31 August 2012

ESTRANHOS NEGÓCIOS



                                            

O Relatório da Execução Orçamental vindo agora a público evidencia  o que tem vindo a ser denunciado há muito tempo, que os sacrifícios exigidos ao povo português pelo governo não serviram para grande coisa.
Os objectivos que o governo tem afirmado  teimosamente  que iria conseguir atingir mostram-se na realidade não alcançáveis. As medidas de austeridade impostas levaram a um decréscimo na cobrança de impostos, a despeito dos cortes efectuados nos salários e nas pensões de reforma bem como os cortes efectuados na função pública e o aumento da taxa do IVA,  todas essas medidas foram ultrapassadas pela recessão.
Apesar desta realidade estar à frente dos olhos, Pedro Passos Coelho continua a fazer afirmações sem sentido como, “ agora acabou o regabofe”,  ou  “ Julgo não estarmos a exigir demasiados sacrifícios aos portugueses”. Este senhor governa para a troika, não governa para os portugueses.
 Neste momento cerca de metade dos desempregados, isto é, mais de quatrocentos mil trabalhadores não recebem qualquer apoio social.
O  CDS/PP  conseguiu impor uma medida que é sua bandeira desde sempre,   os mais desprotegidos de todos, aqueles que recebem o Rendimento Social de Inserção,  serão obrigados a trabalhos não remunerados em IPSS e em outros organismos e o ministro da tutela ainda especifica que são limpezas no exterior e pequenos arranjos. É o mais inqualificável desrespeito por aqueles que mais necessitam de apoio social não se entende a prestação de trabalho sem uma remuneração por esse mesmo trabalho, mesmo que substituindo o RSI, não é  por certo  assim que se contribui para a inserção social de ninguém.
 Por outro lado, andam  os “entendidos”  do costume a apregoar que os custos do trabalho em Portugal terão que baixar cerca de 10% para acompanhar a competitividade europeia. Como é isto possível quando os salários dos portugueses são dos mais baixos, muitos pontos, de toda a Europa. É a tentativa de asiatificar ainda mais as relações de trabalho. A competitividade que nos pretendem impor  não é em relação à Europa, mas à China ou à India e outros países asiáticos. Isto é, trabalho a preços baixos e sem direitos.
Temos ouvido os responsáveis afirmar a necessidade de aumentar a produção agrícola, mas as informações que vêm a publico dizem que dos 675 milhões de euros de apoios para a agricultura, destinados a cerca de 300.000 agricultores, mais de um terço são encaminhados para cerca de 140 entidades beneficiárias. Não parece uma distribuição muito equitativa. Embora seja absolutamente imperioso substituir uma parte importante das importações de bens alimentares por produção nacional, contrariando as malfeitorias feitas no sector pelas políticas de Cavaco Silva.  




A sanha privatizadora deste governo, seguindo as directivas do neo-liberalismo vai agora ser virada para os hospitais, já se falando mesmo em entregar hospitais à gestão de grupos estrangeiros. É tanto mais estranho quando o ministro fala sempre que a saúde é deficitária.
Outra questão é a privatização do Estaleiros de Viana. Todo este caso é mais de que obscuro. Os estaleiros de Viana do Castelo têm mão-de-obra qualificada, têm encomendas, mas não trabalham. O Estado prepara-se para vender aquela importante unidade industrial e já apareceram interessados, como a Ferrostal alemã, a vendedora, em boa hora e por bom preço dos famigerados submarinos, de que existem processos por corrupção em aberto.
Mas o mais estranho de todos os negócios é o apresentado pelo senhor António Borges, ex-funcionário do FMI  e da Goldman Sachs e  privatizador-mor do governo Passos Coelho/Relvas. Trata-se da privatização da RTP ou como diz o governo da sua atribuição a uma entidade privada. O anúncio deste negócio por este senhor trouxe algum mal-estar destro da coligação no poder. Desde sempre este é o sonho do ministro Relvas, mas a formulação era outra privatizar um canal e ficar apenas um para o serviço público.



O anúncio de António Borges, eventualmente para ver qual era a reacção da opinião pública é porém outro, alienação do canal de serviço público a um privado e eliminação dos restantes canais. Segundo algumas fontes tal negócio dará ao concessionário um lucro de 20 milhões por ano. Até agora a RTP tem sido um sorvedouro de fundos público, agora que começaria a dar lucros entrega-se à iniciativa privada. Para além do mais e ao contrário do que agora afirma o governo, tais medidas não estavam  previstas  desta forma no programa de governo, contrariam clara e frontalmente a Constituição da República e não seguem a prática dos restantes países da Europa.
Estranhas negociatas estas.
Mas igualmente estranho é o facto de se falar de que um dos interessados é a Newhold, a dona do jornal Sol que é detida em 96% pela empresa de capitais angolanos sediada no Panamá  a Pineview Overseas, SA. Convém estar atento a quem está por detrás disto tudo.
No concelho de Matosinhos estamos a sofrer os efeitos da recessão com um aumento enorme do desemprego, nomeadamente do desemprego dos mais jovens. Impõe-se a necessidade de a autarquia pensar e tomar medidas inovadoras e criativas para tentar ultrapassar esta fase difícil da vida do município. Não chega que Matosinhos se proclame “Terra de horizonte e mar” é imperioso rentabilizar as condições que possui em termos  de postos de trabalho e de criação de riqueza, quer perspectivando e desenvolvendo a vertente turística, quer incentivando as pescas e as industrias a elas ligadas.

        28.08.2012

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

24 August 2012

PARA ALÉM DA PRÓPRIA VIDINHA




O economista e prémio Nobel da economia Joseph Stiglitz tem vindo a alertar que a austeridade imposta aos países com dificuldades financeiras agrava a crise europeia e tem defende que é necessária, para a ultrapassar,  uma reforma do quadro europeu e a reestruturação das dívidas nacionais..
Evidentemente que este não é o entendimento dos economistas ao serviço do grande capital financeiro, o verdadeiro promotor de toda a crise económica, mas também seu maior beneficiário  para quem, o que é necessário é destruir tudo o que cheire a estado social e que  o rendimento do trabalho seja  o mais baixo possível, em nome de uma competitividade que só tem paralelo nas relações de trabalho asiáticas.

No nosso país verifica-se uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,3% no segundo trimestre deste ano o que se reflecte no agravamento da situação da procura interna e na consequente retracção da economia.
As declarações de Pedro Passos Coelho na festa do Pontal sobre a possibilidade de Portugal vir a ultrapassar a fase mais difícil da crise já no próximo ano, não tem para isso, qualquer fundamento e estão eivadas de contradições que  preconizam mais medidas de austeridade, como as já meio anunciadas  dos cortes no 13º. Mês de 2013 para todos.
Enquanto isto o ministro Paulo Portas, com a sua habitual displicência e desfaçatez brinca com a questão dos submarinos, dizendo que esta ora emerge ora submerge a favor dos tempos. O que não explica é a razão, agora conhecida, de terem sido efectuados inúmeros depósitos nas contas do CDS, nessa mesma altura, em valor superior a um milhão de euros, mas cuidadosamente divididas em quantias que evitassem declarações sobre o seu valor.
Por sua vez, os cortes de apoios sociais são os mais elevados alguma vez vistos na democracia portuguesa. Mais de meio milhão de desempregados não têm qualquer apoio social há cerca de três trimestres. É verdade que neste universo coexistem vários tipos de desempregados, mas a grande maioria não consegue mesmo acesso a qualquer tipo de trabalho.
Todos os dias temos informações sobre os hospitais que mais poupam em medicamentos, os que realizam mais intervenções cirúrgicas e outras listagens de significado muito relativo, mas do que não temos informação é dos contratos realizados com a chamada iniciativa privada da saúde,  em simultâneo à  perda  de valências dos hospitais locais.
Temos dificuldade em esquecer as afirmações de Isabel Vaz, presidente da Espírito Santo Saúde que disse; “Melhor negócio do que a saúde só mesmo a industria de armamento”.  Só tendo em conta estas declarações se entende a abertura de tantos hospitais privados ao mesmo tempo que o governo procura cortar o mais possível nas despesas de saúde e fechar instalações, como está a ameaçar neste momento, afirmando que o SNS é incomportável do ponto de vista financeiro.
Se a nível nacional muita coisa  parece não bater certo,a situação política a nível internacional não é de modo a dar um mínimo de confiança numa convivência normal entre os diversos países.
O estado de Israel procura todos os pretextos para desencadear um ataque ao Irão, agindo ou não  como lebre para  os Estados Unidos; a Grã-bretanha tem uma atitude completamente inadmissível ao ameaçar assaltar a representação diplomática do Equador em Londres para capturar o fundador da Wikileaks o australiano Julian Assange; na África do Sul a  policia provoca um massacre na mina de platina de Marikana ao disparar rajadas de metralhadora contra os mineiros em greve, matando 34 e ferindo muitas dezenas; na Grécia as forças de extrema-direita têm atacado e assassinado emigrantes, perante o silêncio cúmplice  dos    governos europeus,  que como a Bélgica que acaba de expulsar 1224 emigrantes desempregados,  na sua maioria italianos, franceses e romenos.
A completa desregularização dos mercados e a ganância financeira que desencadearam a maior crise das ultimas décadas, acompanhada pelo aumento da violência levada a cabo por grupos a coberto de diferenças religiosas ou outras, aponta para a necessidade de um novo paradigma   pautado pela democracia política, mas também económica e social,   que permita alterar a actual situação e estabilizar as relações entre  os povos e as nações.
Esse é o desafio que se coloca hoje a todos aqueles que se preocupam com a vida e o futuro para além da sua própria “vidinha”.
Só nessa perspectiva se consegue manter a esperança e se entende a necessidade de lutar por uma sociedade mais justa e mais fraterna, com menos desigualdades e pleno respeito pelos direitos humanos.

  22.08.2012

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

17 August 2012

QUEM VIVEU ACIMA DAS POSSIBILIDADES?




                                             
Começa a ser demasiado estúpido ouvir dizer que a crise que o país atravessa é resultante de os portugueses terem vivido acima das suas possibilidades.
Vejamos alguns exemplos.
Segundo o Ministério Publico o negócio dos submarinos é tão transparente que nem os documentos referentes aos diversos contratos de aquisição, de financiamento e de contrapartidas aparecem, quer no Ministério quer nos escritórios de advogados que, como sempre, agenciaram tão vantajoso negócio. Resta-me perguntar se, por acaso, alguém terá feito umas fotocópias para guardar para memória futura.
As condições de financiamento deste negócio, a exemplo do que aconteceu com a Grécia, são absolutamente predatórias favorecendo os consórcios bancários que as promoveram como o BES,  o Crédit Suisse e  o Firts Boston International .
Estas são algumas das ajudas que o ministro Paulo Portas deu para a instalação da crise  em conjunto com a indústria alemã. Este senhor  tem procurado   sacudir a água do próprio capote, como se nada tivesse a ver com isto, remetendo-se a um ensurdecedor silêncio.
Também nos contratos de locação dos helicópteros que vieram substituir os velhos PUMA o Tribunal de Contas encontrou graves discrepâncias nos custos da manutenção que alcançam um aumento de 120 milhões de euros em relação ao preço inicial.
Estas ajudas, aliadas aos negócios em que intervêm “ilustres” dirigentes do PSD, como Marques Mendes, Joaquim Coimbra (ex-conselheiro nacional do PSD, ligado ao BPN e BPP), Ângelo Correia e Leitão Amaro, acusados por um casal de industriais de Cantanhede de esvaziarem financeiramente em mais de 5 milhões de euros uma empresa de energia solar dão-nos a certeza de que a economia portuguesa pode contar com esta gente para sair da crise.
As iniciativas judiciais como estão sujeitas aos mais diversos entraves e medidas de prorrogação e como em todas estas questões estão metidos os mais importantes escritórios de advogados correm o risco de prescreverem e de nem sequer serem julgadas, como tantas a que temos assistido.
Por outro lado, enquanto os apoiantes do governo continuam a falar em cortar nas “gorduras do estado”, vamos sabendo que é precisamente em câmaras municipais geridas pelo  PSD/CDS, como a do Porto, que encontramos funcionários a auferir salários de mais de 5.500 euros mensais.
A Caixa Geral de Aposentações irá atribuir pensões de reforma a 1747 trabalhadores da função pública durante o mês de Setembro. Destes, 39 irão receber pensões de reforma superiores a 4000 euros, sendo 22 da área militar.
Já começam a surgir clivagens entre os apoiantes do actual governo, uns porque não estarão de acordo com as medidas tomadas, outros por mero calculismo político, prevendo alterações que podem ocorrer a nível governamental.




Vários projectos de investimento que foram apresentados com grandes parangonas pelo ministro Álvaro têm vindo a mostrar-se gorados, acompanhando projectos mais antigos como o do Alqueva que pediu insolvência. Constituem a prova de que este governo não é possuidor de qualquer sentido de estado, que toma medidas casuísticas e que funciona para as televisões.
No Ministério da Saúde continua a nomeação de pessoas sem experiência conhecida e comprovada na área da saúde para dirigir os Agrupamentos de centros de saúde ( ACES). Só no norte do país dos 21 agrupamentos apenas 9 não registaram mudanças nos conselhos executivos. Invariavelmente os novos dirigentes são jovens ligados ao PSD.
Para quem ganhou as eleições criticando o PS pelo assalto aos lugares do Estado, prometendo moralizar futuras admissões, estamos conversados.
Com o inicio da dança das cadeiras referente às próximas autárquicas é interessante verificar a  possibilidade  de perca de mandatos de autarcas como Macário Correia que, talvez pelo excesso de confiança que advém de demasiados anos de poder se atreveu a ultrapassar os  poderes democráticos que lhes estão atribuídos.
No concelho de Matosinhos temos assistido, nos últimos dias a algumas acções de denúncia de factos que parecem configurar erros de gestão ou de prioridade por parte da Câmara Municipal. Efectivamente algumas das denuncias até fazem algum sentido, mas parece-me estranho que partindo de apoiantes do actual governo não falem de uma das questões que há mais tempo tem merecido reparo, que é a da construção do porto de abrigo de Angeiras. Há décadas que anda a ser solicitado e têm sido perdidas todas as ocasiões para tal. Umas vezes são os autarcas que ascendem ao governo e assumindo pastas correspondentes e deixam de se lembrar de Matosinhos, outras, os apoiantes do governo, com responsabilidades na respectiva freguesia acham melhor nem falar nisso e entretanto Angeiras continua sem porto de abrigo.
Também no nosso concelho aumentou assustadoramente nos últimos tempos e número de trabalhadores com salários em atraso, tal situação verifica-se no Centro Social e Infantil da Cruz do Pau. Esta instituição, em grande parte financiada pela Segurança Social tem um rol de dívidas muito elevado ao que nos dizem por deficiente gestão. Presta um serviço muito importante naquela comunidade porque assegura três valências infantário, creche e ATL. Neste momento as cerca de vinte trabalhadoras do centro confrontam-se com salários em atraso. É de esperar que a Segurança Social promova uma inspecção às contas e a continuação deste serviço à população, evitando mais desemprego.

 14.08.2012 

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

15 August 2012

ALTERNATIVAS PRECISAM-SE





A agencia de rating Standard & Poor’s  na sua qualidade de “promotora”, entre outras, da exploração usurária por via financeira das economias nacionais, iniciou a preparação da opinião pública portuguesa para a eventual necessidade de os bancos precisarem de mais 51.000 milhões de euros nas chamadas garantias bancárias. Claro que tais valores terão de ser pagos pelo erário público com juros.
O aumento da divida pública que advirá da subscrição de tais garantias contribuirá para  acorrentar  as finanças portuguesas aos juros usurários que são a renda que interessa aos financeiros.
Estas considerações contrariam tudo o que o primeiro-ministro tem dito sobre a não necessidade de mais “ajuda” ou de prolongamento de prazos. Contudo, como  bom aluno  que é,  irá proceder como lhe mandarem, afinal serão os portugueses a pagar.


A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) afirma que o governo não vai conseguir atingir os objectivos que se propôs. Para tal seria necessário aumentar 11,4%  o valor das  receitas fiscais no segundo semestre de 2012, o que é de muito difícil concretização.
É mais uma razão para nos questionamo-nos  para que serviram os enormes sacrifícios exigidos à maioria dos portugueses.
Os  banqueiros ainda não estão satisfeitos e assistimos a Horta e Costa, banqueiro em Inglaterra, a dizer que, apesar dos  bancos serem as entidades que melhor podem servir o financiamento da economia, necessitam ser capitalizados e já sabemos por quem, pelo Estado, isto é, por nós.
É curiosa uma noticia do jornal alemão Bild, conhecido pelos seus ataques à Grécia e à Europa do sul, onde se afirma que a Alemanha é a grande beneficiária das dividas soberanas dos países em dificuldades, tendo amealhado mais de 100.000 milhões de euros em juros.
Segundo a Comissão de Mercados e Valores Mobiliários (CMVM) continuam a verificar-se enormes concentrações de lugares de administradores de empresas, nomeadamente nas cotadas na Bolsa de Lisboa. Aquela comissão deu nota de que existem gestores que acumulam cargos  , uns com responsabilidades executivas, outros só como vogais. No   caso  do Snr. Pais do Amaral   chegam ao escândalo de 73,     ao ponto do mesmo  dizer que nem sabia pertencer a tantos conselhos de administração. É o mais dourado  regabofe.
O mais curioso é   escutar estes senhores a afirmar despudoradamente,  que os portugueses viveram acima das suas possibilidades e agora têm que pagar. Afinal, quem   viveu e vive acima das suas possibilidades são os que auferem salários de miséria ou aqueles que dizem  nem saber a quantidade de “tachos” que têm? Haja moralidade!
Na sua campanha de destruição dos serviços públicos o governo, a mando do capital financeiro, continua com o fecho e concentração de escolas, de serviços de saúde, de cortes nos subsídios e outras malfeitorias do género. Em compensação, sabe-se que irá manter as comparticipações nas escolas privadas, nos mesmos valores de que já beneficiavam, isto é,  de 85.000 euros por turma, podendo estas, pelo estatuto de autonomia,  ter menos alunos por turma do que o que está legislado para as escolas públicas. Depois venham dizer que não há discriminação entre a escola pública e a privada.
É cada vez mais     complicado aturar os dislates deste governo,  que sem qualquer imaginação mais se assemelha a uma delegação do capital financeiro que só pensa em levar à prática as ordens do mesmo, esmagando todos, até aqueles que   nas eleições lhes depositaram   a sua imprevidente confiança  .
A nova lei autárquica, cavalo de batalha de Miguel Relvas, continua no segredo dos deuses e o  que se vai sabendo dela é que  nem o acordo do pleno dos partidos apoiantes do governo consegue reunir.
As contradições de interesses que opõem PSD e CDS são transversais a  todo o país,     mesmo em Matosinhos, conforme tem aparecido nos jornais.
É lamentável ver que continuam a existir interesses mesquinhos e de grupo que se sobrepõem aos reais interesses dos cidadãos de cada concelho o que denota um elevado grau de irresponsabilidade por parte dos agentes políticos que assim agem.
Em Matosinhos  a um ano de novas eleições autárquicas  assiste-se ao inicio da campanha eleitoral, nomeadamente por parte de forças que demonstraram uma certa letargia até agora, a despeito de terem recebido  dos eleitores, uma votação significativa,  que lhes permitia uma actuação mais propositiva  nas decisões municipais. Tinham votos suficientes, portanto, obrigação de serem mais intervenientes. Demonstraram falta de sensibilidade política.
Não ponho em causa o facto de terem sido cometidos erros de apreciação, de obras menos fiscalizadas e acauteladas, de gastos pouco explicados, de algum desleixo na manutenção do património.   
Muitos desses erros poderiam ter sido evitados se denunciados atempadamente e se as chamadas de atenção efectuadas na Assembleia Municipal tivessem sido escutadas e apoiadas.
Convém não esquecer que, para a Câmara Municipal de Matosinhos, o PS elegeu 5 vereadores, o grupo de Narciso Miranda elegeu 4 e o PSD elegeu 2. Com tal horizonte político é muito estranho que só agora tenham começado a denuncia de  situações consideradas como erradas e que propostas alternativas não tenham surgido  , confrontando o executivo do PS com as suas responsabilidades,   como  alternativas válidas e favoráveis aos interesses dos cidadãos matosinhenses.
Essa teria sido a maneira correcta de agir de qualquer organização política que pretenda merecer o apoio e o respeito dos eleitores.

 8.08.2012

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

08 August 2012

Lei contra a Precariedade

Comício Festa - Porto - Participa!!!


ATÉ QUANDO?




                                                             

Cavaco Silva fez declarações pouco próprias de um presidente da Republica de Portugal a um jornal holandês, sobre a responsabilidade dos cidadãos portugueses na crise que o país atravessa.
O que este senhor se esqueceu se referir foi a sua  própria responsabilidade  enquanto primeiro ministro e mesmo como presidente da republica, na destruição do aparelho produtivo português, da agricultura, das pescas e mesmo da industria, em nome daquilo que ele chamava,  então de “o progresso”, e que mais não  era que  tornar Portugal  um país de prestação de serviços e dependente do estrangeiro.
Esquece-se nessa entrevista de outro factor, a importância que tiveram na crise os seus amigos Oliveira e Costa, Manuel Dias Loureiro ou até Duarte Lima no Banco Português de Negócios e dos estranhos negócio que ocorreram em torno do mesmo.
O povo português não tem tão fraca memória como se pensa  e por isso estes senhores  não podem ficar admirados com as vaias, apupos e assobios com que são recebidos de norte a sul do país e não adianta  nada   tentar vir para os telejornais denunciar os manifestantes como manipulados  sabe-se lá por quem, pois isso já não pega.
Pode até o senhor presidente ir à cerimonia de inauguração dos jogos olímpicos de Londres e de lá apelar ao ânimo dos portugueses, porque o que é necessário é implementar medidas concretas e sérias para ultrapassar a crise e parar com o aumento do desemprego.
A despeito da teimosia de Passos Coelho e das posições contraditórias de ministros e responsáveis dos partidos do poder, acerca da necessidade de renegociar os prazos da divida e os respectivos juros, as informações que vamos tendo é que tudo se mantém igual enquanto o valor da divida se tem vindo a agravar.
A OCDE, confirmando o falhanço das medidas do governo, afirma que a recessão se irá prolongar por 2013 e que o desemprego irá aumentar pelos menos para 16,2%, por isso recomenda que os salários dos trabalhadores da função pública menos qualificados deverão ser reduzidos.   
Recomenda, a OCDE, pela voz do seu economista chefe David Hang, o alargamento dos cortes do 13º e 14º meses aos trabalhadores do sector privado, mais “reformas” nas leis laborais e redução do subsídio de desemprego. Em compensação volta a falar na necessidade de baixar a Taxa Social Única, o que já sabemos significar a asfixia da Segurança Social.
Mais uma vez, apenas os mais pobres estão a pagar a crise.
Entretanto, vai-se sabendo que as privatizações da EDP e da REN, renderam de comissões ao BES-Investimentos e ao BPN-Cabo Verde a quantia de quinze milhões de euros. Nesta negociata estiveram envolvidas entre outras a empresa Perella Partners, propriedade de amigos do ministro Gaspar. Estas vendas foram efectuadas a empresas chinesas e do Omã, com eventuais ligações a uma tal AKROIA da Suiça, conhecida por branqueamento de capitais.
E isto é o que se sabe.



Os fundos de pensões da banca, dinheiro descontado pelos trabalhadores para assegurar as suas pensões de velhice, foram utilizados para mascarar a situação financeira das dívidas dos hospitais/empresas. Pergunta-se, com que dinheiros irão ser pagas as pensões dos bancários que se forem reformando e dos que já estão na situação de reforma?
Entretanto o governo vai abrindo excepções para alguns gestores e outras “estrelas” que auferem salários escandalosos. É o caso do presidente da RTP Guilherme Costa, autorizado a continuar com um salário de cerca de 14.000 euros mensais e de um vogal do conselho de administração José Araújo e Silva que poderá receber um salário superior ao do primeiro ministro, isto é 6.850 euros mensais. Enquanto isto aos trabalhadores da RTP, por esta mesma administração, foram retirados os 13º e 14º meses e efectuados cortes de salários de 10%.
O mesmo governo que permite estas excepções é precisamente o mesmo que vai denegrindo o serviço público de televisão como gastador incomportável, pra satisfazer a pretensão de Miguel Relvas em privatizar um dos canis públicos.
Os anúncios de encerramento de serviços de urgência hospitalar, de escolas e de outros serviços públicos, muitas vezes sem justificações válidas, cumprem o papel de destruição do estado social e,  ao mesmo tempo,  dão lugar   ao aparecimento de estruturas privadas em sua substituição, como denunciam muitas das contestações das populações locais.
Só faltavam cá os banqueiros a “lastimar” a tomada de posição do Tribunal Constitucional sobre o esbulho dos 13º. e 14º. meses nos  salários e nas pensões de reforma. Eles mesmos que têm sido os maiores, senão os únicos, beneficiários das “ajudas” da troika à custa do erário público.
Não há dúvidas, uma democracia verdadeira só existe com cidadãos exigentes.
                   1.08.2012

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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