23 June 2011

NOVO GOVERNO COM AS VELHAS POLITICAS DO FMI


O governo decorrente das eleições de 5 de Junho já está formado e com o beneplácito do Presidente da Republica. Agora, o que mais deve interessar aos portugueses são as politicas que o governo vai implementar, mais do que as pessoas que o integram .

Infelizmente o programa de governo vai estar completamente dependente das imposições que o FMI/UE estabeleceu para o nosso país, em troca do empréstimo usurário. Entretanto, do que se conhece de alguns dos novos ministros não é de esperar nada de muito favorável.

Do ministro dos negócios estrangeiros, Paulo Portas, deseja-se que não tenha acesso a mais “provas de existência de armas de destruição maciça “, como as que afirmou ter visto para aconselhar a participação na invasão do Iraque, as quais se veio a provar nunca existiram.

Do ministro da economia e emprego, Álvaro Santos Pereira, sabemos ser autor de diversos escritos em que preconiza a necessidade dos governos terem coragem para retirar aos trabalhadores os direitos adquiridos, o que pode indiciar mais razões de preocupação para os trabalhadores portugueses.

O ministro da saúde, Paulo Macedo, tem no seu currículo, para além de um muitíssimo bem pago cargo de cobrador de impostos, na Era de Manuela Ferreira Leite, o facto de ter sido vice presidente do BCP-Millennium e administrador da empresa Médis, ligada a seguros de saúde privada, o que pode constituir um conflito de interesses, pois não se pode deixar de inferir o que vão ser as suas medidas na saúde pública.

Decididamente poderemos contar com um governo que irá agravar consideravelmente as condições de vida dos portugueses, nomeadamente daqueles que mais dificuldades já enfrentam com a actual situação financeira para a qual não contribuíram.

O Presidente da Republica já tem uma mesinha para tal problema, ao invés de o estado gastar dinheiro com o apoio social aos portugueses, para o qual andaram toda a vida a descontar uma parte do seu salário com vista a serem assistidos na doença e na velhice. Parece caber-lhe financiar as misericórdias, para que estas prestem um assistencialismo, muito próximo da esmola, de uma qualidade muito abaixo do aceitável, até pela utilização de pessoal não habilitado, conforme as noticias vão informando.

Enquanto isso, assistimos ao esfregar as mãos de contentes de alguns patrões e a porem-se em bicos de pés, prevendo já a possibilidade de se apropriarem de uma maior fatia do rendimento do trabalho e de condições legislativas dignas de antes de Abril de 74, como sejam as prometidas facilitações dos despedimentos sem justa causa.

Começa-se já a ouvir algumas novidades, sobre a entrega à iniciativa privada de toda uma série de empresas e serviços públicos, desde um canal da RTP, aos correios, à parte rentável da CP, da TAP, passando pela segurança social e por partes da Caixa Geral de Depósitos .

Para além de retirar ao estado uma capacidade regularizadora da economia, coisa que ocorre em muitos dos países da Europa, vai provocar o encarecimento dos serviços, e o abaixamento da sua qualidade e ainda por cima, nada garante que não irão ser comprados com fundos provenientes dos empréstimos do FMI/UE, cujos juros serão pagos por todos os portugueses.

Trata-se de uma situação escandalosa.

De um governo democraticamente eleito espera-se que governe pelo povo e para o povo e que nunca se esqueça disso, que não funcione como uma mera comissão liquidatária de qualquer empresa falida.

Será que os portugueses vão acordar do torpor em que se encontram e perceber o que se passa à sua volta ou quando isso acontecer já será tarde de mais?

É indispensável criar condições sustentáveis para o desenvolvimento da economia, para substituir as importações por produção nacional, a começar pelos bens alimentares e isso não se consegue com festanças mais ou menos folclóricas, com declarações grandiloquentes, nem com apelos e exemplos de formas de auto-emprego, que podem resolver problemas pontuais, mas que não resolvem a questão principal da nossa sociedade, que é o desemprego crescente.

Não podemos continuar a ver partir para a emigração a geração melhor preparada e cuja educação tão cara custou ao erário público, ao invés de a sensibilizar no relançamento económico e cientifico do país.

São necessárias condições de fixação dos mais jovens na produção agrícola e nas pescas, dando-lhes possibilidades de usufruir de uma vida digna e rentável.

Têm sido avançadas propostas nesse sentido, tratemos de as estudar, de as tomar em mãos e de exigir o nosso futuro.

19.06.2011

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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