09 June 2011

“Aos que ousam o futuro pertence!”

Já estamos no terceiro dia após o veredicto de domingo, 5 de Junho de 2011, e a poeira da campanha e dos malfadados festejos dos resultados ainda está a assentar. Doeu é certo, mas não podemos abandonar a nossa luta.

É lamentável, em certos pontos, a História repetir-se, sobretudo nos pontos mais negros. E mais uma vez parece que quase ninguém se lembra. A oscilação entre os dois partidos de sempre é bastante doentia. Sinto que as pessoas estão com tanto medo, estão tão assustadas com a conjuntura, que se refugiam no próprio monstro que as apanhará. O refúgio em políticas mais conservadoras, mais “protectoras”, mais autoritárias, mais “cristãs”… não é um filme novo. Porém, à parte dos sentimentos de insegurança e da miopia geral, é claro que, para alguém de esquerda como eu, é óbvio que o modelo neoliberal e o capitalismo estão esgotados, são disfuncionais e são completamente estéreis nas questões da justiça social e laboral. E não há liberdade verdadeira se não houver justiça, se não houver partilha, solidariedade, se não existir responsabilidade…

A violação de direitos, a exploração, a submissão, a corrupção e o silêncio que nos tentam impor diariamente é um atentado constante à nossa liberdade, e nós não o devemos permitir. Não devemos consentir que nos retirem o que é nosso, do colectivo, dos trabalhadores, das crianças, dos jovens e dos mais velhos. As privatizações são um furto sem pena, é a extorsão daquilo que é público, que deve e tem que servir todos e todas, sem qualquer interesse económico. O domínio privado não serve, aproveita-se, não liberta mas priva, não protege mas desampara. O monopólio dos mercados, dos banqueiros e dos especuladores não tem em conta as pessoas e os seus sonhos, a estabilidade, o emprego com direitos... Não há uma sociedade livre e justa se então houver essa irresponsabilidade e esse desapego pelas pessoas. E refiro-me à realidade, ao que está a acontecer agora nas nossas vidas!

A liberdade não deve ser apenas um conceito teórico ou abstracto, mas uma função natural prática, que se sinta e viva na acção, que dinamize e seja a autora do desenvolvimento humano. Devemos usar essa liberdade para pensarmos, para nos expressarmos, para nos manifestarmos, para interagirmos pacificamente com a comunidade, para nos relacionarmos e amarmos quem quisermos, para solidarizarmos, para usufruirmos conscientemente dos recursos na base da partilha, sem excluir ninguém.

Eu proponho o uso pleno da liberdade que ainda temos para lutar firmemente contra quem nos quer calar, quem nos quer amedrontar, quem nos quer tirar aquilo que de mais valioso temos. Apelo a quem se absteve de votar no domingo de eleições e se abstêm todos os dias por medo, por desânimo, por descrença ou mesmo por protesto. Apelo à união de todos e de todas que estão descontentes e se sentem injustiçados, que estão à rasca e perdidos neste país complicado… Apelo à acção directa, à reivindicação, à união e à solidariedade, porque a apatia não vai mudar nada e nós precisamos de uma mudança a sério, precisamos de uma revolução e de uma democracia melhor! E citando Emma Goldman “Aos que ousam o futuro pertence!”.

08.06.2011

Ana Garcia

Produtora Cultural / Professora

Militante do Bloco de Esquerda

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