30 November 2011

LUTAR PELA DEMOCRACIA



A Greve Geral do passado dia 24 provou pelo elevado nível de participação e pela mobilização social que suscitou, que os portugueses não estão tão anestesiados como os neo-liberais e o seu governo gostariam.

As “contas” apresentadas pelo governo e pelos seus “megafones” na comunicação social são, no mínimo, ridículas. Todos nos apercebemos que a greve teve uma adesão muito superior aos 10,6% “referenciados” pelo governo.

Igualmente ridículas são as noticias amplificadas de “graves ocorrências” frente à Assembleia da Republica e em duas repartições de finanças, noticiadas em grandes parangonas por alguns órgão de comunicação social que envergonham a imprensa independente e livre. Os telejornais não mostraram os “civis” infiltrados que provocaram o tumulto, nem os “civis” que tentaram impedir os filmes e as fotos dos espancamentos. Ficam as “verdades” dos ministros que valem tanto como as informações que deram sobre os números da adesão à greve.


Aliás estes “gravíssimos acontecimentos” trazem à memória a “insurreição” com pregos e com palitos nas fechaduras, dos anos 90, inventada por Ângelo Correia, curiosamente o mentor do actual primeiro-ministro.

Interessantes, mas esquecidas pela mesma comunicação social, foram as tomadas de posição e manifestações de solidariedade com a greve geral portuguesa, por parte de sindicatos da Galiza, do País Basco, de trabalhadores galeses e de muitos partidos de esquerda de toda a Europa.

Se a opressão exercida pelo capital financeiro não conhece fronteiras, a resposta dos trabalhadores e dos povos tem de ser organizada à escala internacional .

A Europa continua a não ser capaz de tomar medidas coerentes para impedir o trabalho de destruição do euro e até da democracia europeia, por parte dos lacaios de Goldman Sachs e outros quejandos.

O imperador da antiga Pérsia, para controlar o seu gigantesco império nomeava governadores a que chamava sátrapas e eles eram os seus olhos e os seus ouvidos .

Os “mercados”, o que quer que isso seja, visando um controle absoluto sobre os diferentes países também nomeia sátrapas para governar em seu nome e proveito, os povos sobre quem pretende exercer o seu “império” . Foram os casos recentes da Grécia e da Itália. Em Portugal “designaram” os ministros Gaspar e Álvaro para controlar o governo eleito.

Na Europa vive-se uma perigosa deriva da democracia, para além do assalto da união europeia realizado pela Merkel e pelo Sarkozy, sem o mínimo respeito pelos restantes dirigentes e pelos cidadãos dos diferentes países, assistimos à substituição dos governos eleitos por governos de “técnicos” sempre ligados ao FMI e ao BCE, para facilitar a divisão da Europa a “duas velocidades”.

A luta contra o esbulho económico e contra o poder das entidades financeiras sem rosto é, neste momento uma luta pela democracia.

Os ataques à democracia não se ficam pelas “façanhas” europeias do eixo Paris/Berlim os pelas “nomeações” de governantes fieis aos “mercados”. Também em Portugal, a coberto do acordo com a “troika” estamos assistir a um ataque à democracia sob a forma da restrição da representatividade das populações nos órgãos do estado mais próximos destas, as autarquias locais.

Para o CDS, partido do governo que parece nada ter a ver com a situação de crise, tirando uma “pequenas despesas” com submarinos, aqueles que não estão de acordo com o cercear da democracia , não passam de “gentalha de esquerda” no dizer do seu coordenador autárquico.

A grande “reforma da administração local” , proposta pelo super-ministro Relvas, que, curiosamente não toca sequer na palavra regionalização, propõe-se adoptar uma formulação autárquica muito menos representativa e por isso menos democrática. Como o “ livro verde” prevê um período, bastante curto para a discussão pública, apelo aos cidadãos portugueses para que não se alheiem desta e possam dar as suas opiniões. Só com uma maior participação se pode impedir que venham a ser cometidos erros grosseiros que distorçam a democracia local.

A liberdade de imprensa constitui uma das bandeiras de luta de todos os democratas .Constato que em Portugal alguma imprensa tem vindo a servir valores que não são os de mais democracia. Falsas investigações são apresentadas como verdades visando destruir a reputação de pessoas que possam causar perturbações na paz podre em que vivemos. É o caso do jornal Expresso que publicou, na primeira página uma falsa notícia sobre o deputado à Assembleia da Republica Dr. João Semedo. Será que isto tem a ver com a actuação deste deputado nas denuncias dos jogos de gabinete sobre a saúde e os envolvimentos financeiros na mesma ? Será que o jornal, em nome da verdade que sempre disse defender, reconhece, também na primeira página, o seu erro, em nome da dignidade do visado e da história do jornal?

Todas as lutas, neste momento, são lutas pela democracia.

29.11.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Deputado à assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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