15 August 2012

ALTERNATIVAS PRECISAM-SE





A agencia de rating Standard & Poor’s  na sua qualidade de “promotora”, entre outras, da exploração usurária por via financeira das economias nacionais, iniciou a preparação da opinião pública portuguesa para a eventual necessidade de os bancos precisarem de mais 51.000 milhões de euros nas chamadas garantias bancárias. Claro que tais valores terão de ser pagos pelo erário público com juros.
O aumento da divida pública que advirá da subscrição de tais garantias contribuirá para  acorrentar  as finanças portuguesas aos juros usurários que são a renda que interessa aos financeiros.
Estas considerações contrariam tudo o que o primeiro-ministro tem dito sobre a não necessidade de mais “ajuda” ou de prolongamento de prazos. Contudo, como  bom aluno  que é,  irá proceder como lhe mandarem, afinal serão os portugueses a pagar.


A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) afirma que o governo não vai conseguir atingir os objectivos que se propôs. Para tal seria necessário aumentar 11,4%  o valor das  receitas fiscais no segundo semestre de 2012, o que é de muito difícil concretização.
É mais uma razão para nos questionamo-nos  para que serviram os enormes sacrifícios exigidos à maioria dos portugueses.
Os  banqueiros ainda não estão satisfeitos e assistimos a Horta e Costa, banqueiro em Inglaterra, a dizer que, apesar dos  bancos serem as entidades que melhor podem servir o financiamento da economia, necessitam ser capitalizados e já sabemos por quem, pelo Estado, isto é, por nós.
É curiosa uma noticia do jornal alemão Bild, conhecido pelos seus ataques à Grécia e à Europa do sul, onde se afirma que a Alemanha é a grande beneficiária das dividas soberanas dos países em dificuldades, tendo amealhado mais de 100.000 milhões de euros em juros.
Segundo a Comissão de Mercados e Valores Mobiliários (CMVM) continuam a verificar-se enormes concentrações de lugares de administradores de empresas, nomeadamente nas cotadas na Bolsa de Lisboa. Aquela comissão deu nota de que existem gestores que acumulam cargos  , uns com responsabilidades executivas, outros só como vogais. No   caso  do Snr. Pais do Amaral   chegam ao escândalo de 73,     ao ponto do mesmo  dizer que nem sabia pertencer a tantos conselhos de administração. É o mais dourado  regabofe.
O mais curioso é   escutar estes senhores a afirmar despudoradamente,  que os portugueses viveram acima das suas possibilidades e agora têm que pagar. Afinal, quem   viveu e vive acima das suas possibilidades são os que auferem salários de miséria ou aqueles que dizem  nem saber a quantidade de “tachos” que têm? Haja moralidade!
Na sua campanha de destruição dos serviços públicos o governo, a mando do capital financeiro, continua com o fecho e concentração de escolas, de serviços de saúde, de cortes nos subsídios e outras malfeitorias do género. Em compensação, sabe-se que irá manter as comparticipações nas escolas privadas, nos mesmos valores de que já beneficiavam, isto é,  de 85.000 euros por turma, podendo estas, pelo estatuto de autonomia,  ter menos alunos por turma do que o que está legislado para as escolas públicas. Depois venham dizer que não há discriminação entre a escola pública e a privada.
É cada vez mais     complicado aturar os dislates deste governo,  que sem qualquer imaginação mais se assemelha a uma delegação do capital financeiro que só pensa em levar à prática as ordens do mesmo, esmagando todos, até aqueles que   nas eleições lhes depositaram   a sua imprevidente confiança  .
A nova lei autárquica, cavalo de batalha de Miguel Relvas, continua no segredo dos deuses e o  que se vai sabendo dela é que  nem o acordo do pleno dos partidos apoiantes do governo consegue reunir.
As contradições de interesses que opõem PSD e CDS são transversais a  todo o país,     mesmo em Matosinhos, conforme tem aparecido nos jornais.
É lamentável ver que continuam a existir interesses mesquinhos e de grupo que se sobrepõem aos reais interesses dos cidadãos de cada concelho o que denota um elevado grau de irresponsabilidade por parte dos agentes políticos que assim agem.
Em Matosinhos  a um ano de novas eleições autárquicas  assiste-se ao inicio da campanha eleitoral, nomeadamente por parte de forças que demonstraram uma certa letargia até agora, a despeito de terem recebido  dos eleitores, uma votação significativa,  que lhes permitia uma actuação mais propositiva  nas decisões municipais. Tinham votos suficientes, portanto, obrigação de serem mais intervenientes. Demonstraram falta de sensibilidade política.
Não ponho em causa o facto de terem sido cometidos erros de apreciação, de obras menos fiscalizadas e acauteladas, de gastos pouco explicados, de algum desleixo na manutenção do património.   
Muitos desses erros poderiam ter sido evitados se denunciados atempadamente e se as chamadas de atenção efectuadas na Assembleia Municipal tivessem sido escutadas e apoiadas.
Convém não esquecer que, para a Câmara Municipal de Matosinhos, o PS elegeu 5 vereadores, o grupo de Narciso Miranda elegeu 4 e o PSD elegeu 2. Com tal horizonte político é muito estranho que só agora tenham começado a denuncia de  situações consideradas como erradas e que propostas alternativas não tenham surgido  , confrontando o executivo do PS com as suas responsabilidades,   como  alternativas válidas e favoráveis aos interesses dos cidadãos matosinhenses.
Essa teria sido a maneira correcta de agir de qualquer organização política que pretenda merecer o apoio e o respeito dos eleitores.

 8.08.2012

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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