16 July 2011

QUEM NÃO SE SENTE NÃO É FILHO DE BOA GENTE


As preocupações em agradar aos “mercados” manifestadas pelos governos PS e agora do PSD/CDS , afinal, não interessam mesmo nada a essas nebulosas entidades da finança , sem rosto e sem ética .

Desde há muitos meses que as agências de rating americanas vinham sendo denunciadas pela sua actividade, pelo menos estranha e nefasta, em termos de notação financeira das economias, dos países chamados periféricos.

O mais estranho no meio disto tudo é que estas agências, a Fitch, a Moody’s e a Standard & Poor’s, estão ligadas aos interesses de entidades financeiras para quem fazem a notação, o que constitui um grave conflito de interesses.

Até há muito pouco tempo, aqueles que ousavam criticar esta situação eram acusados de levianos e pouco responsáveis pelas autoridades governamentais e mesmo pelo Presidente da Republica. Não se podia recriminar aqueles que nos ajudam.

Para além da dita “ajuda” , melhor dizendo, o empréstimo usurário, com laivos de agiotagem, do FMI/UE ser altamente discutível, a situação que então era denunciada não era em nada diferente da que agora se verifica, desde que aquelas “dignas entidades” passaram a considerar a nossa economia como lixo.

De repente, num rasgo de patrioteirismo hipócrita, passamos a ver tanto comentarista, tanto especialista de TV a “arriscar” afirmar que as agências estão a exorbitar e que a notação em lixo é uma ofensa ao país.

O ataque perfeitamente terrorista ao Euro e às economias europeias e aos estados democráticos não se compadece com medidas avulsas de austeridade, pesadíssimas, que levam à completa miséria dos europeus menos favorecidos e ao empobrecimento de todos os trabalhadores.

Torna-se necessário uma intervenção europeia consertada, solidária e séria que impeça a continuação da especulação e que promova o crescimento económico nos países em dificuldades, bem como o primado da democracia sobre qualquer forma de ditadura financeira.

Para os povos da Grécia, da Irlanda, de Portugal, mas agora também da Itália e da Espanha, os jogos financeiros de casino a que se assiste só interessam na medida em que a sua qualidade de vida, o seu emprego e o que resta do estado social estão seriamente ameaçados. Mas isso são razões bastantes para que tomem consciência e exijam outras politicas quer nacionais quer europeias.

A finalidade da “actividade” das entidades financeiras ao exigirem a austeridade e a precarização do mundo do trabalho é só uma a recomposição do capital financeiro, após o desaire causado pela crise da economia de casino.

Não podemos continuar a permitir que nos esbulhem completamente do rendimento do nosso trabalho, dos fundos para que fomos descontando ao longo da vida para ter direito a uma pensão de reforma decente e dos serviços publico pagos pelos nossos impostos, para resolver os problemas criados pela especulação financeira a que somos alheios.

As dividas publicas dos Estados não podem estar sujeitas aos humores de empresas financeiras privadas.

Já vimos que aceitar a chantagem dos mercados para uma cada vez mais gravosa austeridade não resolve nada. É um ciclo vicioso da crise. A austeridade traz diminuição da procura, menos consumo, falência de empresas, desemprego, baixa do poder de compra e assim sucessivamente. É necessário interromper esse ciclo.

Bem sabemos que somos responsáveis pela escolha dos que nos “desgovernam”, sem qualquer respeito pelos interesses do seu próprio eleitorado.

Também sabemos que foram muitos os que assistiram à degradação económica , ao novo-riquismo e ao endividamento crescente e que foram poucos os que levantaram a voz.

Bem sabemos que, ainda agora continuamos a assistir à utilização do erário publico da forma menos consentânea com as prioridades que as necessidades actuais exigem, quer seja com a compra de estádios de futebol sem qualquer justificação ou utilidade, quer seja pela realização de corridinhas de automóvel para gáudio do snr. Presidente da Câmara, enquanto se afirma a falta de fundos para financiar serviços indispensáveis.

A defesa dos serviços públicos de saúde, de educação e de segurança social, o investimento que promova o emprego, um desenvolvimento sustentado da agricultura, das pescas e mesmo da industria, que substituam as importações e aumentem as exportações, tem que ser a bandeira que una os portugueses contra as politicas neo-liberais e os seus agentes que apenas nos conduzem ao desastre.

É necessária una auditoria à divida publica que permita aquilatar da sua qualidade, das condições em que foi negociada ,dos prazos se amortização e dos juros, para que seja possível preparar uma renegociação que proponha formas de pagamento consentâneas com as reais possibilidades da nossa economia e que não sejam travão à mesma.

11.7.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda


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