08 June 2011

MARKETING OU PROPOSTAS POLITICAS ?


A primeira semana de campanha eleitoral para as legislativas 2011 não trouxe alterações substanciais na forma como as diferentes forças politicas se apresentaram aos cidadãos eleitores e nas propostas que têm para apresentar.

O arco dos partidos que assinaram o “pacto de submissão” com a troika PS, PSD e CDS, continua a não falar do conteúdo que assinaram e das profundas malfeitorias que a sua aplicação vai representar para os portugueses.

Alias, estes partidos falam como se desconhecessem o que assinaram ou, como se nada disso devesse ser do conhecimento dos cidadãos eleitores a quem diz respeito.

Apenas, os partidos à esquerda procuram trazer à discussão as consequências económicas, sociais e politicas que os outros três procuram, sistematicamente ocultar.

A campanha do PS,PSD e CDS, continua a desenrolar-se em termos de mero marketing, como se o futuro dos portugueses não fosse diferente da venda de detergentes ou da promoção de qualquer grupo de supermercados. Para além da discussão de quem irá governar e com quem, fazem promessas, dizem inverdades e omitem sacrifícios futuros. O que vemos são as bazófias de José Sócrates, as ameaças de Passos Coelho e a hipocrisia populista de Paulo Portas.

As eleições que são para eleger a Assembleia da Republica, parecem destinar-se a escolher só os candidatos a primeiro ministro, o que constitui uma estranha visão do que é a democracia.

Continua-se a falar de “ajuda” da troika, quando é de um empréstimo que se trata, como se os juros de mais de trinta mil milhões de euros a desembolsar pelos portugueses não constituíssem um negócio da mais perfeita agiotagem, por parte da alta finança internacional.

Sem cair nas previsões, apocalípticas e bem pagas, de um qualquer professor Marcelo seria muito importante que os portugueses procurassem informar-se das implicações reais do acordo assinado pelo PS,PSD e CDS.

As consequências vão ser extraordinariamente profundas e amplas, com as implicações no emprego, nas relações laborais, nos apoios sociais, na saúde, no ensino e mesmo na própria continuação do que se tem chamado o estado social. Vão ter forte impacto na população, especialmente nos de mais fracos recursos e num muito curto espaço de tempo.

E, no entanto, contrariamente ao que tem sido afirmado, há alternativas a este estado de coisas. O que se passa é que há uma espessa cortina de fumo, lançada por aqueles que têm interesse na manutenção da situação e até na sua deterioração, o que impede que , no meio do ruído da campanha eleitoral , sobressaiam as discussões que têm realmente interesse.

Pensemos em quem recai a responsabilidade pela situação actual da nossa economia , pensemos sobre quem recai a responsabilidade da destruição do nosso tecido produtivo, da destruição da nossa agricultura, das nossas pescas e por fim, quem beneficiou com isso. Não cometamos o erro de voltar a dar mais oportunidades a quem já mostrou a sua ineficácia e incompetência.

Não me tenho cansado de afirmar, aos meus caros leitores, que é indispensável dar a maior atenção às propostas que nos forem apresentadas, e ao perfil de quem as apresenta, para que não nos deixemos enganar por cantos de sereia ou por apressadas considerações, vindas daqueles, os mesmos, que tudo têm feito para nos manter no limbo do desconhecimento de um país de faz de conta.

30.05.2011


José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

E MAIL: jferreirasantos@netcabo.pt

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