30 November 2011

AS CONTRADIÇÕES ESTÃO NA MODA


As entidades que prestam “ajuda” às finanças portuguesas, a troco de juros absolutamente agiotas deram aval às medidas tomadas pelo “seu” governo para Portugal.

Por cá os defensores do neo-liberalismo, a nova denominação do capitalismo selvagem continuam a ser bons alunos. Mesmo assim ainda consideram ser necessário cavar mais fundo nos bolsos dos trabalhadores e do povo português, cortar mais nos salários, nas prestações sociais e nas pensões de reforma.

Vamos a ver como corresponde este governo aos desideratos da “troika” , ele que parece governar apenas para agradar aos senhores dos “mercados”.

Entretanto os indicadores da economia continuam em queda acentuada, no que são seguidos pelos indicadores do consumo, fazendo facilmente prever um descalabro económico.

Como consequência a recessão tem vindo a agravar-se nos últimos três trimestres. Muitos interrogam-se como é possível manter a economia a funcionar e cumprir com as obrigações da divida .

A preocupação transmitida pela “troika” ao governo é a da necessidade de recapitalizar a banca, sem se interessar minimamente com o investimento publico que poderia incentivar a economia.

Há dias o presidente da Republica, em visita pelos Estados Unidos, foi visitar o Memorial Roosevelt, que lembra as medidas tomadas por este presidente para ultrapassar a depressão económica dos anos 30. Foram estas medidas a que ele chamou de “new deal”, que constituíram um forte investimento público, para relançar o investimento e incentivar o consumo que se encontravam de rastos com a quebra da bolsa em 1929.

Em Portugal e na Europa o que se passa hoje é exactamente o contrário, nada de investimento público, o que interessa é salvar a banca, causadora da actual crise. Como não há investimento privado, a economia só pode continuar a cair.

Bem sabemos que ao longo dos anos houve opções erradas em relação à utilização dos fundos que a união europeia colocou à disposição do país. Uma dessas escolhas erradas foi o de optar pela especulação de terrenos para construção de habitações para venda o que provocou o endividamento das famílias em limites insuportáveis.

Também em Matosinhos, essa opção pela construção levou a que hoje existam mais de 10% de alojamentos desocupados.

As grandes negociatas com a saúde começam a vir a lume, com as propostas de fusão de hospitais, transferências de profissionais e com a passagem de todos os estabelecimentos hospitalares públicos para o sistema de entidades públicas empresariais. É a primeira pedra para a privatização dos cuidados de saúde. As parcerias publico-privadas mantêm-se e aprofundam-se.

A sanha privatizadora e destruidora de tudo o que tiver carácter público virou-se agora para a comunicação social. Um grupo capitaneado pelo inefável economista João Duque deitou mãos ao trabalho e propõe-se acabar com a RTP como sistema público de televisão, a pretexto de que esta é manipulada pelos governos. Estranha conclusão tirada agora por estes senhores, que propõem um canal de televisão com informação “filtrada” pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Parece que já vimos este filme, no passadso anterior à democracia. A televisão pública necessita de uma grande reforma, nomeadamente nos salários principescos auferidos por alguns “colaboradores”, mas isso não significa que não seja indispensável à democracia e à cultura do país.

Entretanto a austeridade não se estende à Madeira. Alberto João Jardim propõe-se gastar mais de oito milhões de euros nas festividades de Natal e Ano Novo, com iluminações e fogo de artificio, e ainda mais, a empresa “brindada” com tal encargo pertence a um ex deputado local do PSD. Fica tudo em família.

Basta ler os jornais diários para constatar que os partidos que integram o actual governo tem um acervo de individualidades acima de qualquer suspeita.

Como forma de minimizar os custos sociais da crise o governo apresenta medidas assistencialistas, de tipo esmolar, cortando o mais possível nas prestações sociais que poderiam, no momento, ser a forma mais digna de apoiar aqueles que menos contribuíram para a situação. Mitigar o Rendimento Social de Inserção é uma maneira de aumentar a miséria e a dependência de muitos portugueses.

No dia em que se fecha a edição do Jornal de Matosinhos está a começar a Greve Geral convocada pelas duas centrais sindicais. Esta importante luta dos trabalhadores portugueses merecerá a minha atenção no próximo texto.

Estranhamente foi convocada uma reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Matosinhos, com maioria absoluta do PS, coincidindo precisamente no dia da Greve Geral, o que constitui uma violação do direito dos respectivos trabalhadores a poderem participar na greve.

22.11.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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