04 July 2012

UM ANO QUE NÃO É PARA ESQUECER


     

Faz precisamente um ano que o governo PSD/CDS tomou posse e a situação em que o país se encontra está muito longe de ter melhorado, conforme previam  as promessas que foram feitas durante a campanha eleitoral.
Apesar do violento aumento de impostos a receita fiscal tem vindo a cair, nomeadamente por via da descida na cobrança do IRS e do IVA, motivada pelas políticas de recessão que o governo tem levado à prática. 
O ministro Victor Gaspar, pelo espanto que ousa manifestar, parece ainda não ter percebido que é a austeridade que está a provocar esta situação, mas já vai falando na possibilidade de uma derrapagem no défice.
Passos Coelho continua a dizer que “para já” não será necessário tomar para Portugal mais medidas de austeridade, ao mesmo tempo que teimosamente vai afirmando que não serão necessários ajustamentos nem de mais tempo nem de mais dinheiro.  Mostra-se mais preocupado em manter a posição de  bom aluno  do que em resolver os problemas dos que o elegeram.
O que é certo é que os cortes na despesa continuam afectando visivelmente a saúde e  o ensino onde a situação começa a ser altamente periclitante.
Os dados de execução orçamental mostram que os enormes sacrifícios que têm vindo a ser exigidos ao povo português não tiveram efeito nenhum, diria que foram inúteis. 
Tal como se verificou em Portugal, a Espanha está pedir 100.000 milhões de euros só para resgatar a sua banca. Quem vai pagar esta “ajuda” em Espanha, como em Portugal, são os trabalhadores e os pensionistas, quem vai beneficiar são os banqueiros. Nem admira, pois lá como cá, como em Itália ou na Grécia os principais dirigentes políticos são ou foram funcionários dessa “prestimosa entidade” americana que dá pelo nome de Goldman Sachs, que de si própria diz que comanda o mundo.
A divida publica continua a aumentar e igualmente continua a não haver nenhuma auditoria a essa mesma divida para avaliar qual é a divida real e qual é a divida indevida.
Entretanto há um novo episódio no regabofe das distribuições de benesses  , como na EDP com Eduardo Catroga e Celeste Cardona, agora acrescenta-se a REN onde  se posicionam alguns “boys” do PSD como o ex-ministro José Luís Arnault e Miguel Moreira da Silva para abocanharem o pedaço. Para quem foi critico da actuação do governo PS e prometia a maior transparência de processos estamos conversados.
As escandaleiras em torno do inefável ministro Relvas não param. Depois das ligações perigosas a gente tão indiscutível como o espião que trabalhava para a “privada” e as pressões sobre jornalistas, aparecem agora nos jornais informações sobre pressões  feitas há alguns anos sobre pessoas para beneficiar empresas que, por acaso eram dirigidas pelo actual primeiro-ministro. Enfim um nunca mais acabar de embrulhadas e obscuridades incompatíveis com um lugar de ministro numa democracia rxigente.


A ministra da Justiça promete uma justiça mais célere e eficaz mas o que verificamos são as prescrições constantes com os chamados crimes de colarinho branco, quer sejam autarcas, ex-autarcas, ex-ministros ou mesmo vigaristas de topo de gama a ficarem impunes por não chegarem a julgamento. Coisa que não parece preocupar a respectiva ministra, mais virada para o corte nas despesas e na centralização dos tribunais.
As politicas aplicadas por este governo não assacadas em exclusivo à responsabilidade da troika, são mesmo a aplicação prática do programa em que o governo acredita, de destruição de tudo o que cheire a estado social, de destruição do que resta da economia nacional e dos direitos conquistados pelos trabalhadores.
Com a aproximação do período eleitoral para as autárquicas de 2013 começamos a assistir à dança das cadeiras entre os autarcas, nomeadamente entre aqueles que chegaram ao limite dos mandatos e que procuram “outra” colocação.
Um dos que mais se tem posto em bicos de pés tem sido Luís Filipe Menezes que busca concretizar o seu sonho de ser o vice-rei do norte, começando por ocupar a Câmara Municipal do Porto. 
Tudo tem utilizado como pré campanha. Desde o apoio descarado de um jornal diário, passando por promessas megalómanas de construção de pontes e túneis, até à proposta de aglutinação entre os concelhos de Porto e Gaia, quiçá para agradar ao ministro Relvas. Tudo serve para aparecer nos jornais.
A incongruência de tais propostas e promessas é tanto maior quando surgem deste apoiante de um governo que não hesita em cortar todas as despesas e que era um feroz critico das igualmente megalómanas propostas de obras do governo anterior.
Entretanto mantêm-se paradas as obras das escolas como a secundária do Padrão da Légua, por não pagamento aos subempreiteiros, enquanto os apoiantes do governo no concelho  continuam com manobras estranhas como a recolha de assinaturas para o metro de S. Mamede, que o seu próprio governo inviabilizou.
Não menorizem os cidadãos.
Não pensem que os cidadãos não têm memória.  

                        26.06.2012
 José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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