20 January 2012

PROMESSAS …


Uma das principais razões do afastamento e da descrença de muitos cidadãos na “política” e nos “políticos” é o constante incumprimento das promessas, feitas por estes enquanto candidatos e logo esquecidas quando se instalam no poder.

Daí o ouvir-se constantemente as afirmações de que os “políticos são corruptos”, que “são todos iguais” e outras de igual jaez. Tais juízos levantam-me várias considerações.

Em democracia os “políticos” são cidadãos eleitos pelos seus iguais e por isso sempre sujeitos ao escrutínio dos eleitores. Para que tal princípio funcione bem é indispensável que os cidadãos eleitores não virem as costas à política e exerçam uma cidadania activa e fiscalizadora.

Isto para dizer que as promessas eleitorais cheias de boas palavras, mas enganosas, que levaram o actual governo ao poder, nomeadamente as relativas às nomeações de “boys & girls” pela sua cor partidária já se vê que foram logo esquecidas e não estão a ser cumpridas, dado que o governo de direita já nomeou mais “amigos” do que durante a vigência do primeiro governo Sócrates.

Por mais explicações que o primeiro-ministro procure dar para uma tal atitude, nada a pode justificar. Ele que fez desta questão bandeira de luta contra Sócrates e o PS. Existe, de facto, uma preocupação em arranjar empregos para amigos e conhecidos de acordo com a sua filiação no PSD e no CDS.


São estranhíssimas as concepções de democracia dos mais destacados elementos da direita portuguesa, que até nisso seguem de perto a direita europeia.

A Dra. Manuela Ferreira Leite mantém a coerência das suas posições sobre a necessidade de “suspender a democracia” para resolver questões financeiras, ao afirmar em debate televisivo que os doentes com mais de 70 anos deveriam pagar os tratamentos de hemodiálise. O mais interessante destes discursos é as canhestras tentativas posteriores para os corrigir.

A comunicação social continua a ser objecto de notícias. Fátima Lima é a nova presidente executiva da Entidade Reguladora da Comunicação (ERC). Ora esta senhora é mulher de Fernando Lima o assessor do Presidente da República que tem afirmado a necessidade de “domesticar a Comunicação Social” . Esperemos que esta não seja uma tendência de família.

Franquelim Alves, que foi secretário de estado do governo Durão Barroso e um dos administradores da SLN sociedade que controlava o BPN e que se “esqueceu” de avisar o Banco de Portugal quando encontrou fraudes, é o novo gestor do programa COMPETE a quem foram atribuídos 5.500 milhões de euros para incentivos às empresas. Vamos ver como irão ser aplicadas tais verbas.

É que, infelizmente, as medidas do governo, por mais austeras que sejam, não estão a “impressionar” favoravelmente as agências de notação financeira.

Continuamos a não ver a apresentação de medidas, por parte do governo, que visem atenuar o problema do desemprego. As que o ministro Álvaro aponta, como o pagamento de 50% do subsídio de desemprego a quem aceite um salário inferior e outras do género só não são absolutamente ridículas porque se destinam a conseguir trabalho por menos dinheiro, beneficiando apenas os empregadores.

Enquanto não for lançada uma política de desenvolvimento, baseada num modelo de crescimento económico, de criação de emprego e de trabalho qualificado e não nos baixos salários e na precariedade, não haverá solução para a nossa economia.

Nos últimos dias temos ouvido falar na necessidade de criar um mercado de aluguer de habitação porque haverá falta de cerca de setenta mil casas para alugar.

Esta é uma mais do que falsa questão, porque também sabemos que são cerca de setecentas e trinta mil as habitações devolutas em todo o país e que muitas delas estão em mau estado de conservação e necessitam de restauro.

Destas, há um número considerável propriedade de bancos e ainda resultantes das entregas de casas cujos compradores não conseguiram efectuar os pagamentos.

A continuação de construções para habitação só porque o proprietário assim quer, não pode continuar sem provocar um grave risco de insolvência por parte das empresas de construção, que ao não as venderem encerram a empresa e provocam o desemprego dos trabalhadores.

Incentivar a recuperação dos imóveis existentes e a sua colocação no mercado de aluguer, a preços justos e comportáveis, pode ser a solução para a falta de habitações e para a desertificação dos centros das cidades, além de dar emprego aos trabalhadores da construção civil.

A não ser que nada disto tenha interesse e que a única finalidade seja distribuir lugares de nomeação, bem pagos, aos amigos e correligionários. Para estes o estado não congela salários e promoções.

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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