11 June 2011

IMPRESSÕES SOBRE A POSSÍVEL “VITÓRIA” DO BE…

Um bocado nauseada da rapsódia que se tem ouvido acerca dos resultados do Bloco nas Eleições Legislativas, de comentadores que estiveram no baile mediático a lançar petardos sobre aquilo que eu julgo que deve ser uma reflexão e discussão interna, penso que é altura de um digestivo.

É perceptível que o BE, como acontece em todas as organizações, está a passar por um período mais agitado que pede reflexões, autocríticas, debates, apresentação de novas propostas, reorganização interna… Porém, esse facto tem que ser, na minha opinião, visto como natural, sobretudo, tendo em conta a conjuntura em que estamos. O crescimento também implica, por vezes, algum recuo e a cometida de erros, e são também esses tropeções que podem levar, mais especificamente, à redefinição da forma como nos temos apresentado às pessoas e passado a nossa mensagem. Liberdade é também podermos permanentemente reconstruírmo-nos.

Se o Bloco se caracteriza pela diferença, pela alternativa, pela destemida postura contra o sistema capitalista e neoliberal, pela responsabilidade, pela transparência, pela abertura à discussão e pela pluralidade, saberá certamente resolver os conflitos sem ter que cair na novela pública, que muitos outros partidos fomentam e alimentam a ideia que politica é isso. Mas não é.

Se precisamos de reflectir e aperfeiçoar a nossa forma de agir e intervir, então essa discussão deverá ser feita internamente, de forma livre e aberta. O nosso movimento e a nossa intervenção no meio exterior deverá ser na base da reivindicação, da denúncia, do debate, da apresentação de propostas concisas e acessíveis a todos. Temos que nos mostrar firmes, fortes, coesos, solidários, para assim sermos uma esquerda grande e alternativa.

À parte dos erros, tanto falados, que foram cometidos durante o percurso do Bloco nos últimos tempos (alguns que me surpreenderam e me deixaram em desacordo), a nossa força tem que permanecer e não pode ser vencida por um grupo de abutres interessados no nosso enfraquecimento. O Bloco não é um partido politico como os outros e, nesse sentido, deve ser também evitada a confusão. Apesar de institucionalizado e parlamentar, o Bloco deve continuar a defender também a sua causa na rua, perto de quem é injustiçado, de quem é explorado pelo sistema, ao lado dos trabalhadores, dos estudantes, dos reformados, das minorias que precisam de voz… Devemos apostar na luta que nos distingue, na nossa autenticidade, na solidariedade, sem medo da divergência.

Assim, (e não esquecendo que já contamos com algumas conquistas) acredito que a derrota de domingo pode ser uma vitória no sentido em que ela pode ser o sinal para uma viragem, uma oportunidade para reflectirmos profundamente sobre o que realmente nos leva à luta e para trabalharmos mais e em melhores propostas para mudar as nossas vidas e nos libertarmos da opressão que nos tentam impor diariamente.

É um desafio! Mas só agindo e intervindo podemos ser a mudança que queremos tanto ver no mundo.


10.06.2011

Ana Garcia

Produtora Cultural / Professora

Militante do Bloco de Esquerda

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