29 May 2012

MAIS UMA VEZ, A DEMOCRACIA COMO MATRIZ


                     

Tem sido escandalosa a maneira como a generalidade dos governantes da União Europeia pressionam os gregos  procurando interferir nas decisões que, democraticamente, apenas a eles deveriam dizer respeito.
As claras ameaças vindas da senhora Merkel ou do inefável Durão Barroso raiam a mais descarada chantagem sobre as escolhas eleitorais da Grécia.
O facto do povo grego ter sido vitima da irresponsabilidade dos governos que não acautelaram os interesses dos seus cidadãos, não pode fazer esquecer que os principais beneficiários foram os bancos alemães e franceses que ao longo do tempo foram financiando, sem hesitar, as compras de “utilidades” como submarinos, tanques e outro material de guerra. Ao mesmo tempo que iam acicatando a animosidade com a Turquia, a fim de  promover essas aquisições.
A forma como os “comentadores do costume” tratam  em Portugal  a informação do que se vai passando na Grécia é bem demonstrativa da subserviência face aos interesses do capital financeiro neo-liberal .Desde calunias, passando por informações falsas e meias verdades tudo tem sido utilizado para armar confusão.
O extremo são as declarações do ex-ministro do PSD   José Luís Arnault  sobre a Grécia, na televisão, ao dizer que, “a Grécia é um país inventado, era uma província do império Otomano”.

A  comparação entre a  situação portuguesa e grega continua  a ser uma constante, procurando espalhar receios para mascararem a realidade, ao mesmo tempo  que permitem leituras populistas e antidemocráticas das possíveis saídas para a crise.





Ora,  a  realidade  em Portugal é que precisamente um ano após o inicio da “ajuda” da troika, estamos mais pobres e mais endividados, com cerca de oitocentos mil de desempregados inscritos, mas com cerca de um milhão e duzentos mil,  incluindo aqueles a que o governo chama de inactivos disponíveis para o trabalho  isto é, os que nem sequer estão inscritos nos centros de emprego.  Com  tal numero de desempregados, muita gente se questiona se não iremos morrer da cura.
Além disso temos aquilo a que se chama um serviço da divida, os juros perfeitamente usurários a que estamos submetidos pela “ajuda” que muito dificilmente será liquidável.
O governo PSD/CDS conseguiu o feito de fazer emigrar só no primeiro trimestre de 2012 mais de cinquenta e sete mil jovens, muitos deles altamente qualificados, mas sem perspectivas de trabalho no nosso país. É escusado afirmar que o país está a desbaratar o seu futuro e que  a formação destes jovens ficou muito cara ao erário público. Ficamos duplamente mais pobres.
Nos anos 60 foi Portugal “exportador” de mão de obra barata e indiferenciada que contribuiu para o enriquecimento da Europa. Hoje exportamos quadros preparados que irão contribuir para que continuemos a ser ainda  mais pobres face a uma Europa que “generosamente“ nos ajuda com empréstimos verdadeiramente usurários.
Para o ministro Álvaro esta situação não passa de um problema com o “coiso”, pois este senhor nem sequer se dá ao trabalho de chamar o desemprego pelo nome.
Já sobre o super-ministro Relvas, depois das trapalhadas com os  relatórios e as mensagens dos homens das secretas, veio a lume uma inqualificável pressão e ameaça exercida sobre uma jornalista, apenas porque esta terá feito perguntas que não agradaram ao ministro que por acaso tutela a área da comunicação social.



Uma das condições para o funcionamento de uma democracia efectiva é a existência de órgãos da comunicação social livres e independentes e isto equivale a uma  comunicação social sem interferências    por parte dos diferentes poderes.
O mesmo ministro tem o desplante de considerar  “ esquizofrénica” a oposição manifestada por uma enorme maioria dos autarcas contra as suas “ideias”,  àcerca da  eliminação de autarquias e sobre um rígido controlo centralista do  poder autárquico .
Decididamente o entendimento que este senhor tem sobre o que é a democracia,  as relações democráticas ou o respeito pela liberdade de imprensa são incompatíveis com o que é mais elementarmente aceite neste campo, quer continuem a merecer a confiança política do primeiro ministro ou não.
Contrariamente ao que continua a ser afirmado e propagandeado pelos apoiantes do governo em Matosinhos, são cada vez mais as autarquias e os autarcas que se manifestam contra a Lei dos Compromissos que está a estrangular a vida autárquica por todo o país.
A verdade e a defesa dos interesses das populações não tem e nem devem  ser submetidas aos interesses meramente partidários, só assim a  actividade política  pode  merecer  o respeito e o reconhecimento  dos cidadãos.
Tenho procurado sempre  orientar assim   as  minhas  posições  politicas  e tentarei que   assim continue a ser.

   22.05.2012 

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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