25 July 2011

E SE NÃO FOSSEM SEMPRE OS MESMOS A PAGAR?


As noticias do dia a dia vão nos informando do incrível assalto às economias europeias, por parte dos, ominosos, interesses financeiros internacionais .

As tropas de choque deste assalto têm sido as agencias americanas de notação financeira, cujas “opiniões” se destinam a destruir a capacidade de resistência das diferentes economias.

Mas este ataque não se restringe ao euro ou à sua zona. É igualmente um ataque à democracia , aos regimes democráticos e à forma de vida europeia, enquadrada pelo estado social criado no pós 2ª guerra mundial .

Assim, fazem todo o sentido as afirmações de um dos donos da Moody’s , importante especulador financeiro, de que esta é uma guerra económica entre pobres e ricos e que a iniciativa está do lado dos ricos.

É evidente a completa inoperância da União Europeia em criar condições para defender o euro e as economias o que integram, dado que o espaço europeu não pode ser apenas o eixo Paris Berlim. Até Helmut Kohl, antigo chanceler Alemão considera que a actuação de Angela Merkel e outros não é a melhor para a Europa em que ele apostou.

É claro que os governos que temos tido têm grandes responsabilidades pela total desorientação e falta de planeamento com que têm lidado com a gestão do erário publico, quer por deslumbramento e novo-riquismo , quer por contemporizações inadmissíveis com corrupção aos mais diversos níveis.

As agencias de notação financeira (rating), que por acaso são as mesmas que certificaram como bons os produtos financeiros tóxicos que provocaram a falência do Lehman Brothers e provocaram a crise financeira internacional parecem estar acima das leis. Só agora se começa a ouvir alguma contestação à sua actuação. É o caso de Joseph Stiglitz que é prémio Nobel da Economia de 2002.

Os defensores e difusores da ideologia neo-liberal têm procurado fazer passar a ideia que a implementação de medidas severas de austeridade é a única saída para a situação criada pela conjugação da inoperância dos governos com os criminosos ataques dos especuladores financeiros às economias mais debilitadas.

Nada mais falso. O impedimento do crescimento de qualquer economia não permite o pagamento , sequer, dos juros usurários sobre a divida externa.

A finalidade parece ser a de amarrar as economias dos países às respectivas dividas, a exemplo do que foi feito às economias da América Latina.

São necessárias medidas concertadas a nível europeu que possibilitem a renegociação das condições das dividas externas dos países, sem pôr em causa o crescimento económico dos mesmos e o consequente aumento da criação de emprego.

Mas está visto que sem firmes tomadas de posição solidária por parte dos trabalhadores europeus e do povo em geral nada disso será feito.

Os dirigentes europeus sofrem de um egoísmo exacerbado que os leva a preocupar-se quase em exclusivo com os seus próprios problemas, indo ao ponto de fazer afirmações caluniosas sobre os outros povos, para consumo interno, como no caso de Angela Merkel os portugueses, os gregos e irlandeses viverem à custa dos alemães. Ou será como diz o presidente do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira que afirma que “… até hoje só houve ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e de Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos e a diferença reverte a favor do orçamento alemão … “

Em Portugal, os governantes recém eleitos, têm demonstrado uma enorme preocupação em ultrapassar as “ordens” da troika em termos de austeridade. Querem aparecer como “bons alunos”.

Agora soube-se de um desvio “colossal” nas contas públicas . Então é caso para perguntar se a troika europeia não esteve a fiscalizar as contas públicas.

Quem vai pagar são os de sempre. O “imposto” lançado contra o décimo terceiro mês dos trabalhadores e pensionistas é um imposto claramente recessivo e vai provocar uma, ainda maior queda no poder de compra dos portugueses, com evidente prejuízo para o comercio interno, com aumento de falências e de desemprego.

Por essas e por outras é que se vem exigindo uma auditoria à divida externa. É que nós portugueses já começamos a estar fartos de “surpresas” como esta que nos ficam sempre demasiado caras.

18.7.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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