05 July 2011

HÁ PROPOSTAS E PROPOSTAS



A pouco e pouco vamos tomando conhecimento do que vão ser as reais consequências da vitória das forças que aceitaram as ordens da troika.

Pedro Passos Coelho tem afirmado até que irá mais além do que está previsto no “protocolo” do FMI/UE , em termos de austeridade, de privatizações e de despedimentos, procurando mostrar-se como o bom aluno que se propõe ser, do neo-liberalismo.

Quanto a mim, esta vitória da direita politica tem como finalidade, reduzir ainda mais a força de trabalho ao estatuto de mercadoria descartável e de baixo custo, visando a recomposição do capital financeiro.

Assim como uma espécie de asiatização do mundo do trabalho em Portugal.

Bem pelo contrário, entendo que o caminho para a saída da crise, criada no nosso país pelo conjugação de décadas de governação incompetente juntamente com a crise financeira internacional, não será pela via do aprofundamento da austeridade, mas pelo crescimento da economia e por uma distribuição da riqueza mais justa.

O crescimento da economia pressupõe uma maior e melhor industrialização nos sectores em que somos competitivos , uma promoção da agricultura, onde temos excelentes condições de produção e de qualidade e uma exploração criteriosa das riquezas do mar, nomeadamente das pescas.

Tudo isto aproveitando a da capacidade de investigação que vem sendo demonstrada pelos nossos cientistas, e que vamos deixando fugir para o estrangeiro, perdendo a possibilidade de inovação que essas capacidades nos trariam.

Só assim conseguiremos substituir as importações e aumentar as exportações, fazendo crescer a economia e aumentando o emprego.

Para aqueles que estão apenas preocupados com o pagamento da divida publica, que aliás não provocamos, só assim temos possibilidades de cumprir prazos , sem aumentar as condições de empobrecimento do nosso povo.

No entanto, estas possibilidades implicam a realização de alguns pressupostos, a saber: uma auditoria completa à divida externa, para que os portugueses fiquem a saber , ao certo, o seu valor, como foi contraída e em que condições. Outro pressuposto é a necessidade de renegociação dessa mesma divida, em termos que permita a sua liquidação, mas em condições racionais e menos gravosas, que não impeçam o relançamento económico, como neste momento acontece.

Infelizmente, o que vamos ouvindo são propostas que contribuem para uma maior estigmatização dos desempregados, como a imposição de trabalho gratuito, que constitui uma espécie de castigo, como se o desemprego fosse da vontade dos trabalhadores.

A possibilidade de transformar o pagamento do Rendimento Social de Inserção em vales alimentares ou outros faz parte de uma politica de natureza assistencialista tão grata aos neo-liberais e que encaixa perfeitamente nas propostas de criar uma saúde e uma escola para os pobres e os mais necessitados, dando a tudo isto um carácter de esmola.

Todas as medidas que forem tomadas no sentido da racionalização de meios e de custos e de acabar com os abusos na utilização dos fundos públicos serão bem-vindas, mas sem cortes cegos e sem arbitrariedades.

A sanha destruidora do que resta do estado social criado no pós 74 manifesta-se por todas as formas, mas há medidas que, até do ponto de vista capitalista, não se entendem, nem fazem qualquer sentido.

Estão nestes casos a privatização de serviços como os CTT, canais da RTP, a EDP, a REN, a TAP e a ANA, parte da Caixa Geral de Depósitos, da Segurança Social, por via da sua descapitalização, mas também a desactivação de oitocentos quilómetros de caminhos de ferro a que se junta o fim de inúmeras carreiras de transportes públicos.

Num momento de grandes dificuldades financeiras, tais alienações só podem redundar numa venda a preços de saldo, se é que não é isso mesmo que se pretende.

O exemplo da chantagem do FMI/UE exercida sobre a Grécia, endurecendo cada vez mais das condições de vida do seu povo, , deve fazer-nos pensar melhor.

A actuação vergonhosamente egoísta de alguns governos europeus não os dignifica nem deixa antever nada de bom no espaço económico da Europa, se as populações não conseguem assumir uma postura mais solidária e internacionalista.

28.06.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda


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