08 August 2012

ATÉ QUANDO?




                                                             

Cavaco Silva fez declarações pouco próprias de um presidente da Republica de Portugal a um jornal holandês, sobre a responsabilidade dos cidadãos portugueses na crise que o país atravessa.
O que este senhor se esqueceu se referir foi a sua  própria responsabilidade  enquanto primeiro ministro e mesmo como presidente da republica, na destruição do aparelho produtivo português, da agricultura, das pescas e mesmo da industria, em nome daquilo que ele chamava,  então de “o progresso”, e que mais não  era que  tornar Portugal  um país de prestação de serviços e dependente do estrangeiro.
Esquece-se nessa entrevista de outro factor, a importância que tiveram na crise os seus amigos Oliveira e Costa, Manuel Dias Loureiro ou até Duarte Lima no Banco Português de Negócios e dos estranhos negócio que ocorreram em torno do mesmo.
O povo português não tem tão fraca memória como se pensa  e por isso estes senhores  não podem ficar admirados com as vaias, apupos e assobios com que são recebidos de norte a sul do país e não adianta  nada   tentar vir para os telejornais denunciar os manifestantes como manipulados  sabe-se lá por quem, pois isso já não pega.
Pode até o senhor presidente ir à cerimonia de inauguração dos jogos olímpicos de Londres e de lá apelar ao ânimo dos portugueses, porque o que é necessário é implementar medidas concretas e sérias para ultrapassar a crise e parar com o aumento do desemprego.
A despeito da teimosia de Passos Coelho e das posições contraditórias de ministros e responsáveis dos partidos do poder, acerca da necessidade de renegociar os prazos da divida e os respectivos juros, as informações que vamos tendo é que tudo se mantém igual enquanto o valor da divida se tem vindo a agravar.
A OCDE, confirmando o falhanço das medidas do governo, afirma que a recessão se irá prolongar por 2013 e que o desemprego irá aumentar pelos menos para 16,2%, por isso recomenda que os salários dos trabalhadores da função pública menos qualificados deverão ser reduzidos.   
Recomenda, a OCDE, pela voz do seu economista chefe David Hang, o alargamento dos cortes do 13º e 14º meses aos trabalhadores do sector privado, mais “reformas” nas leis laborais e redução do subsídio de desemprego. Em compensação volta a falar na necessidade de baixar a Taxa Social Única, o que já sabemos significar a asfixia da Segurança Social.
Mais uma vez, apenas os mais pobres estão a pagar a crise.
Entretanto, vai-se sabendo que as privatizações da EDP e da REN, renderam de comissões ao BES-Investimentos e ao BPN-Cabo Verde a quantia de quinze milhões de euros. Nesta negociata estiveram envolvidas entre outras a empresa Perella Partners, propriedade de amigos do ministro Gaspar. Estas vendas foram efectuadas a empresas chinesas e do Omã, com eventuais ligações a uma tal AKROIA da Suiça, conhecida por branqueamento de capitais.
E isto é o que se sabe.



Os fundos de pensões da banca, dinheiro descontado pelos trabalhadores para assegurar as suas pensões de velhice, foram utilizados para mascarar a situação financeira das dívidas dos hospitais/empresas. Pergunta-se, com que dinheiros irão ser pagas as pensões dos bancários que se forem reformando e dos que já estão na situação de reforma?
Entretanto o governo vai abrindo excepções para alguns gestores e outras “estrelas” que auferem salários escandalosos. É o caso do presidente da RTP Guilherme Costa, autorizado a continuar com um salário de cerca de 14.000 euros mensais e de um vogal do conselho de administração José Araújo e Silva que poderá receber um salário superior ao do primeiro ministro, isto é 6.850 euros mensais. Enquanto isto aos trabalhadores da RTP, por esta mesma administração, foram retirados os 13º e 14º meses e efectuados cortes de salários de 10%.
O mesmo governo que permite estas excepções é precisamente o mesmo que vai denegrindo o serviço público de televisão como gastador incomportável, pra satisfazer a pretensão de Miguel Relvas em privatizar um dos canis públicos.
Os anúncios de encerramento de serviços de urgência hospitalar, de escolas e de outros serviços públicos, muitas vezes sem justificações válidas, cumprem o papel de destruição do estado social e,  ao mesmo tempo,  dão lugar   ao aparecimento de estruturas privadas em sua substituição, como denunciam muitas das contestações das populações locais.
Só faltavam cá os banqueiros a “lastimar” a tomada de posição do Tribunal Constitucional sobre o esbulho dos 13º. e 14º. meses nos  salários e nas pensões de reforma. Eles mesmos que têm sido os maiores, senão os únicos, beneficiários das “ajudas” da troika à custa do erário público.
Não há dúvidas, uma democracia verdadeira só existe com cidadãos exigentes.
                   1.08.2012

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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