18 November 2011

SÓ A LUTA VENCE O ABUSO



O violento assalto desencadeado pelos chamados “mercados” contra a economia dos países com problemas financeiros, não pode ficar sem uma resposta incisiva e firme por parte dos cidadãos mais atingidos, os trabalhadores, os reformados, os desempregados, os falsos recibos verdes , os pensionistas e os jovens.

Os cortes efectuados nos salários, nas pensões de reforma, nas prestações sociais e também na educação, saúde, transportes públicos, estão em linha com as afirmações governamentais acerca da necessidade de empobrecer os portugueses empobrecerem para cumprir as “tarefas” determinadas pela “troika”.

As medidas de austeridade com que os eurocratas e o FMI afirmam procurar debelar a crise que assola a Europa, constitui um ataque à democracia que deveria ser s base e orientar a convivência comunitária. Com estas medidas a única garantia que há é a de aumentar a recessão.

Basta verificar as “individualidades” que foram indigitadas para os governos da Grécia e da Itália, como primeiro ministro, respectivamente Lukas Papademos e Mário Monti , que são muito próximos das instituições financeiras europeias, assegurando assim um maior controle por parte destas entidades financeiras credoras e que tem pouco a ver com o que pensamos que é a democracia. Bruxelas transformou-se numa máquina de construção do consenso neo-liberal. É clara a sobreposição da economia face à política.

Os sacrifícios exigidos aos trabalhadores e ao povo português não têm tido correspondência legislativa em relação às grandes fortunas, às transferências de fundos para os paraísos fiscais ou mesmo relativamente aos principescos salários auferidos pelos gestores das empresas públicas.


As movimentações sociais a que estas medidas tem dado origem são absolutamente legitimas e demonstram claramente a vontade dos portugueses em não deixar destruir o que resta do tecido produtivo do país e de transformar Portugal num exportador de mão de obra barata como acontecia nos anos de 60 e 70 do século passado, e parece ser a pretensão deste governo claramente.

As afirmações falaciosas dos ministros acerca do facto de na Europa os trabalhadores apenas receberem 12 salários anuais é a tentativa de fazer comparações descontextualizadas com realidades absolutamente diferentes. Do que estes senhores nunca falam é da diferença abismal entre o valor dos salários na Europa e em Portugal. Não é honesto comparar realidades tão distantes e diferentes.

Continuamos a ouvir “opiniões” acerca de termos vivido acima das nossas possibilidades. Mas, mais uma vez só vemos a árvore e não a floresta. Acaso foram os trabalhadores, os pensionistas ou até os pequenos agricultores, comerciantes e industriais ? Por acaso não foram os banqueiros, os especuladores e alguns políticos corruptos, que parecem continuar a gozar de impunidade.

Os governantes, telecomandados pelos endeusados “mercados” reiteram as suas enormes preocupações em recapitalizar a banca à custa do erário público através dos “empréstimos” que terão de ser pagos pelos cidadãos.

Entretanto os banqueiros preparam-se para receber as verbas do estado e exigem fazer com elas o que muito bem quiserem, sem dar satisfações a ninguém.

Ao mesmo tempo continuamos sem ver o governo tomar medidas contra os enormes débitos à banca, privada e pública , daqueles que os utilizaram a seu favor, com a conivência dos banqueiros, para transferir enormes verbas para os “offshores” e que os usaram em negócios mais do que escuros. São muitos milhões de euros e é disto mesmo que a imprensa e os senhores que vendem “doutas opiniões” se esquece de falar

Mas aqueles continuam a não ser tocados pelos “sacrifícios” que todos os dias o presidente da republica e os ministros dizem ser indispensáveis aos portugueses.

O aumento do desemprego, a perda de salários e precariedade laboral são algumas das situações que estão a lançar cada vez mais pessoas para a pobreza, numa amplitude de que não há memória.

Por todas estas razões, a resposta de protesto que as centrais sindicais e outras organizações dos trabalhadores preparam é uma Greve Geral n o próximo dia 24 de Novembro. Constitui um sinal importante da vontade e capacidade de luta do nosso povo em se opor à destruição de tudo o que foi conquistado após 1974. É um sinal que serve para dizer basta de serem sempre os memos a pagar tudo.

Nas empresas e nas ruas temos de ser absolutamente firmes na resposta.

Neste momento é já a democracia que começa a ser posta em causa.

14.11.2011

José Joaquim ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda


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