemas de insolvência financeira.
Foi esta a verdadeira razão porque a troika foi chamada ao nosso país e não para obviar problemas de falta de fundos para pagamento de salários e de pensões como nos quiseram fazer crer.
Por isso a grande fatia das “ajudas” da troika foi directamente para os bancos, como sabemos.
Para fazer pagar as suas aventuras financeiras, estes senhores, contaram com a passividade, a conivência e cumplicidade dos governantes e, como o negócio dos juros era bem apetecível, das entidades financeiras europeias.


Sabemos como se enterraram nos bancos (BPN, BPP, BCP, e outros) valores que poderiam ter sido utilizados para apoiar e agilizar a economia, criar emprego e impedir a situação de desemprego e a carência de meios a que chegou o estado social.
É esta a razão porque tanta gente considera que há uma divida que é ilegítima e que necessita de ser cuidadosamente estudada antes de ser paga cegamente pelos portugueses, a qual  é   causa de ainda maiores cortes e austeridade .
Não é posta em causa a necessidade de pagamento da divida que for considerada legitima, como tantas vezes é dito pelo governo e pelos seus apoiantes, o que queremos é saber de que divida se trata.
A par de tudo isto o governo demonstra a mais absoluta incapacidade para orientar politicamente a apresentação de alternativas conducentes à ultrapassagem da crise e ao desenvolvimento do país. Não mobiliza as pessoas, não aponta soluções para o crescimento económico, só acrescenta austeridade à austeridade. Por isso só há uma resposta,  a sua demissão e a abertura de  um processo eleitoral.
O orçamento geral do Estado para 2013  a ser aprovado seria mais um rude golpe na qualidade de vida dos portugueses, já com tantas dificuldades para arrostar com um permanente esbulho dos seus rendimentos. 
A solução passa pela constituição de um governo de esquerda que congregue todos os que se proponham romper com o memorando da troika e aplicar medidas que permitam criar condições para melhorar a vida dos portugueses.
Um tal governo teria de anular a dívida abusiva, renegociar os prazos e os juros com todas as instituições credoras, públicas e privadas, nacionais e internacionais; repor os rendimentos que foram cortados, garantir os direitos essenciais como o Ensino Público, o Serviço Nacional de Saúde e a Segurança Social pública; exercer o controlo público da banca, nomeadamente dos bancos intervencionados pelo Estado, com mobilização dos recursos para o investimento público, para o pleno emprego; deter o controlo democrático dos bens comuns privatizados ou concessionados (energia, combustíveis, telecomunicações); criar um novo sistema fiscal, combatendo a fraude e deslocando o peso da carga fiscal dos rendimentos do trabalho para o capital e património.


Só assim seria possível cumprir com o pagamento da divida legitima, tirar o país do atoleiro da recessão, relançar a economia, criar emprego e dar aos portugueses esperança no futuro que mobilize toda a sociedade.
 15.11.2012
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco  de Esquerda

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