06 June 2012

PORTUGAL E A GRÉCIA...


Nada ficou clarificado com as explicações prestadas pelo primeiro-ministro na Assembleia da Republica sobre a  promiscuidade  entre as secretas, empresas privadas e  ministro Relvas.
Por mais que Miguel Relvas procure confundir tempos, relações de proximidade e negócios, o que não conseguiu desmentir foram as afirmações prestadas num primeiro momento de que   não tinha tido contactos com o ex-espião Jorge Silva Carvalho, nem ninguém do ministério. Em   versões posteriores, disse que afinal teria havido almoços de negócios, trocas de mensagens e até a coincidência de uma pessoa a que Silva Carvalho apelidava de “ chata” nas famosas trocas  de mensagens ter sido afastada e posteriormente integrada no governo como secretária de estado.
Enfim uma escandaleira que dificilmente poderá ser escamoteada e que forçosamente salpica de lama    o governo, se este não se conseguir distanciar do lodaçal.
Embora esteja plenamente de acordo com a separação entre o poder político e os poderes judiciais, não é possível deixar de lamentar  fortemente a forma como funciona a aplicação da justiça no nosso país.
Todos os dias assistimos a processos arquivados por prescrição, nomeadamente de crimes em que intervieram políticos ou ex-políticos com capacidade  financeira  para contratar advogados habilidosos e capazes de alongar os processos até à prescrição. Tal situação nunca é possível para  quem não pode ter acesso aos grandes escritórios de advogados, porque se pagam muito bem.
Estamos a voltar ao tempo em  que   a justiça era  diferente para ricos e pobres,   o que põe em causa a Constituição portuguesa.

Continua a utilização pelo governo  do desconhecimento do real valor da divida externa para a passo e passo ir “descobrindo” outros  valores em divida e  também serve para justificar o facto de o valor do défice não melhorar e antes ser cada vez mais elevado, a despeito do aumento da carga fiscal.
Por todas as discrepâncias que têm sido publicadas mais acaba de reforçar como imprescindível a necessidade de uma auditoria à divida externa, pública e privada, doutra forma nunca vamos saber  com o que contar.
Foi tornado público que o CDS quer levar à comissão de inquérito todas as PPP.    Até aqui tudo bem, mas em nome da transparência  que seja inquirido igualmente o negócio da compra de submarinos e das respectivas contrapartidas financeiras.
Também se soube que a troika no seu afã destruidor de tudo o que se pareça com sindicatos,   quer forçar a que as negociações salariais deixem de ser feitas através os sindicatos e passem a ser estabelecidas a nível das empresas, do mesmo modo que  tem vindo a afirmar a necessidade de baixar salários.
Tal situação terá que ter uma resposta bem clara por parte dos trabalhadores, já que o governo irá continuar a  a obedecer às ordens que daí  vierem  .
Quando falam em diminuição de salários ou de pensões de reforma, já sabemos que não de referem aos chorudos proveitos auferidos por gente como António Borges, eminência parda encarregue pelo governo PSD/CDS em gerir os “negócios” das privatizações e que afirma que diminuição de salários “ é uma urgência, uma emergência” .  Não falam, por certo,  nos valores que o BCP paga ao seu ex-administrador Jardim Gonçalves, a despeito de ser do nosso  bolso que estes senhores são principescamente pagos. Trata-se do mesmo  banco onde  o estado irá “investir” muitos dos  milhões pagos por nós.


As instituições europeias vêm prometer uma “mega operação” para tentar alterar as estruturas financeiras da Europa. Como já  é costume não consultaram os cidadãos europeus para promover tais alterações  e o que os jornais alemães avançam é a possibilidade de cada um dos países abdicarem da pouca autonomia que têm a favor das “instituições” que  nunca ninguém elege .
Mais perto de nós, no concelho de Matosinhos existem escolas secundárias onde as obras de remodelação foram  paradas, onde continuam  a funcionar    alunos e professores amontoados e sem condições pedagógicas razoáveis. Estranhamente não vimos os apoiantes do governo no concelho  a contestar  a situação, que é devida ao  não pagamento pelo Estado dos seus compromissos.
Também ao arrepio  do que acontece por toda a Europa, a burocracia financeira neo-liberal,   quer impor uma gestão conjunta dos portos marítimos portugueses.
  A preocupação parece ser coarctar todas as possibilidades de que uma regionalização sustentável possa surgir no país, contribuindo para acabar com as assimetrias regionais que permitem a concentração de cada vez mais bens  em   menos mãos.
Por fim, continua a chantagem terrorista sobre os gregos e a sua manifesta vontade em mudar o seu futuro. As afirmações de Lagarde, de Merkel e de outros dirigentes europeus constituem as mais grosseiras interferências na democracia grega.


Os jornais gregos habitualmente apoiantes da Nova Democracia e do PASOK, partidos apoiantes da austeridade imposta aos gregos, após a desastrosa governação de ambos , desencadearam uma campanha contra o Syriza, partido que, defendendo a permanência da Grécia no Euro, repudia a forma como a austeridade está a esmagar os gregos e a sua economia.
A luta que os gregos estão a travar, já  não é exclusivamente sua. É nossa e de todos os europeus que afirmam que somar austeridade à austeridade não nos vai levar a lado nenhum.  Por isso, o que podemos fazer agora é dar-lhes o nosso apoio solidário.


 05.06.2012

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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