16 February 2012

INFORMAÇÃO É PODER


Cada vez temos mais dificuldades em entender qual a opção política que responsabiliza este governo, se a decorrente dos discursos do primeiro-ministro, se das enigmáticas orações do ministro das finanças ou se das sibilinas tiradas de Miguel Relvas.

Refiro-me, entre outras coisas, à questão do processo de pagamento da divida externa , aos seus prazos e à questão da necessidade de a renegociar.

Por outro lado, as declarações do Presidente da Republica contribuem para aumentar esta confusão. Enfim, talvez a finalidade seja mesmo essa, confundir os portugueses facilitando a aceitação passiva de todos os malefícios perpetrados em nome da famigerada divida de que se continua a desconhecer o real valor, os promotores e os credores, mas que os beneficiários, já sabemos nós, são os grandes banqueiros e as entidades especuladoras, sem rosto e sem pátria.

Também os contraditórios discursos do presidente alemão, do seu ministro das finanças e do presidente do Parlamento Europeu, eivados de certa arrogância, demonstram bem a realidade do que é hoje a União Europeia. Os alemães dão ordens, Sarkozy apoia e a Europa obedece.

O que se está a passar com a Grécia é sintomático da forma como funciona a U.E.. Todo um povo sacrificado à voracidade do lucro dos bancos germânicos que antes tinham emprestado dinheiro para a Grécia adquirir produtos alemães. A mesma Alemanha que se fez “esquecida” de pagar à Grécia indemnizações compensatórias pela ocupação e pelas atrocidades cometidas durante a 2ª guerra mundial.

No nosso caso, vemos a desfaçatez com que alguns dos responsáveis pela situação actual das finanças se apresentam a dar piedosas lições sobre a necessidade do sacrifício de todos “pelo bem comum”.

Estou a a referir-me a Paulo Portas e à sua compra de submarinos, curiosamente à Alemanha e de cujo negócio, envolvido em estranhos processos judiciais referentes a possíveis corrupções e não liquidação de contrapartidas, ainda se encontra em aberto.

Mais estranha é a forma silenciosa como os escândalos envolvendo e seu partido passam na comunicação social.

É o que se costuma chamar de públicas virtudes, vícios privados.

Outra questão sem resposta é o “grande negócio” feito à volta do BPN. O Estado investe 600 milhões de euros no banco e vende-o por 40 milhões. O que se esconde por detrás disto?

Do BPP já nem sequer se ouve falar.

Os novos accionistas das recém vendidas EDP e REN ( as empresas Three Gorges, Stat Grid e Oman Oil) vão receber 140 milhões referentes aos dividendos de 2011, embora qualquer delas só tenha adquirido as suas participações em 2012. É a continuação do regabofe de que o povo português continua a ser chamado a pagar.

Não é possível continuar a pagar à especulação financeira juros incomportáveis que acrescentam mais divida por cada dia que passa. O único reajustamento do programa da troika de que necessitamos é de correr com os agiotas.

A economia portuguesa precisa de coragem, de capacidade de romper com o cerco da troika e de recuperar as prioridades de uma economia ao serviço das pessoas, mas isto não poderá ser feito por este governo.

A economia tem de dar prioridade à produção nacional, à recuperação da agricultura, da agropecuária , das pescas e das industrias do mar.

A substituição dos produtos alimentares que hoje importamos, é um contributo enorme para o desenvolvimento e para o desendividamento. Algumas propostas têm sido apresentadas como é o caso do banco público de terras, que permitiria alugar as terras devolutas a quem as quisesse trabalhar. É necessário ter capacidade de as agarrar e de lhes dar viabilidade.

O chamado Plano Estratégico para os Transportes, para além das incongruências propostas para os transportes públicos, tem vindo a anunciar a intenção do governo em alterar o modelo de gestão dos portos marítimos. Eventualmente com a criação de uma holding que geriria todos os portos, directamente de Lisboa.

Concretamente em relação ao porto de Leixões tal medida afigura-se um completo disparate. Qualquer grande porto na Europa tem uma gestão autónoma o que se compreende dada a especificidade de cada um.

A estrutura portuária de Leixões está em crescimento, em grande parte graças a uma gestão com visão de futuro que colocou Leixões no mapa dos portos da Europa, mesmo em termos de investimento em apetrechamento e modernização.

Entretanto, atendendo a que existe uma tutela governamental, não se entende a necessidade de centralizar a gestão. Interrogo-me se por de trás desta pretensão não existirá a possibilidade de uma privatização destas infra-estruturas tão lucrativas e que por isso mesmo são apetecíveis.

14.02.2012

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

No comments:

Visitas

Contador de visitas