02 May 2011

Abril, de Novo!

O 25 de Abril de 1974 trouxe aos portugueses uma enorme esperança e uma grande energia que permitiu, apesar dos erros cometidos, uma mudança profunda na qualidade da vida do país, desde logo, pela possibilidade da discussão e da participação democrática das pessoas, na prossecução do seu próprio futuro. 37 anos depois impõe-se que os cidadãos portugueses recuperem a alegria, a esperança e a possibilidade de serem eles mesmos a decidirem como querem construir a sua vida.
As eleições do próximo dia 5 de Junho podem ser um passo muito importante dessa recuperação, se alguns pressupostos democráticos forem assegurados. Os portugueses tiveram oportunidade de constatar que o governo do PS, agora demissionário, não foi capaz de contribuir para assegurar uma normalidade governativa, enredando-se permanentemente em escândalos, em clientelismos, em faltas de verdade e em falsas promessas, que levaram a um afastamento dos cidadãos, consubstanciado em abstenções altíssimas e na descrença na politica e nos políticos.
A isto junta-se a crise financeira internacional, provocada pela economia de casino, que não é a única desculpa para tais factos. Politicas típicas de novo-riquismo, apelos desenfreados ao consumismo e ao endividamento e uma informação completamente falseada da situação provocaram o aprofundamento da crise que vivemos. Vivíamos num país de” faz de conta”.
Assim, nem as medidas de cortes nos salários, nas pensões de reforma, nas prestações sociais e os aumentos de impostos foram suficientes para impedir o descalabro. Uma visão politica completamente submissa aos interesses do grande capital financeiro e aos ditames dos burocratas de Bruxelas impediram a possibilidade de experimentar outras possibilidades e outras medidas que foram sendo avançadas.
Simultaneamente os bancos continuaram a pagar impostos muito inferiores aos das pequenas empresas, os “negócios” das grandes empresas, bem como os offshores, continuaram a não ser taxados e apenas os rendimentos do trabalho foram onerados cada vez mais.
Mas o que podem esperar de um governo do PSD, ou do PSD/CDS ou mesmo do PSD/PS/CDS , que nos vêm sendo tão apregoados nestes últimos dias ? Vejamos, a quem é que o PSD encomendou propostas para a alteração da Constituição Portuguesa, ao mesmo Paulo Teixeira Pinto que esteve ligado aos escândalos do BCP-Millenium e que saiu do banco com uma indemnização milionária. O vice-presidente do PSD é Diogo Leite de Campos, que usufrui de uma pensão de reforma por haver trabalhado seis anos no Banco de Portugal e com outra a caminho da Universidade de Coimbra, este senhor teve o desplante de propor uma espécie de cartão de débito para quem recebesse prestações sociais. Sabemos, também, a quem estavam ligados os intervenientes nos escândalos do BPP e do BPN.
Por sua vez Pedro Passos Coelho sempre se afirmou disposto a governar às ordens do FMI de que por coincidência tem como responsável por esta “benemérita” instituição para a Europa o mesmo António Borges que chegou a ser falado para dirigir o partido.
As propostas de cariz neo-liberal do PSD passam pela privatização de parte da Segurança Social, pela privatização de todas as empresas públicas susceptíveis de dar lucros e por contratos de trabalho ainda mais “liberais” e não escritos. Agora a nova “descoberta” é a possibilidade de cortar nas pensões de reforma em caso de recurso ao fundo de desemprego.
O CDS, sempre pronto a falar dos “lavradores” e dos pensionistas mais pobres, nunca toca na questão da ruinosa e inútil compra de submarinos e em outros “pecadilhos” a que tem estado ligado e que contribuíram para o estado a que chegaram as finanças publicas. O FMI, juntamente com os burocratas de Bruxelas, preparam medidas ainda mais gravosas em contrapartida ao empréstimo de uns milhares de milhões de euros, parte dos quais irá direitinha para a banca nacional para os “ajudar”.
O arco dos partidos que se propõem aceitar serem vassalos do FMI, já provou não estar em condições de servir os interesses de Portugal e dos portugueses. Propõem receitas velhas que não salvam o doente, antes agravam a sua doença.
Resta ousar experimentar outras pessoas e outras políticas, nomeadamente entre aqueles que nunca contribuíram para o descalabro financeiro e que têm apresentado outras saídas, até agora nunca tidas em conta e que repudiam a entrada em Portugal do FMI. Um governo de esquerda que mereça a confiança dos trabalhadores e do povo, capaz de mobilizar os portugueses para saírem da crise.


José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
E MAIL:jferreirasantos@netcabo.pt

No comments:

Visitas

Contador de visitas