08 January 2012

ESPERANÇA CONTRA O DERROTISMO



Os poderes financeiros sem rosto, instalados com o apoio ideológico do neo-liberalismo multinacional capturaram o poder político. Hoje a democracia tem que se dotar das armas políticas e sociais que lhe permitam lutar vitoriosamente contra tal estado de coisas.
Não é por certo, pactuando com tão insidiosas pretensões que se consegue levar a melhor sobre o pensamento único. Só com uma atitude abrangente, aglutinadora, firme e determinada lograremos ultrapassar esta crise política decorrente do “assalto” neo-liberal às economias dos estados.
Só uma cidadania mais interveniente e determinada ajudará a ultrapassar o individualismo selvagem que está na base da ideologia neo-liberal. Esta é a esperança que pode alterar a situação.
A fragilidade política dos dirigentes europeus tem impedido a Europa de se dotar dos meios para impedir o permanente desgaste das economias nacionais, tal atitude visa obrigar os países a recorrer às “ajudas” financeiras que constituem autêntica agiotagem por parte das entidades bancárias. Se a solidariedade entre estados parece ser letra morta, é imperativo e urgente implementar novas formas de solidariedade entre os trabalhadores de todo o mundo, por direitos e condições de vida dignas para todos.
O que se passou na Irlanda, na Grécia e em Portugal e que agora se começa a estender à Espanha e à Itália é a prova de que, independentemente das capacidades económicas de cada país, as instâncias financeiras multinacionais, utilizando as agências de notação financeira como “tropa de choque”, conseguem conspirar para levar os estados à necessidade de recorrer aos empréstimos.
No nosso país, o governo de direita tem servido fielmente os interesses preconizados pelos neo-liberais, visando a recapitalização da banca à custa dos salários dos trabalhadores, das pensões de reforma e dos cortes cegos das contribuições sociais, na precarização cada vez maior das relações de trabalho, a par da destruição de tudo o que se assemelhe a estado social.
A absoluta secundarização do crescimento económico, da criação de emprego e da manutenção de uma qualidade de vida digna dos povos tem em vista a perpetuação da situação de dependência dos empréstimos externos, a juros exorbitantes.
Tanto faz o presidente da Republica na sua mensagem de fim de ano apelar à criação de uma agenda de crescimento económico como não dizer nada, porque as “ordens” que o governo tem são para empobrecer o mais possível o país e será isso que tentarão fazer. Do mesmo modo que não se compreende que o presidente da Republica apoie políticas de recessão ao mesmo tempo que diz que é preciso cuidado porque a recessão vem aí.
Uma das finalidades desta política é colocar à venda a preço de saldo os activos mais interessantes que ainda restem, a exemplo do que aconteceu com a parte que o estado detinha na EDP. Destes deploráveis negócios, a coberto dos acordos com a “troyca” , dizem-nos que procuram retirar o estado dos capitais das empresas. Estranhamente 37,4% do capital da EDP é detido por empresas públicas, só que estrangeiras. Em que ficamos o capital não deve ser público ou o que interessa é vender a preço de saldo o que resta?
Entretanto continuamos com medidas que facilitam o despedimento para contento de senhores como António Pinto Leite, presidente da Associação Cristã de empresários e gestores e antigo vice-presidente do PSD, que defende um alargamento ainda maior do leque de motivos legais de despedimento e de redução salarial. Tais medidas, diz este senhor, destinam-se a tirar muitos portugueses da sua “zona de conforto”.


Todos sabemos que os gestores em Portugal são dos mais bem pagos de toda a Europa, não havendo, para eles, preocupações com “zonas de conforto” quando abandonam um emprego têm logo outro à espera, recebendo escandalosas indemnizações de cada vez que mudam.
Isto quando sabemos que os despedimentos colectivos aumentaram no ano de 2011 mais de 53% face aos números de 2010.
Decididamente aos trabalhadores e às suas organizações só resta uma arena para lutar pelos seus direitos que é a rua. A ela teremos que recorrer as vezes necessárias, sem nos deixarmos intimidar e sem aceitar o pensamento único e a inevitabilidade com que nos pretendem amordaçar.

2.01.2012
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda


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