03 March 2012

DESIGUALDADES



Acabou a mascarada do Carnaval e, provavelmente por estar cá a troyca, o governo tentou privar os portugueses de um dia de descanso, já que não lhe chega o constante esbulho aos poucos rendimentos que restam.

Alguns municípios concederam tolerância de ponto aos seus trabalhadores nesse dia, outros, como é o caso de Vila Nova de Gaia, para além de o recusarem fazer , criticaram severamente os que decidiram pela tolerância de ponto.. Mas, incongruência das incongruências, os jornais informaram que o presidente da Câmara de Gaia tinha aproveitado a “ponte” para ir passar umas férias à neve. É caso para dizer, … bem prega frei Tomás…

Falando de assuntos mais sérios.

A venda da participação do Estado na REN (rede eléctrica nacional) foi feita a empresas de capitais chineses e árabes.

Trata-se da alienação de uma empresa estratégica da maior importância para a economia nacional sem a qual não ficam asseguradas a autonomia e a independência da distribuição de energia eléctrica no nosso país.

O mais estranho, neste já estranho negócio é a constatação que a REN foi vendida sob o pretexto de retirar este sector económico do âmbito estatal. Ora as empresas chinesas e árabes são de capitais estatais, embora estrangeiros. Gato escondido com rabo de fora. Quem tenta mentir no meio disto tudo?

Estou plenamente convencido e comigo muitos portugueses que estas “privatizações” visam apenas destruir o sector empresarial do Estado e entregá-lo à iniciativa privada, de acordo com as teorias neo-liberais que a direita nacional e internacional vem defendendo da forma mais radical e que procura implementar “custe o que custar”.

O ministro Gaspar declarou-se, em inglês, muito satisfeito com este negócio. Pelos vistos só lhe interessam os encaixes económicos imediatos. Como ficará o país a médio prazo ?

Simultaneamente surgiu na imprensa um texto subscrito por algumas personalidades que se parecia muito com um manifesto favorável à energia nuclear. Alguns subscritores como Mira Amaral, Patrick Monteiro de Barros e Pedro Ferraz da Costa já não é a primeira vez que tentam lançar mais este ruinoso negócio em Portugal . Os argumentos utilizados continuam a ser pobres e pouco sérios, embora seja prudente manter tal possibilidade sob vigilância dada a perigosidade que sabemos comportar.

Entretanto veio a público o aumento da taxa de desemprego que ultrapassa já os 14%, sendo de cerca de 35% o desemprego entre os jovens. Destes muitos são licenciados, pois esta é a geração mais qualificada que o país já teve, até agora.

O governo, representado pelo super-ministro Miguel Relvas e por alguns secretários de estado promoveu uma reunião da concertação social para discutir formas de criação de emprego para estes jovens. Sabe-se que não foram avançadas quaisquer propostas, no entanto um “número” para a comunicação social, em tempos de troyca fica sempre bem. Mostra que o assunto “preocupa seriamente “ o governo.

Posteriormente o ministro da economia falou em contratar empresas privadas, eventualmente as empresas de trabalho temporário, para conseguir a colocação de jovens trabalhadores, função que compete aos centros de emprego.

O Bloco de Esquerda apresentou há algumas semanas uma proposta de criação de um Banco Público de Terras que permitisse colocar as terras abandonadas a produzir. Esta produção deveria contribuir para a diminuição das importações de bens alimentares, e, igualmente, permitir o emprego a jovens agricultores ou a candidatos sem terras. Não se destina a entregar terras a empresas estrangeiras para produzir flores e para empregar trabalhadores coreanos.

O movimento contra a extinção de freguesias tem vindo a alargar-se, bem como a exigência da realização de referendos locais. Tal fenómeno, serve para demonstrar que as populações esperam ter uma voz neste assunto.

As intervenções do ministro anti-regionalização, Miguel Relvas tudo fazem para criar esquemas paralelos que impeçam a concretização da regionalização. Agora são as integrações que preconiza para a Área Metropolitana do Porto que nada têm a ver com a realidade social, histórica e politica desta área.

O governo e os partidos que o sustentam têm que se convencer que por mais arrogância que use quando se refere aos cidadãos e às suas organizações como o têm feito na Assembleia da República ou em entrevistas, as pessoas ainda não se consideram completamente derrotadas e vão mostrando o seu descontentamento face à ineficácia governamental.

A austeridade tem sido utilizada, em Portugal, como instrumento estratégico de poder sobre os cidadãos com mais dificuldades, a exemplo do que a grande finança procura fazer, a nível internacional, em relação aos países mais endividados.


A resposta popular deverá ser, intransigentemente, de mais e melhor democracia


José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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