20 May 2011

Opções de voto e liberdade de opinião

Nas eleições Legislativas de 5 de Junho próximo, os portugueses vão escolher entre duas claras alternativas: ou optam por apoiar aqueles em que têm confiado nos últimos trinta anos, com os tristes resultados que bem conhecemos , isto é, no PS, PSD e CDS; ou têm a coragem de assumir o seu futuro nas mãos e escolhem votar numa esquerda lutadora, descomprometida e disposta a tudo fazer para ultrapassar a crise.
Não adianta acreditar que os partidos que aceitaram o pacto de submissão ao FMI & cia vão conseguir ter margem de manobra para alterar as condições impostas pelos representantes do grande capital financeiro. Não é verdade, os partidos que assinaram o acordo, terão que se submeter aos ditames e ao pagamento de juros exorbitantes, que vão ser exigidos.
Aliás, por alguma razão o texto final do acordo assinado pelo governo com a troika, ainda não foi tornado publico junto dos portugueses.

Mas existe um outro caminho, uma outra via para sair da crise. Propostas, nesse sentido, têm vindo a ser apresentadas pelo Bloco de Esquerda e não são “extra terrestres”, nem “fora da realidade” como os “fazedores de opinião de serviço” têm afirmado.

Senão vejamos, algum de nós vai pagar uma dívida sem saber de que divida se trata, quem a contraiu, ou sequer quem é o credor ? É para isso que o Bloco de Esquerda exige uma auditoria a toda a divida externa, quer pública, quer privada, para saber qual é o seu valor e quem é o responsável por ela.

Quando uma divida ultrapassa a capacidade de pagamento o que é que o devedor deve fazer? Propor uma renegociação da mesma , para permitir cumprir com as suas obrigações, mas de forma sustentada. É isso que o Bloco de Esquerda propõe ao falar na renegociação da divida portuguesa, criar condições para, reconstruir a economia, criar emprego e riqueza e poder simultaneamente cumprir com as obrigações da divida.

Tais propostas não são nem irrealistas, nem “extra terrestres”, apenas não interessam aos bancos e nem ao FMI pois deixam de lucrar com os juros altíssimos que têm vindo a extorquir ao nosso país.
É vergonhosa a leitura que os comentadores arregimentados pelas televisões têm feito dos debates e das propostas que neles são apresentadas. Se forem dos partidos do “arco do poder” são inevitáveis e razoáveis, se forem da esquerda são apelidadas de irrealistas e de inaceitáveis.

O que é estranho é que apenas tenham assento nesses areópagos televisivos comentadores conotados com posições, pelo menos conservadoras, pois parece não existirem outras opiniões no nosso país. Se isto não é uma tentativa de moldar a opinião pública sob um único modelo, então o que é ?
A liberdade de opinião pressupõe a existência de uma discussão baseada em diferentes pontos de vista com igualdade de oportunidades de os expor. Só assim de assegurará uma opinião pública esclarecida e capaz de decisões democráticas.

Os portugueses deverão exigir um tratamento em pé de igualdade para todas as opções que se lhes apresentem. Não é necessária a existência de uma comissão de censura, se esta existir, previamente, nas cabeças dos “fazedores de opinião” convidados.
Para ultrapassar a crise de que não fomos autores, mas da qual todos somos vítimas, é necessária uma política corajosa, capaz de romper com os erros que têm vindo a ser cometidos nos últimos anos, o novo-riquismo, a corrupção e a falta de combate à mesma, o desrespeito pelos direitos dos trabalhadores e dos pensionistas, o privilegiar os poderosos em detrimento dos menos favorecidos.
Para isso é necessário dar força à esquerda, que tem as mãos limpas e já demonstrou capacidade de luta.
Em 5 de Junho é necessário votar no Bloco de Esquerda.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal pelo Bloco de Esquerda
E MAIL: jferreirasantos@netcabo.pt

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