04 October 2012

A LUTA É CONDIÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA



No seguimento das manifestações de 15 de Setembro, que marcharam em Lisboa e Porto e   em muitas outras cidades do país, sob o lema,  Que se lixe a troika, queremos as nossas vidas ,  bem como da manifestação convocada pelas organizações sindicais em 29,  alguma coisa mudou no panorama politico português.
A “solidez” da coligação governamental foi abalada pela tentativa do CDS em retirar dividendos da manifesta falta de sensibilidade social do primeiro-ministro, embora  Portas se tenha “esquecido” que a redução da TSU também  já constava do programa do CDS.
O Presidente da Republica viu-se então obrigado a reunir o Conselho de Estado para deitar água na fervura no que já aparece uma crise politica grave e tentar salvar o governo que tem contado sempre com o seu apoio.
O governo foi obrigado a recuar na infame medida anunciada de retirar aos trabalhadores mais 7% do seu salário para o entregar directamente às entidades patronais.
Esta é a prova, se necessária fosse, que lutar, gritar bem alto a nossa indignação pelas injustiças vale sempre a pena.
Mas não nos iludamos, a politica do governo vai continuar a mesma e aquilo que aparentemente perdeu no pretendido esbulho dos salários e pensões de reforma, prepara-se para recuperar com outras medidas igualmente prejudiciais para  quem trabalha.  
São claras as pretensões fanaticamente ideológicas prosseguidas pelo governo PSD/CDS de propiciar a recuperação financeira dos grandes grupos à custa do empobrecimento das populações e da diminuição dos rendimentos do trabalho.  


É verdade que estas politicas neo-liberais são concertadas a nível internacional e que o governo Passos Coelho/Portas não passa de um mero executor dos desígnios dos seus mentores, mas é igualmente verdade que cabe aos trabalhadores de cada um dos países, que sofrem com estas políticas de rapina, fazer o seu papel para sacudir o jugo a que os pretendem submeter.
Se os grandes grupos financeiros se conjugam para o saque, devem os trabalhadores conjugar a resistência a esse saque, sem nacionalismos mesquinhos e redutores.
São completamente falsas as alegações do governo sobre que é mercê do seu “bom comportamento” e da aceitação de todos os sacrifícios impostos que os juros pagos nas últimas vendas de divida publica tenham caído. Isso deve-se à pressão exercida pelas fortes contestações à politica do BCE que foi obrigado a aliviar as medidas de destruição da economia. Em causa estavam economias tão poderosas como a espanhola e a Italiana.
Convém não esquecer que Passos Coelho, como  bom aluno , sempre se manifestou contra a intervenção do Banco Central Europeu.
Agora o governo tem o desplante de apresentar tais factos como se tivesse tido alguma influência neles .É preciso descaramento.
O que não vemos é neste governo a mínima capacidade para ir buscar fundos a outras fontes para além dos rendimentos do trabalho ou dos cortes nas despesas sociais.
Vão surgindo informações de que a economia paralela no nosso país equivale a 25,4% do produto interno bruto (PIB) o que quer dizer cerca de quarenta e três mil milhões de euros.  
O desemprego continua a aumentar exponencialmente, mas medidas conducentes a um crescimento económico, única forma de criar emprego, nem vê-las. Não é essa a preocupação, nem a prioridade do governo.



O que se ouvem são as barbaridades proferidas por Carlos Moedas contra os empresários que recusam a redução da TSU como inútil ou de Miguel Macedo ao afirmar que os portugueses são mais cigarras do que formigas insultando grosseiramente os trabalhadores portugueses que não merecem.    
Agora foi António Borges, o consultor que passa a a vida a reclamar a diminuição de salários, do alto dos 25.000 euros mensais a reputar de ignorantes os empresários por não terem aceite a oferta do governo de financiamento à custa dos trabalhadores, a custo zero com a transferência da TSU.
As medidas tomadas no tempo de Cavaco Silva que contribuíram para a destruição da agricultura, das pescas e da industria, a que acresce a ineficiência em captar subsídios, como por exemplo da Politica Agrícola Comum (PAC), fazem com que Portugal esteja na cauda dos países europeus em acesso a tais benefícios, apenas 733 milhões de euros contra 8.800 milhões de euros para a França ou 1.300 milhões para a Irlanda.
De nada valem as visitas folclóricas ao campo da senhora ministra da agricultura. Para uma agricultura tão débil como a nossa são necessárias políticas integradas e claras que permitam, sobretudo, aos jovens o acesso a fundos e a formação que desenvolva a produção agrícola e substitua a importação de bens alimentares.
As alternativas para ultrapassar a crise existem. É preciso determinação, inovação, ousadia e respeito pelo ambiente sem hipotecar o futuro.    
Com este governo é que já não parece possível levar seja o que for a bom termo.

02.10.2012

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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