11 September 2012

Emigração jovem – uma mais-valia ou um outro lado do discurso do empreendedorismo?


Segundo um estudo recente, 69% dos jovens, de todas as áreas de estudos, tenciona emigrar. Muitos veem-se forçados a fazê-lo, para terem trabalho (ou também para estudar) e uma vida digna, o que não conseguem em Portugal.

No contexto da crise, há cada vez mais jovens com formação superior a deixar o país. Para melhor entender este fenómeno, algumas Associações Académicas e de Estudantes realizaram um inquérito aos estudantes, sobre mobilidade profissional e internacionalização do emprego jovem, cujos resultados foram divulgados em agosto de 2012.
Este estudo teve uma participação de 1.751 inquiridos, maioritariamente de licenciatura e deslocados da sua área de residência. A principal conclusão é de que 69% dos jovens, de todas as áreas de estudos, tenciona emigrar. Os principais destinos de emigração são países europeus, América do Norte e Brasil e a maioria pretende voltar, o que revela não um objetivo de viver noutro país, mas sim o de aproveitar uma oportunidade no estrangeiro e voltar quando possível. Muitos jovens que tencionam emigrar não participaram em qualquer programa de mobilidade internacional, apontando razões económicas, seguidas de vontade pessoal, como principais fatores, contrariando qualquer ideia feita de que seria mais provável que os mais interessados em emigrar fossem os estudantes que participaram nestes programas.
Apesar de não estar explícito no título do estudo, no fundo, o que aqui se está a analisar é o fenómeno de emigração jovem, sendo que muitos se veem forçados a fazê-lo, para terem trabalho (ou também para estudar) e uma vida digna, o que não conseguem em Portugal. O Governo, quando sugere aos jovens que emigrem, demite-se da sua função de garantir políticas de emprego que promovam o desenvolvimento económico e combatam as desigualdades. Este discurso tem semelhanças com o do empreendedorismo, havendo uma responsabilização individual sobre as situações de dificuldades. Em vez de contrariar as políticas recessivas que generalizam o desemprego, o Governo aposta na individualização da conquista do emprego, incentivando os jovens a serem criativos e empreendedores ou a procurar oportunidades pelo Mundo, trazendo depois novas ideias. O PSD insiste em que esta questão não é um problema, mas sim uma mais-valia para esses jovens e para o país, não referindo as suas expectativas, o investimento do Estado na sua formação e o facto de nem sempre regressarem ao país, o que tem consequências na demografia do País e na sustentabilidade da Segurança Social.
Para além destes estudos e de debates sobre o assunto, há que lutar, nos órgãos de decisão política, escolas e faculdades, para que os jovens que queiram possam permanecer no seu país, não aceitando a emigração como a única saída!

Texto retirado do site www.esquerda.net

No comments:

Visitas

Contador de visitas