16 July 2012

A PACIÊNCIA TEM LIMITES







Na última semana vieram a público informações sobre o número de falências que ocorreram no nosso país e que são, entre empresas e famílias, de cinquenta e três por dia.
É uma situação muito preocupante, que diz muito da  forma como a economia está a ser encaminhada para o abismo.
O governo ao invés de promover o desenvolvimento económico do país está mais preocupado   com o refinanciamento dos bancos. Curiosamente os mesmos bancos que durante tanto tempo andaram a enriquecer com os negócios decorrentes de receberem empréstimos do Banco Central Europeu a um juro muito baixo e de emprestarem esses mesmos valores ao Estado, mas com juros muito mais elevados. Já  para não falar das imensas dificuldades de financiamento que levantam às empresas e particulares.
Após o recente chumbo, pelo Tribunal Constitucional, do esbulho praticado pelo governo de 13º e 14º meses de salários dos trabalhadores da função pública e das pensões de reforma, logo o governo veio com ameaças de alargar ao sector privado  as medidas austeritárias. Resumindo, os “pagadores” do costume.
Nem pensar em conseguir outras  alternativas, como poderia  ser o lançamento de uma taxa sobre as grandes fortunas, como aliás acontece em tantos países da Europa, cujos governos estão longe de poderem ser considerados esquerdistas.
O governo PSD/CDS continua a prática de tratar com fraqueza os fortes e com o maior vigor e força os mais fracos.
Os portugueses estão a ser espoliados para que a banca recupere dos erros cometidos com gestão criminosa e com a economia de casino. Para cúmulo apenas um numero muito reduzido de culpados foi até agora arguido.
Por alguma razão nunca foi feita uma auditoria à divida externa portuguesa para que se saiba qual é o valor da divida pública e qual é o valor da divida privada, quem as contraiu e com que finalidade. Só assim haveria uma réstia de transparência e seria possível aos portugueses decidirem o que fazer sem as pressões mentirosas a que estão sujeitos por parte dos governantes, que mais parecem delegados do grande capital financeiro do que responsáveis eleitos para governar o país.
Uma prova disto é a completa obsessão manifestada com a necessidade de cumprimento “custe o que custar” do défice de 4,5%, que apesar dos cortes cegos nas despesas sociais, na saúde e na educação, se mantém muito longe dessa meta, principalmente dada a quebra nas cobranças de impostos, proveniente da recessão violenta.
O governo, seguindo as ordens da troika, mas igualmente aplicando as suas próprias políticas tem vindo a vender ao desbarato o património público, em negócios tão brilhantemente arquitectados como o foram a venda do BPN por um valor ridiculamente baixo ou da EDP e da REN, negócios onde, curiosamente, participaram escritórios de advogados ligados ao governo ou a ex-ministros, que após a privatização conseguem cargos de administração nas novas empresas.
Daí que já há quem pergunte se o ex-governante José Luís Arnault irá ter o privilégio de ser administrador da TAP, após a privatização. É que “saiu” em sorte ao escritório de advogados a que está ligado a organização do processo de privatização da empresa de aviação.
As mais do que escandalosas negociações do ministério da saúde com empresas privadas de “aluguer” de trabalhadores para a contratação de enfermeiros, nutricionistas e médicos “a horas” por valores baixíssimos diz bem do que pretende o governo fazer com o serviço nacional de saúde que tem o desplante de afirmar defender.




O ministério da educação decidiu amontoar alunos e professores em mega-agrupamentos escolares, chamados unidades orgânicas, com salas de aula previstas para 24 alunos e que terão que alojar 30 ou mais. A par de outras complexas mudanças de última hora e sobre o joelho, que comprometem o início do ano com normalidade.
O ministério da segurança social promoveu a transformação de lares para a terceira idade em armazéns, com o aumento indiscriminado de utentes, com a supressão de salas de convívio e até de pessoal assistente. Por sua vez as fórmulas criadas para cercear os subsídios aos desempregados e àqueles que  mais carenciados e mais expostos estão à miséria e à fome.
São as provas de que este governo pretende transformar os direitos básicos conquistados por gerações de trabalhadores em mero assistencialismo, pouco distante da esmola caritativa.
Como se constata o governo é muito selectivo nas suas opções, sempre sobre os mais fracos.
Mas a tão anunciada e louvada paciência do povo português começa a desaparecer. Os inúmeros casos de vaias e apupos a ministros, secretários de estado e até ao presidente da república, que se multiplicam por todo o país são disso nota. São aliás resposta à arrogância com que o governo tem tratado as questões que lhe são colocadas.
Haja paciência!

                                      9.07.2012 



José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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