06 August 2011

BEM PREGA FREI TOMÁS …




Uma União Europeia democrática, solidária e dos cidadãos é o antídoto necessário contra a proliferação de organizações de extrema direita, xenófobas e racistas que germinam por toda a Europa.

O discurso politico dos dirigentes Holandeses, Austríacos, Polacos, Finlandeses, servindo de caixa de ressonância às declarações da Merkel e de Sarkozy, sobre os cidadãos dos países do sul da Europa, bem como as tiradas racistas de Berlusconi, não têm contribuído para melhorar o ambiente politico e excitam o fanatismo nacionalista de muitos.

Por outro lado a fobia securitária anti-muçulmana tem servido de cortina de fumo para uma certa inoperância dos serviços de informação, face aos avanços e acções da extrema direita, como se verificou agora na Noruega.

A necessidade de manter um alerta permanente contra possíveis ataques terroristas vindos do exterior, não deve desarmar a vigilância contra grupos que defendem ideias que se baseiam na discriminação e na violência racista.

Em democracia, as organizações e partidos políticos democráticos, têm a obrigação de repudiar as formas de intervenção violentas e de considerar inconciliáveis a intervenção politica e a luta armada , sob pena de serem eles mesmos as próximas vitimas.

Em Portugal, os chefes de fila do neo-liberalismo , vinham há muito tempo, defendendo a necessidade de acabar com as “golden shares” (acções com valor privilegiado), nas empresas em que o Estado detém acções e que permitem ao sector publico controlar algumas iniciativas dessas empresas.

Dizia-se que era necessário acompanhar a Europa, libertando a economia da tutela do estado. Nada mais falso. O Estado Alemão , do Reino Unido e outros continuam a deter “golden shares” nas empresas que consideram estratégicas .

A crise, decididamente, não é igual para todos. Sabemos pela comunicação social que neste ultimo ano houve um aumento considerável da riqueza detida pelas dez maiores fortunas do nosso país. Se a uns tudo é tirado parece que a outros tudo é entregue. Esta deve ser a distribuição equitativa dos sacrifícios de que tanto fala o Presidente da República.

Ao mesmo tempo que são anunciados cortes no Serviço Nacional de Saúde e na comparticipação dos medicamentos, , todos os dias assistimos ao encerramento de empresas, algumas com negócios estranhíssimos por detrás , como no caso dos estaleiros de Viana e da camionagem TNC de Vila Franca de Xira, o governo anuncia (agora) a apresentação de um orçamento rectificativo para “acomodar” a ajuda do Estado à banca. Fica demonstrado à evidencia, a quem serve, em primeiro lugar, a “ajuda financeira”.

Uma das “promessas” pré eleitorais do actual primeiro ministro foi a de que não continuaria a política de “jobs for the boys”, isto é, da atribuição dos cargos não electivos aos amigos, correligionários e apoiantes.

Bem pregou Frei Tomás…

A distribuição dos cargos na Caixa Geral de Depósitos, a Nogueira Leite, Pedro Rebelo de Sousa e até Rui Machete, ligado ao escândalo BPN, desmente aquelas boas intenções. Convém, no entanto, não esquecer que esta foi uma das razões porque os pessoas votaram PSD/CDS, cansados de tantos escândalos do “cartão rosa”.

Outra “promessa” foi a de alterar a situação da avaliação dos professores processada pelo governo PS e que o PSD e CDS afirmavam, enquanto oposição, ser uma monstruosidade burocrática. E é de facto. Vamos a ver o que vai sair da série de banalidades que foram apresentadas pelo ministro aos sindicatos.

As alterações às leis laborais constituem o mais violento golpe nos direitos dos trabalhadores desde 1974. Desde as retribuições por despedimento até à diminuição dos subsídios de desemprego passando pelas falácias de que assim se garante uma maior empregabilidade, de tudo se serve este governo de direita para presentear as entidades patronais que o apoiam.

As privatizações de sectores estratégicos tão importantes como as águas, os sectores da energia e outros serão grandes negócios para alguns amigos, porque vendidos ao desbarato, em circunstancias de aperto financeiro do Estado.

Os apelos à paz social que temos ouvido, nos últimos dias e neste contexto, parecem um pouco deslocados e precipitados. Parecem uma forma de desarmar as previsíveis contestações democráticas que os desvarios neo-liberais provocam e que irão aparecer com toda a propriedade.

Ter-nos-ão na primeira fila dos descontentes.

28.07.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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