27 March 2012

MAIS DEMOCRACIA



Mentiras, falsas promessas, propaganda enganosa são factos banais que o governo tem vindo a utilizar para ludibriar os portugueses.

Agora foi o ministro CDS dos assuntos sociais, Pedro Mota Soares que, depois de ter prometido aos trabalhadores com falsos recibos verdes o acesso ao fundo de desemprego em igualdade com os restantes trabalhadores, veio apresentar condições muito mais gravosas para aqueles. Para além de serem necessários dois anos de descontos, os condicionalismos exigidos são um autêntico insulto aos trabalhadores precários e uma prova de que este governo pretende institucionalizar essa fraude social que são os falsos recibos verdes.

Enquanto isso, assistimos à corrida às comissões de inquérito ao negócio do BPN e à sua venda ao BIC. Estranhamente, quando a questão foi levantada pelo Bloco de Esquerda, foi então recusada pela direita parlamentar. Depois, por agendamento potestativo do PS a Assembleia foi obrigada a aceitar a proposta, o PSD/CDS vieram a correr criar uma comissão de inquérito. A razão para tal, sabemos muito bem qual foi. Tratou-se de tentar esvaziar de conteúdo aquela inquirição, dado o facto de os “protagonistas” desse nebuloso negócio serem figurões ligados ao PSD e ao presidente da Republica.

As recentes noticias sobre as exigências das parcerias publico-privadas rodoviárias em que a Brisa pede mil milhões de euros pela diminuição da utilização de passagens da A17 e a EDP quer quatro mil milhões de rendas excessivas, constituem mais um roubo ao erário público e diz bem da contradição que o governo tem quando trata com toda a frieza os problemas dos mais pobres e quando se verga face às exigências dos mais poderosos.

A despeito de já terem anunciado aumentos no preço do fornecimento da energia eléctrica, o poderoso presidente da EDP António Mexia vai receber, este ano cerca de 1 milhão de euros e corre o risco de acrescentar no fim do mandato mais três milhões. Quem paga tão exorbitantes salários são os portugueses que recebem por mês, como salário mínimo o que aquele senhor aufere por uma hora de trabalho.

Outra incongruência tem a ver com a aceitação de António Borges nomeado responsável pelas privatizações ser simultaneamente director da empresa Jerónimo Martins, a tal que ainda recentemente transferiu a sua sede fiscal para a Holanda. Este senhor saltita entre empresas privadas, o FMI e cargos próximos do governo, com a maior facilidade, ao mesmo tempo que vai fazendo declarações sobre “ que bom que é este governo ter conseguido baixar salários…”. É isto ético?

Aqueles que votaram neste governo, por cansaço dos desmandos praticados pelo governo Sócrates, começam a verificar o erro cometido e a manifestar igualmente o seu desagrado.

A pouco e pouco vai-se abrindo a caixa de Pandora. Continuam os esquemas utilizados pelos neo-liberais para criar falsas informações e para instilar medo nas populações, sobre as inevitabilidades.

Cabe a cada um de nós, entretanto, ser capaz de separar o trigo do joio e analisar aquilo que nos é dito, mesmo que embrulhado em cores mais atraentes.

Como em tudo nem todos os cidadãos que se dedicam à politica são trapaceiros e oportunistas. São muitos os que dedicam o seu tempo, para além de profissão que exercem, a procurar servir o bem comum, tanto parlamentares como autarcas.

A proximidade do poder autárquico aos cidadãos parece causar engulhos aos seguidores do neo-liberalismo e daí a sua sanha persecutória , destruidora e centralizadora demonstrada pela recusa da regionalização e nas propostas de eliminação de freguesias, sem qualquer justificação plausível para além da poupança de recursos, que mais uma vez se afirma como falsa.

A mais nova “descoberta” é a anexação de municípios, como Lisboa e Porto e até outros, que visa apenas a consolidação de feudos partidários, ao arrepio da história e da boa gestão.

A luta contra tais propósitos é já eminentemente democrática e será uma clara demarcação entre os que defendem uma democracia participada e aqueles que tudo fazem para sumeter os cidadãos aos ditames centralizadores e do grande capital financeiro.

20.03.2012

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda


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