13 May 2011

Uma nova política é possível

O passado fim de semana foi bastante rico em acontecimentos políticos, assistiu-se à apresentação do programa eleitoral do PSD e o Bloco de Esquerda realizou a sua VII Convenção Nacional que aprovou as orientações políticas para a intervenção nos próximos tempos.
O programa eleitoral do PSD consagra as grandes linhas das imposições do FMI, com alguns ornamentos e exageros próprios de quem procura ser mais papista do que o papa. Assim, apresentou propostas de privatização de empresas públicas, a mais violenta tentativa de destruição da segurança social pública pela diminuição da taxa social única, travestida de “apoio” às empresas, a privatização de parte do banco de estado (Caixa Geral de Depósitos), e a facilitação dos despedimentos.
As propostas de “livre escolha”, abertura aos privados dos cuidados primários de saúde e da educação, a que chamam emagrecimento do Estado, não são mais do que um claro favorecimento da “iniciativa privada” em detrimento da iniciativa pública e, portanto, dos mais desfavorecidos. Também não admira, os grandes mentores destas medidas são Eduardo Catroga e António Nogueira Leite dirigentes do Grupo Mello, um dos maiores beneficiários das Parcerias Público- Privadas, quer na saúde quer nas auto estradas.
O PS, que já nos brindou com o seu Programa eleitoral PEC IV, quer-nos fazer acreditar que é o maior defensor do Serviço Nacional de Saúde e da Escola Pública. Será possível, ainda, alguém crer nestas “virtuosas” promessas feitas pelo mesmo governante que durante seis anos promoveu a entrega de hospitais aos grupos privados, financiou escolas privadas em detrimento do ensino público e delapidou o erário público com despesas faraónicas, de mais do que duvidosa utilidade.
O CDS de Paulo Portas procura aparecer, seraficamente, como estando acima das “tricas” entre o PS e o PSD, fora das responsabilidades e pretende fazer esquecer o seu contributo para o descalabro financeiro com a compra dos famigerados submarinos e com os consequentes e graves prejuízos que daí advieram.
Em todos estes projectos nem uma palavra sobre a necessidade de criar emprego, de fazer crescer a economia, de ultrapassar a crise.
No processo que levou à entrada do FMI no nosso país, nenhuma direcção destas três forças políticas tem as mãos limpas. Bem podem digladiar-se agora entre si, acusando-se mutuamente de culpa, mas estão todos no mesmo barco, juntamente com o Presidente da República, que lhes tem dado cobertura.
A “ajuda” do FMI irá custar à economia portuguesa mais de quatro mil milhões de euros, só em juros, o que constitui um autêntico insulto.
Efectivamente à esquerda existem alternativas à submissão ao do grande capital financeiro representado pela Troika. No que toca ao Bloco de Esquerda elas foram anunciadas na Convenção realizada em Lisboa e estão a ser apresentadas. O Bloco de Esquerda afirma que a alternativa é um Governo de Esquerda. Mas quem integraria esse Governo de Esquerda ? Todas as forças políticas, todas as mulheres e homens dispostos a lutar contra os ditames do FMI, com base num programa mínimo de acção que vise a criação de emprego, o crescimento da nossa economia; a substituição das importações por produção própria; o incremento das exportações, promova alterações da política fiscal que tragam mais justiça fiscal e uma auditoria completa à divida externa, pública e privada que permita ter um conhecimento do que se deve, a quem se deve e quem contraiu a divida além da renegociação das Parcerias Público-Privadas.
Por muito que custe aos “opinadores” do costume, esta proposta é clara e consistente. Não se trata de nenhuma manifestação de radicalismo, antes da aplicação de políticas realmente socialistas que visem reparar os malefícios que o capitalismo selvagem provocou aos portugueses.
Não é uma tarefa fácil, não é impossível, nem impraticável, depende dos cidadãos portugueses e do seu voto no próximo dia 5 de Junho, sem preconceitos e sem a acomodação de votarem naqueles em que sempre votaram.
O voto útil tem que ser útil para o cidadão votante e não para o partido beneficiário do mesmo.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
E MAIL:jferreirasantos@netcabo.pt

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