05 October 2011

CHEGA DE NOS TENTAREM TAPAR OS OLHOS!

Os actuais dirigentes políticos da União Europeia não têm mostrado criatividade e capacidade de decisão para ultrapassar a crise das dividas soberanas dos países da Europa.

A União Europeia deixou de ser gerida pelas instituições, por ela mesma criadas, embora de forma nem sempre muito democrática, para seguir as decisões tomadas pela Alemanha em conluio com a França. Tanto uma como outra, com problemas políticos internos pela proximidade de eleições .

Atiram ameaças para todos os lados , que vão ao ponto de Merkel dizer que os países não cumpridores podem perder parte da sua soberania. No actual contexto tais ditos até dariam para rir, se não fossem trágicos. Fazem duvidar do conhecimento que tais dirigentes têm, do que é e, para que foi criada, a União Europeia.

O Parlamento Europeu tem sido pouco mais do que um acessório de luxo, com menos poder democrático do que qualquer Assembleia Municipal, mesmo que nestas saibamos que quem “manda” é o Presidente da Câmara.

Quando se colocou a questão de uma Constituição Europeia , muitos cidadãos europeus defenderam a eleição de um parlamento com capacidade de elaboração constitucional, mas o entendimento dos burocratas europeus foi contra esses “excessos democráticos” e daí resultou um documento que nem é conhecido e mais, nem foi sufragado pelos cidadãos a quem, em principio, se destina.

A consequência de tais pusilanimidades é uma União Europeia à deriva, completamente incapaz de se opor às agressões dos “mercados” e à especulação financeira, com muito ruído de fundo pela dissonância de vozes.

É essa especulação financeira que está a provocar o desastre da Grécia, sujeita a juros imorais e que lhe retiram qualquer possibilidade de resistir financeiramente. Grande parte das “ajudas” financeiras que lhe são prestadas estão a ser encaminhadas para os bancos alemães .

Não pretendo alijar as responsabilidades da má gestão dos governos portugueses, mas uma parte considerável da nossa divida externa, quer publica, quer privada foi motivada pela pressão dos exportadores europeus em vender, sendo estes os únicos a tirar vantagens.

Em Portugal assistimos , pelo menos semanalmente, à “descoberta” pelo governo de sucessivas derrapagens, mais buracos para justificar o esbulho a que procede em nome do pagamento de uma divida externa que da qual realmente não conhecemos o valor, nem os credores e muito menos os responsáveis .

Parece ser esta a razão porque não foi efectuada a auditoria à divida externa, quer pública, quer privada, que poderia ter clarificado a situação . Provavelmente o mesmo irá acontecer à auditoria, com promessa de esclarecimentos antes das eleições, à divida da Madeira.

Recordemos que foi o agora primeiro ministro que, antes das eleições , falava em necessidade de mais transparência.

Aos portugueses parece restar o pagamento de impostos cada vez mais pesados , para “restabelecer” as contas das entidades bancárias, já que a economia continuará em recessão.

Chega de nos tentarem tapar os olhos !

27.09.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esqerda

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