18 December 2011

AS ILUSÕES DA CIMEIRA DE BRUXELAS


Aqueles que pensaram que a Cimeira de Dezembro da união europeia iria trazer alguma novidade à resistência das economias europeias, ao violento assalto que as entidades financeiras implacavelmente, lhes movem, estavam muito iludidos e mais uma vez se enganaram .

Para que tal resistência acontecesse era necessário que os dirigentes políticos da Europa tivessem a estatura democrática, que já se viu, não possuem.

As estruturas da união europeia, em vez de criarem condições que impeçam a prossecução das malfeitorias dos ominosos “mercados”, colocando a politica a comandar a economia e não o contrário como agora acontece, submetem-se e apoiam a destruição das democracias.

As agências de notação financeira, ao serviço dos especuladores , não cessam de agravar as condições dos juros dos empréstimos, dado que é mesmo disso que engordam.

Merkel e Sarkozy, bem como os burocratas não eleitos que controlam efectivamente os estados, olham o povo como pagador de impostos e esquecem o facto de que é nesse mesmo povo que reside o poder e não nos especuladores financeiros. Como sempre acontece mais cedo do que tarde tudo virá ao de cima.

As alterações propostas em Bruxelas, perante a anuência da maioria dos dirigentes europeus, visam mais controlar as instituições democráticas de cada país do que alterar os pressupostos da crise.

Desta cimeira ressaltaram as penalizações automáticas, as alterações às constituições como forma de apertar, ainda mais, a “coleira” imposta pelos juros agiotas que enriquecem os bancos, nomeadamente alemães, à custa da “ajuda” que prestam aos países que se endividaram com as compras estapafúrdias que fizeram à Alemanha, entre as quais os tão úteis submarinos.

As medidas que o eixo franco/germânico exige são tanto mais estranhas quando estes dois países foram dos primeiros a não cumprir com as metas traçadas. Parece que muitas dessas medidas se destinam a ir contentando os eleitorados nacionais dos respectivos países, dado que as perspectivas eleitorais não se apresentam muito brilhantes para estes senhores.

O governo português, fiel seguidor do “diktat” alemão foi incapaz de manifestar quaisquer ideias autónomas e um mínimo de independência face a tais exigências.

No nosso país foi aprovado o orçamento geral do estado que , pelo que agora se vai sabendo, sempre tinha uma “almofada” de fundos, contrariamente ao que o primeiro ministro, anteriormente, afirmou.

As medidas profundamente recessivas, de corte nos subsídios de férias e natal, que irão contribuir para enterrar a economia , afinal não eram tão fundamentais como a propaganda governamental quis fazer crer. Até hoje não foi avançada qualquer medida visando o crescimento económico.

Na continuação da politica de esbulho dos rendimentos do trabalho, o governo aprovou o aumento grátis, de meia hora de trabalho diário no horário de cada trabalhador, com a prerrogativa, de os patrões as poderem acumular em dia que mais lhes interesse.

Entretanto a eminência parda deste governo, o ministro Relvas foi vaiado no congresso da Anafre, onde tentou defender o indefensável, a proposta de reforma da administração local. O texto que foi apresentado não tem outra validade para além de ter desencadeado um debate nacional sobre a questão. É por demais evidente a falta de qualidade do texto e a sua desadequação à realidade autárquica do nosso país.

À saída do congresso , o ministro Relvas ao melhor jeito de antigamente afirmou que a contestação verificada tinha sido “encomendada”. Estes governantes, como se limitam a transmitir as ordens que lhes são dadas de fora, consideram que todos funcionam da mesma maneira, sendo incapazes de pensar pela própria cabeça.

Um facto muito estranho que foi noticiado nos jornais tem a ver com a transferência pela Caixa Geral de Depósitos, o banco público, da sua representação no offshore da Madeira par o offshore das ilhas Cayman. Quando o sector bancário do estado procura paraísos fiscais, o que se pode esperar dos “pobres capitalistas”!

Todos estamos lembrados do PSD e do CDS, quando na oposição, contestarem aquilo a que se costuma chamar os “jobs for the boys”, que o PS atribuía aos seus militantes. Tal como noutros campos, tal contestação já foi esquecida e vemos agora o PSD e o CDS a partilhar os lugares na administração da saúde entre os seus “boys”.

Calculo que com os aumentos escandalosos das consultas hospitalares e das “taxas moderadoras” a colocação de “boys” na administração de saúde deve facilitar a destruição do SNS.

Diz a OCDE que Portugal tem o maior fosso entre os mais ricos e os mais pobres, o que confirma aquilo que alguns de nós têm dito.

Convém que nos recordemos destas realidades, para que não sejamos levadas a cometer sempre os mesmos erros, apesar de ser costume afirmar-se que a memória do povo é curta.

12.12.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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