10 November 2011

AGORA SÃO OS TRANSPORTES

O actual governo tem vindo a desenvolver uma estratégia, no mínimo estranha, para testar as ideias que preconiza. Faz constar que irá propor determinadas resoluções para “apalpar terreno” e quando estas recebem muita contestação, recua e vem dizer que apenas de trata de “ propostas de trabalho”.

Foi o que aconteceu com as recentes e inaceitáveis propostas de diminuição do número de carreiras e de alteração de horários nos transportes públicos de Lisboa e Porto.

Em todos os países, nomeadamente europeus, se tem vindo a incentivar o uso de transportes públicos, alargando a oferta dos mesmos em alternativa ao uso do transporte privado.

O governo do PSD/CDS, pelo contrário, tenta cortar na oferta de transportes públicos e assim ajudar a promover o uso do automóvel particular.

Tão “inteligente” medida é apresentada como mais uma tentativa de corte nas despesas públicas, mais uma vez à custa dos cidadãos com menor poder económico.

Outra falácia deste governo é o pretender que os transportes públicos sejam economicamente sustentáveis por via dos utilizadores. Esta situação não acontece em país nenhum da Europa. Os transportes públicos são um serviço que o estado presta aos cidadãos o que implica ser subsidiado no valor que os custos de operação ultrapassam o pagamento dos utentes.

Esta posição do governo de direita é secundada por alguns dirigentes do PS, até no nosso concelho.

Acontece que este diferencial entre o custo de operação e o pagamento pelos utentes é inferior no nosso país ao que acontece em outros países da Europa.

As despesas com as administrações, essas sim, são claramente superiores, com duplicações de salários e outras mordomias que vão sendo conhecidas.

É na racionalização dos custos que o estado deve intervir, cortando nas despesas supérfluas e mantendo ou até melhorando os serviços.

Não é limitando a oferta de transportes públicos, criando ainda mais problemas à circulação dos cidadãos, que se contribui para aumentar a produção ou para criar desenvolvimento.

Continuamos a não ver medidas conducentes a rever os “negócios” com as parcerias publico-privadas, cujos ruinosos contratos oneram fortemente o erário público, mas vemos a preocupação em rever o código de contratação pública que defende os interesses das construtoras.

Igualmente assistimos à publicação do despacho sobre a tributação de dividendos em que são consignadas isenções perfeitamente imorais, num momento em que tanto se fala de equidade nos sacrifícios pedidos.

O orçamento geral do estado para 2012, embora tenha chocado o secretário geral do PS, irá merecer a abstenção da direcção daquele partido, mas ao que julgamos saber, não merecerá igual aceitação por parte de muitos militantes socialistas, a quem as politicas recessivas têm prejudicado.

A infeliz, para não dizer criminosa, afirmação do secretário de estado da juventude e desportos Alexandre Mestre, convidando os jovens portugueses com problemas de desemprego a “ sair da zona de conforto” e a ir “ para além das nossas fronteiras”, denota bem a consideração que estes governantes tem pelos jovens , que servem muito bem como mão de obra para exportação, mesmo que a sua formação tenha ficado bem cara aos bolsos das respectivas famílias e do estado. E assim se vão delapidando as possibilidades de o país se modernizar e de sair da crise.

A única preocupação do governo português, como bom aluno e seguidor dos ditames do neo-liberalismo é a recapitalização dos bancos mesmo que à custa do empobrecimento geral das populações.

Embora tenham vindo a ser apresentadas propostas alternativas aos cortes de subsídios como a possibilidade de um imposto sobre os patrimónios de luxo, a estas propostas os respectivos ministros não dão respostas. Não é esse o seu propósito.

A burocracia de Bruxelas, que comanda a União Europeia ao serviço dos financeiros predadores, não mostra qualquer capacidade para resolver a situação financeira.

Ao contrário e sob a férrea batuta dos bancos alemães, procura saquear as economias dos países do sul, por meio dos juros agiotas que cobram pelas “ajudas” que prestam aos países, precisamente para cobrarem as vendas anteriormente feitas.

Os trabalhadores europeus e as suas organizações têm de multiplicar as iniciativas conjuntas, em que se estudem as respostas a estas questões, como a que teve lugar no passado sábado, dia 5, no Porto. Estiveram reunidos diversos elementos do Partido da Esquerda Europeia e debateram publicamente as origens da crise financeira que atingiu a Europa.

8.11.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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