03 May 2012

UMA QUESTÃO DE ÉTICA


                                             
Há dias o ministro Gaspar teve o desplante de afirmar, “… a evolução do desemprego é um estimulo para acelerar as reformas estruturais…” . Tiradas como esta só significam o profundo desprezo que estes governantes têm por aqueles   que se encontram no maior desespero por falta de trabalho e de apoios sociais, por muitos daqueles  que elegeram Passos Coelho, que foi quem os nomeou.
A constatação de que apenas com crescimento económico é possível sair da crise  começa  a fazer caminho entre os responsáveis europeus e no nosso país, talvez porque  o próprio FMI   já o tenha afirmado. Infelizmente por cá  continuamos com  o governo a  fazer orelhas moucas a tal evidência  .
O Eurostat, organismo europeu de estatística, revelou que o custo do trabalho por hora pago em Portugal é o terceiro mais baixo da zona euro,  cerca de 12,1 €, contra os  27,6€ de média europeia.
Porque será que os “nossos” governantes sempre tão pressurosos em fazer comparações das leis e regulamentos  laborais com a restante Europa nunca se referem a estas “pequenas” diferenças ?
O Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia da Republica,  em Março passado, um projecto de lei  visando fazer com que a entrega de uma habitação  por incapacidade de pagamento  ao banco credor do empréstimo contraído para a sua compra, pode  constituir  quitação do débito por completo. Um juiz do Tribunal de Portalegre ao exarar uma sentença neste mesmo sentido vem dar força ao projecto e mais,  azer jurisprudência que impeça as instituições bancárias de enriquecimento à custa de mais esta consequência da crise.


Entretanto sucedem-se os escândalos como o da TAP ter gasto 123 milhões   para “facilitar” a entrega do negócio de handling da Groudforce  ao grupo Urbanos, sem que se compreenda a finalidade daquela transacção.
 Veio a público a assunção pelo Estado de milhões de euros em “produtos tóxicos”  do BPN, isto é,  de débitos de figurões como Oliveira e Costa, Duarte Lima, Dias Loureiro e outros,   todos eles , como se sabe, ligados ao PSD.

Mas ainda falta a fatia do bolo que tem a ver com o Banco Insular de Cabo Verde, detida pela SLN, a que estavam ligadas outras  individualidades  ainda no escuro.

Na Madeira , com o governo regional na bancarrota, por uma  gestão absolutamente ruinosa  e uma divida escondida de volume ainda não conhecido, sabemos que só um  empresário  teve acesso a empreitadas por ajuste directo,  no valor de milhões e euros e, sabe-se  também, que  o fogo de artificio da ultima  passagem de ano custou cerca de 800.000 euros, quando já era bem conhecida a situação financeira a que Alberto João Jardim e os seus apaniguados tinham levado a região, situação    que afirmam garbosamente   não se arrependerem.

 Ao mesmo tempo   estudantes do ensino superior abandonam os estudos por falta de meios financeiros, as universidades procuram receber valores de propinas de há vários anos e ameaçam   retirar licenciaturas entretanto acabadas. Simultaneamente  há estudantes a preparar as queimas das fitas, que irão custar muito dinheiro e como sempre  alguns episódios de coma  alcoólico.

 Neste períodos de comemorações oficiais do 38 aniversário do 25 de Abril de 1974 causa espanto e apreensão a noticia de que a PSP considera que “ duas pessoas já fazem uma manifestação” e é essa a justificação dada para serem constituídos arguidos e acusados de desobediência activistas do Movimento Sem Trabalho que no passado dia 6 de Março distribuíam comunicados à porta do Centro de emprego do Conde Redondo em Lisboa.
Esta não é uma notícia datada de 1973  é dos  dias que correm.

Decididamente algo está mal neste Portugal de Abril!

Em política não pode valer tudo, as mentiras, as inverdades, a falta de ética, mais cedo do que tarde virão ao de cima.
Vem isto a respeito da leitura dos jornais diários sobre câmaras municipais com problemas para apoiar associações e entidades, dificuldades decorrentes da chamada Lei dos Compromissos. Também foi afirmado, por alguém de Matosinhos  apoiante do governo,   que tal situação apenas ocorria no nosso concelho. Afinal parece não ser bem assim, até a Associação Nacional de Municípios já  tomou posição contra os malefícios da aplicação cega de tal lei.

Nesta semana perdi um amigo. Deixou-nos Miguel Portas  com quem tive o privilégio de partilhar alguns importantes momentos de luta. Recordá-lo-ei sempre como um homem de causas, determinado e generoso, sempre ao serviço dos outros.
Até sempre companheiro!



         01.05.2012

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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