15 September 2011

PROPOSTAS NÃO TÊM FALTADO…



Portugal e os Portugueses debatem-se neste momento histórico com dois problemas graves cuja solução não se vislumbra fácil.

Por um lado, estamos a sofrer um violentíssimo ataque por parte de entidades, mais ou menos obscuras, a que se convencionou chamar de “mercados”, promotoras um autêntico saque às finanças nacionais, por via de juros de empréstimo verdadeiramente usurários. Por outro lado, porque temos um governo que se tem mostrado incapaz de levar à prática as promessas feitas durante a campanha eleitoral e tem demonstrado uma completa subserviência aos interesses do capital especulador representado pela “troika”, ao mesmo tempo que se mostra intransigente nos cortes das prestações socais e no aumento do desemprego .

Acresce, ainda, o facto de o PS ser um partido derrotado e até agora incapaz de se assumir como oposição firme e de esquerda, preso como está à assinatura do acordo de submissão ao famigerado “empréstimo-ajuda”, a que submeteu a economia portuguesa.

É claro que ouvimos dizer pelos “especialistas” e opinadores do costume, que não havia outra via a seguir e que as medidas tomadas pelo governo de direita são “imprescindíveis”.

Tal não é verdade e basta tomarmos conhecimento do “caso” da Islândia para sabermos que há sempre outras formas de encarar e resolver os problemas. Este pequeno país viu a sua economia mergulhada na crise pela actuação dos bancos que resolveram jogar no que se chamou economia de casino, com a cumplicidade do governo de centro direita de então.

Também aí uma qualquer “troika” apareceu para “salvar” a economia à custa de chorudos juros e da imposição de medidas de recessão. Como reagiram os Islandeses? Em vez de se submeterem, mudaram o governo e com um novo governo de coligação de várias forças de esquerda, incluindo o Partido Socialista, recusaram as fórmulas do FMI, recusaram pagar as dividas contraídas pelos bancos voltaram às actividades tradicionais, que em parte tinham abandonado e já conseguiram sair da recessão. Eis um exemplo que, à escala devida, poderia ser seguido.

Bem sabemos que em Portugal tal situação é difícil de conseguir, dada a posição das direcções do PS que se manifestam sempre dispostas a colaborar com a direita e não mostram a mínima abertura para negociar à esquerda, apesar do recente tom dos discursos.

Como a situação de descalabro social provocada pelas medidas do governo não vai poupar os militantes do PS, veremos se estes irão continuar a dar o seu suporte às posições defendidas pelas direcções do seu partido ou se as vão obrigar a mudar de agulha.

Vamos ver até que ponto irá a paciência dos portugueses ao aturar os dislates dos ministros , mas também a falta de coragem politica daqueles que , quando dá jeito, se consideram de esquerda, mas quando no governo depressa se esquecem . Mais uma vez veremos até que ponto “ AS PESSOAS ESTARÃO PRIMEIRO “.


Esta semana voltaram a ser anunciados mais cortes nas prestações sociais e na comparticipação em medicamentos e mais aumentos de impostos, uns às claras outros encapotados.

O anuncio do aumento de lugares nas creches e infantários para as crianças e centros de dia e lares para a terceira idade, feitos com pompa e circunstancia pelo Ministro das “misericórdias”, sabe-se agora ter mais uma curiosidade, é que apesar de os bebés e crianças correrem o risco de um pior atendimento, este terá que ser pago pelos pais, porque o Estado não os irá subsidiar.

Os cortes nas despesas do Estado., nomeadamente as renegociações das parcerias público privadas ( PPP) é que não avançam, mesmo em face de flagrante incumprimento contratual e de objectivos , como no caso do Hospital de Braga gerido pelo Grupo Mello.

Os portugueses têm de tomar posição firme sobre as negociatas que se perfilam com as privatizações, nomeadamente das Águas de Portugal, exigindo de um referendo, por exemplo.

Também não vale a pena tentar desmobilizar os trabalhadores lançando atoardas contra as manifestações já agendadas, a pretexto de que não se pode “incendiar o país”. Os portugueses já não têm medo do papão.

A Europa continua a não ser capaz de criar condições para assegurar um maior controlo sobre as acções da especulação financeira.

Assistimos, isso sim, a propostas ridículas como a do comissário alemão que sugeriu que as bandeiras dos países com grandes défices ficassem a meia haste nos edifícios da União Europeia. Será que este senhor desconhece os princípios fundadores da U.E. e o contexto histórico da sua fundação?

Queremos manter a integração numa Europa democrática e solidária, em que as pessoas sejam tidas como cidadãos de pleno direito e não apenas como “pagadores de impostos”.

15.09.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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