15 October 2011

SAIR DA CRISE


As contradições que se verificam entre o que afirma o presidente da republica e o que dizem os membros do governo, uns sobre a necessidade de mais austeridade e o outro de crescimento económico, dizem bem do desnorte que campeia nos meios da direita portuguesa.

Efectivamente, não é com mais e mais medidas de austeridade que se consegue sair do ciclo de crise para que o país foi atirado.

Não será com cortes sobre cortes na economia que se promove crescimento económico que permita, não só manter um nível de vida minimamente aceitável, como cumprir com as responsabilidades contraídas com o pagamento da divida externa.

No nosso país, como aliás em toda a Europa são necessárias medidas mais consequentes de crescimento económico e menos finanças.

É imprescindível a criação de condições visando aumentar a produção, procurando substituir as importações e criando emprego. Isto é exactamente o contrário do que foi defendido durante o consulado de Cavaco Silva, em nome do “progresso e da modernidade”, tempo em que os fundos europeus foram utilizados para comprar na Europa, o que deixamos de produzir.

Foi durante esse período que se promoveu a destruição do tecido produtivo industrial, da agricultura e das pescas. O endividamento particular foi, igualmente, incentivado. Todos se recordam das ofertas de créditos bancários para comprar tudo e mais alguma coisa, assim como das obsessivas ofertas de cartões de crédito sem o mínimo critério de atribuição.

Muitos de nós têm consciência que é possível cortar nas despesas supérfluas que subsistem nos encargos do estado, medidas que tragam racionalização de gastos, como a renegociação de contratos prejudiciais ao erário público. O que não é mais possível é a continuação de obras megalómanas de tipo novo-riquismo pacóvio e de duvidosa utilidade, como o foram os estádios de futebol , a duplicação de auto-estradas, a compra de submarinos .

De momento assistimos à preocupação dos ministros em promover cortes c egos na educação, na saúde, nas prestações sociais, sem qualquer sensibilidade social e com a manifesta vontade de obedecer aos ditames da “troika” e aos interesses da especulação financeira.

Não são apresentadas propostas concretas que visem a melhoria das condições de vida do nosso povo, de aumentar o emprego em actividades produtoras de riqueza e não apenas por via do chamado auto-emprego que apenas se destina a suprir dificuldades individuais e momentâneas, mas que pouco contribuem para a economia nacional.

Nós portugueses estamos sujeitos a ter de adquirir ao estrangeiro até uma parte substancial dos produtos alimentares de que necessitamos.

É indispensável incentivar o aumento da produção agrícola, em condições que permitam um nível de vida aceitável para aqueles que decidirem escolhê-la. Criar condições para reactivar uma frota de pesca que permita evitar a compra de peixe aos armadores estrangeiros e em simultâneo conjugar a pesca com a indústria de conservação e distribuição moderna e eficaz.

Apoiar as industrias que produzem para a exportação, mas igualmente também aquelas que produzem para o mercado interno e que podem substituir bens que estamos a importar.

A absoluta incapacidade de planeamento deste governo, que nisso não é muito diferente dos anteriores, leva a que um Plano Estratégico para os transportes fosse apresentado na comunicação social por um elemento do PSD que não integra o governo. Posteriormente o ministro da pasta tentou apresentar, de forma atabalhoada e sem qualquer documento que o apoie , esse “projecto” na comissão da Assembleia da República.

Este fim de semana decorreram as eleições na Madeira . Tal como era de esperar, os eleitores não foram confrontados com o plano de resgate da divida, cuja apresentação foi adiada. Com este apoio do governo da republica e com as habituais palhaçadas de Jardim, o PSD voltou a ter maioria absoluta, o que não será mais do que uma vitória de Pirro.

Por parte dos comentadores do costume, fazendo-se eco das afirmações de Merkel & Cª., começa a ouvir-se falar na necessidade de recapitalizar os bancos. Em Portugal, se procederem à cobrança das dividas dos milionários como Berardo ou Américo Amorim, talvez diminuisse a necessidade de pedir mais empréstimos que todos teremos de pagar.

7.10.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda


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