17 August 2012

QUEM VIVEU ACIMA DAS POSSIBILIDADES?




                                             
Começa a ser demasiado estúpido ouvir dizer que a crise que o país atravessa é resultante de os portugueses terem vivido acima das suas possibilidades.
Vejamos alguns exemplos.
Segundo o Ministério Publico o negócio dos submarinos é tão transparente que nem os documentos referentes aos diversos contratos de aquisição, de financiamento e de contrapartidas aparecem, quer no Ministério quer nos escritórios de advogados que, como sempre, agenciaram tão vantajoso negócio. Resta-me perguntar se, por acaso, alguém terá feito umas fotocópias para guardar para memória futura.
As condições de financiamento deste negócio, a exemplo do que aconteceu com a Grécia, são absolutamente predatórias favorecendo os consórcios bancários que as promoveram como o BES,  o Crédit Suisse e  o Firts Boston International .
Estas são algumas das ajudas que o ministro Paulo Portas deu para a instalação da crise  em conjunto com a indústria alemã. Este senhor  tem procurado   sacudir a água do próprio capote, como se nada tivesse a ver com isto, remetendo-se a um ensurdecedor silêncio.
Também nos contratos de locação dos helicópteros que vieram substituir os velhos PUMA o Tribunal de Contas encontrou graves discrepâncias nos custos da manutenção que alcançam um aumento de 120 milhões de euros em relação ao preço inicial.
Estas ajudas, aliadas aos negócios em que intervêm “ilustres” dirigentes do PSD, como Marques Mendes, Joaquim Coimbra (ex-conselheiro nacional do PSD, ligado ao BPN e BPP), Ângelo Correia e Leitão Amaro, acusados por um casal de industriais de Cantanhede de esvaziarem financeiramente em mais de 5 milhões de euros uma empresa de energia solar dão-nos a certeza de que a economia portuguesa pode contar com esta gente para sair da crise.
As iniciativas judiciais como estão sujeitas aos mais diversos entraves e medidas de prorrogação e como em todas estas questões estão metidos os mais importantes escritórios de advogados correm o risco de prescreverem e de nem sequer serem julgadas, como tantas a que temos assistido.
Por outro lado, enquanto os apoiantes do governo continuam a falar em cortar nas “gorduras do estado”, vamos sabendo que é precisamente em câmaras municipais geridas pelo  PSD/CDS, como a do Porto, que encontramos funcionários a auferir salários de mais de 5.500 euros mensais.
A Caixa Geral de Aposentações irá atribuir pensões de reforma a 1747 trabalhadores da função pública durante o mês de Setembro. Destes, 39 irão receber pensões de reforma superiores a 4000 euros, sendo 22 da área militar.
Já começam a surgir clivagens entre os apoiantes do actual governo, uns porque não estarão de acordo com as medidas tomadas, outros por mero calculismo político, prevendo alterações que podem ocorrer a nível governamental.




Vários projectos de investimento que foram apresentados com grandes parangonas pelo ministro Álvaro têm vindo a mostrar-se gorados, acompanhando projectos mais antigos como o do Alqueva que pediu insolvência. Constituem a prova de que este governo não é possuidor de qualquer sentido de estado, que toma medidas casuísticas e que funciona para as televisões.
No Ministério da Saúde continua a nomeação de pessoas sem experiência conhecida e comprovada na área da saúde para dirigir os Agrupamentos de centros de saúde ( ACES). Só no norte do país dos 21 agrupamentos apenas 9 não registaram mudanças nos conselhos executivos. Invariavelmente os novos dirigentes são jovens ligados ao PSD.
Para quem ganhou as eleições criticando o PS pelo assalto aos lugares do Estado, prometendo moralizar futuras admissões, estamos conversados.
Com o inicio da dança das cadeiras referente às próximas autárquicas é interessante verificar a  possibilidade  de perca de mandatos de autarcas como Macário Correia que, talvez pelo excesso de confiança que advém de demasiados anos de poder se atreveu a ultrapassar os  poderes democráticos que lhes estão atribuídos.
No concelho de Matosinhos temos assistido, nos últimos dias a algumas acções de denúncia de factos que parecem configurar erros de gestão ou de prioridade por parte da Câmara Municipal. Efectivamente algumas das denuncias até fazem algum sentido, mas parece-me estranho que partindo de apoiantes do actual governo não falem de uma das questões que há mais tempo tem merecido reparo, que é a da construção do porto de abrigo de Angeiras. Há décadas que anda a ser solicitado e têm sido perdidas todas as ocasiões para tal. Umas vezes são os autarcas que ascendem ao governo e assumindo pastas correspondentes e deixam de se lembrar de Matosinhos, outras, os apoiantes do governo, com responsabilidades na respectiva freguesia acham melhor nem falar nisso e entretanto Angeiras continua sem porto de abrigo.
Também no nosso concelho aumentou assustadoramente nos últimos tempos e número de trabalhadores com salários em atraso, tal situação verifica-se no Centro Social e Infantil da Cruz do Pau. Esta instituição, em grande parte financiada pela Segurança Social tem um rol de dívidas muito elevado ao que nos dizem por deficiente gestão. Presta um serviço muito importante naquela comunidade porque assegura três valências infantário, creche e ATL. Neste momento as cerca de vinte trabalhadoras do centro confrontam-se com salários em atraso. É de esperar que a Segurança Social promova uma inspecção às contas e a continuação deste serviço à população, evitando mais desemprego.

 14.08.2012 

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

No comments:

Visitas

Contador de visitas