15 August 2011

A “FACE OCULTA” DE ALGUNS NEGÓCIOS






A diferença entre uma Segurança Social devida aos cidadãos que trabalham e proveniente dos descontos dos rendimentos do trabalho e o assistencialismo, a que os governos neo-liberais querem condenar os portugueses, é a própria dignidade de quem trabalha.

O Plano de Emergência Social ( PES) apresentado pelo governo é a consagração de uma certa forma de “caridadezinha” mascarada para encobrir a destruição do Estado Social. A sopa dos pobres, medicamentos em vias de prescrição , cantinas sem fiscalização, um completo regabofe para tentar tapar os olhos dos portugueses com mais debilidades económicas.

A situação económica e financeira em que o país se encontra não foi provocada pelos trabalhadores.

Não foram os trabalhadores que participaram nas negociatas escuras do BPP e do BPN. Não foram os trabalhadores que descapitalizaram as empresas para investir em jogos da bolsa e para desviar fundos para as “offshores” da Madeira ou do estrangeiro.

Embora muitos trabalhadores tenham sido compelidos a endividar-se, nomeadamente durante o período da loucura “euro-gastadora”, pela pressão exercida para a oferta compulsiva de casas, carros e outros bens, tantas vezes supérfluos, essas compras engordaram os bolsos das empresas vendedoras e dos bancos.

Porque hão-de ser os trabalhadores e só eles, os pagadores da conta apresentada e a aguentar com os prejuízos, enquanto os verdadeiros causadores se encontram a gozar as fantásticas pensões de reforma e os chorudos rendimentos por escassos meses de trabalho?

Senão vejamos um exemplo, a inominável negociata que tem sido o BPN desde a sua criação por ex-ministros e ex-secretários de estado de Cavaco Silva, que aliás beneficiou em alguns dividendos desse negócio. Quando ocorreu o “grande buraco” , para evitar o prejuízo dos investidores nacionalizou-se o BPN. O dinheiro dos portugueses foi utilizado para tapá-lo com centenas de milhões de euros.

Depois de inúmeras manobras em que apenas houve um preso mandado para casa por doença, aparece um benemérito comprador para o banco. Trata-se do BIC, banco angolano que em Portugal tem como presidente outro ex-ministro de Cavaco Silva, o engenheiro Mira Amaral, que oferece quarenta Milhões de euros, mas para “equilibrar” as contas, o Estado (isto é , nós todos) tem ainda que investir mais de Quinhentos milhões de euros e arcar com as responsabilidades do despedimento de cerca de oitocentos trabalhadores.

Ora o que é isto senão um cambalacho? Por mais “explicações” com que nos procurem enrolar, só não vê quem não quer ver .

Este buraco é uma parte muito importante do défice das contas públicas que tanto preocupa o governo e a troika, mas só os rendimentos do trabalho são chamados a pagar .

As “vendas ao desbarato” do património público continuam a ser anunciadas. Agora é a CP, às “fatias”, e o que resta da GALP e da EDP, a TAP, a ANA, partes da Caixa Geral de Depósitos e também as Águas de Portugal. A quem irão beneficiar ? Bens públicos a beneficiar alguns poucos.

Não se tratam de meros actos administrativos. É a alienação total da possibilidade de o Estado controlar empresas estratégicas, a exemplo do que acontece por toda a Europa.

Entretanto, a exemplo do Ministro da Saúde que se propõe acabar com serviços hospitalares públicos onde houver serviços privados, o Ministro da Educação prepara-se para “ evitando sobreposições” acabar com escolas públicas onde as privadas existam. Trata-se de promiscuidades estranhas e que prefiguram a possibilidade de conflitos de interesses.

Na Assembleia da Republica, as propostas de alargamento da taxa extraordinária do IRS aos rendimentos do capital ( dividendos, juros , etc. ) foi chumbada pelo PSD e CDS.

Os “jobs for the boys” que mereceram o repudio dos portugueses e que proporcionaram a votação que permitiu ao PSD E CDS estarem no poder estão de novo a instalar-se . Já se verificam chorudos salários para assessores e secretárias não se sabe muito bem em nome de que “poupanças”.

Os portugueses têm que acordar do sono letárgico para que foram atirados pela falácia dos discursos neo-liberais.

Exijamos um referendo nacional sobre a privatização das Águas de Portugal. Senão nem a água que necessitamos para beber irá estar sob o nosso controlo .



8.08.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda



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