17 December 2011

AUSTERIDADE E DEMOCRACIA




O Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2012 foi aprovado, com erro de 300 milhões e os votos favoráveis dos partidos do governo e os votos contra de toda a esquerda e com a abstenção “violenta” por parte do grupo parlamentar do PS.

Este é o orçamento mais recessivo que alguma vez foi aprovado em democracia, no nosso país.

O secretário-geral do PS propunha-se, até, votar favoravelmente o OGE, mas foi a tomada de posição de alguns deputados e de inúmeros militantes que o impediu de cometer tal erro político. No entanto, a sua atitude “responsável” mereceu rasgados elogios por parte do primeiro-ministro. Tudo isto apesar de Seguro acusar Coelho de só anunciar “pesadelos” aos portugueses.

Já depois da aprovação do OGE, Pedro Passos Coelho veio afirmar que não põe de parte a possibilidade de, em 2012, serem necessárias mais medidas de austeridade.

Com tantas medidas de austeridade e a consequente quebra do crescimento económico, que já ultrapassa os 3% de recessão, não se entende como será possível cumprir, sequer, com os juros da divida.

Quando irá acabar esta politica de autêntico esbulho?


Continuamos à espera de saber qual o real valor da divida externa, pública e privada e de saber quem a contraiu.

Tal conhecimento só será possível quando a divida for objecto de uma credível e completa auditoria. Caso contrário estaremos sujeitos a permanentes desculpas para ir escavando cada vez mais fundo nos bolsos dos que ainda têm trabalho e daqueles que estão reformados e toda a vida descontaram para a sua pensão de reforma , que sentem está a ser roubada.

As medidas anunciadas são extraordinariamente gravosas: na saúde, os escandalosos aumentos das “taxas moderadores” e cortes na prestação de serviços; nos transportes, com o aumento dos preços e a diminuição e até extinção de carreiras; no ensino despedindo professores, cortando nas despesas ; mas também , o corte drástico em todas as prestações sociais.

Os impostos, por exemplo o IVA, que durante a campanha eleitoral estes governantes davam como intocáveis, alcançam taxas intoleráveis e promotoras de mais desemprego, como é certo vir a acontecer na industria da restauração e hotelaria.

As fantasias encenadas pelo governo após a tomada de posse com ministros a deslocar-se de motorizada pertencem ao passado. Agora já utilizam automóveis de topo de gama.

Entretanto há “negócios” nebulosos que ficam sem explicação, por exemplo, as contrapartidas referentes à ruinosa compra de submarinos e de carros de combate Pandur. As compras a ser efectuadas em Portugal pelos países vendedores dessa sucata de guerra que não se sabe onde param. Quem é responsável por tão benéficas negociatas?

A pouco e pouco vai caindo o véu que estava a ser lançado sobre os “graves incidentes” da greve geral em frente à Assembleia da República. Afinal, sempre havia policias à civil a instigar ao derrube das grades e, posteriormente, a espancar os jovens mais próximos.

O senhor ministro das policias, Miguel Macedo, perdeu uma óptima ocasião para estar calado, quando afirmou que a policia teve uma “actuação ponderada, sensata e competente”.

O senhor director da PSP podia e devia tentar ser mais pedagógico do que foi ao afirmar que se a policia tem cacetetes e armas são para ser usadas.

Estes senhores esqueceram que, embora possam controlar o que as televisões mostram e alguns jornais dizem, hoje há meios de comunicação paralelos que vão veiculando uma informação sem “filtragens”.

Neste momento é já perfeitamente clara a intenção do “directório” auto-instalado na União Europeia da Alemanha e da França, em destruir as instituições criadas nos últimos anos e a impor uma nova orgânica aos povos com mais dificuldades financeiras. É a aplicação do princípio tão caro a alguns dirigentes do PSD que “quem paga, manda”.

Infelizmente até o enunciado deste princípio está errado, porque quem paga somos nós e quem manda é o eixo Berlim/Paris.

Preparam uma Europa a três velocidades: a Europa dos países ricos, a Europa dos países com problemas financeiros e a Europa dos países que não estando no Euro, se mantêm na U.E..

Embora este novo programa implique uma profunda alteração do tratado europeu, o eixo Berlim/Paris não recua perante “pequenas questões de democracia” e vai tomando as decisões que entende.

Começa a desenhar-se alguma contestação em governos europeus a esta direcção bicéfala. O governo português, como bom aluno, mantém-se ao lado de Merkel e Sarkosy.

Só aos povos cabe decidir livremente do seu futuro, diz-nos a história. Todos aqueles que quiseram governar servindo-se do nome do “povo” provocaram grandes tragédias.

5.12.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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