09 June 2011

EM JEITO DE PRIMEIRO BALANÇO





As Eleições Legislativas de 5 de Junhos mostraram, claramente, algumas realidades que têm andado esquecidas, mas que são irrefutáveis.

A primeira tem a ver com um divórcio crescente entre os cidadãos e a politica institucional, motivado pelo descrédito a que os partidos do arco do poder levaram a sua actuação, demonstrada pela maior taxa de abstenção verificada em eleições legislativas.

A segunda, reflecte o facto de as acções de campanha que mais mereceram a atenção dos meios de comunicação social não terem abordado as questões reais que se colocavam aos possíveis eleitores. Isto é, a campanha dos partidos que assinaram e aceitaram as exigências da troika nunca se propuseram , sequer, discutir as formas como irão fazer pagar pelos portugueses as contrapartida ao empréstimo usurário a que sujeitaram a nossa economia.

A transparência e a clareza de processos não são o forte destas forças políticas.

Mesmo após o apuramento dos resultados eleitorais os “vencedores” esqueceram-se de referir que foram eleitos com mais de quarenta e um por cento de abstenções, facto que os deveria levar a, pelo menos, a reflectir.

Bem sei que os votos que interessam são os que entram nas urnas, mas tal taxa de abstencionismo tem que ser tida em conta, sob pena de a legitimidade democrática sair um pouco falseada.

Sem pessimismos exagerados, o futuro político do nosso país nos próximos tempos corre o risco de ser mais negro do que nos querem fazer acreditar.

O exemplo que nos vem da Grécia, com todas as diferenças que nos queiram apresentar, deveria levar-nos a pensar.

A não discussão das consequências do empréstimo durante a campanha eleitoral e a busca de possíveis alternativas foi uma das causas que levou a que tantos milhões de portugueses de recusassem a votar. Não é por isso que deixaremos de contar com eles para tentar passar este Cabo das Tormentas.

Apenas os partidos de esquerda procuraram trazer à colação as questões da famigerada “ajuda”, pelos vistos sem grande êxito e sem conseguir fazer passar, de maneira acessível , a mensagem.

O Bloco de Esquerda sofreu uma pesada derrota, voltando ao patamar de deputados de 2009. O facto de o coordenador da comissão politica, Francisco Louçã , assumir a responsabilidade da derrota não tem significado especial, no Bloco de Esquerda tanto as vitórias como as derrotas são assumidas colectivamente. O importante é que se abra uma ampla e profunda discussão sem tabus sobre o que correu mal e se redireccione a intervenção, a partir da leitura dessas conclusões , no sentido de melhor chegar às pessoas.

Apesar do grupo parlamentar ter diminuído de tamanho, a força continua intacta, com isso podem contar os que nos apoiam e aqueles contra quem temos lutado e iremos continuar a lutar.

De certeza que os deputados do Bloco de Esquerda irão continuar a ser , na Assembleia de Republica os porta-vozes das lutas dos trabalhadores portugueses e os defensores, intransigentes do que resta do estado social, do serviço nacional de saúde, da escola publica, da segurança social e dos serviços públicos em geral.

Os deputados eleitos pelo Bloco de Esquerda irão continuar não só a denunciar os atropelos à legalidade, as situações de compadrio, as parcerias publico-privadas, todos os “negócios” da corrupção, bem como a continuar a ter um actividade propositiva.

Os tempos que se aproximam não serão fáceis, mas o nosso povo já tem ultrapassado dificuldades igualmente graves. Não baixaremos os braços.

6.6.2011


José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

E MAIL: jferreirasantos@netcabo.pt

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