09 April 2011

Por uma clara alternativa política de esquerda

Nos últimos dias assistimos a um autêntico ping-pong de afirmações e declarações sobre a necessidade, ou não, de pedir ajuda ao FMI, por parte de dirigentes do PSD e de membros do governo e do PS. Entretanto, vamos tomando conhecimento dos “benefícios” de que os povos grego e irlandês têm “usufruído” com as ajudas que os respectivos governos pediram ao FMI. Os juros dos empréstimos são altíssimos, as condições de vida de gregos e irlandeses são cada vez piores e a degradação de tecido económico também.

Passos Coelho tem, repetidamente, declarado que não hesitaria em pedir ajuda externa, para impedir o aumento dos juros da dívida e para obstar ao prolongamento das dificuldades dos portugueses. Por mais que nos esforcemos não conseguimos entender como tal será possível, dadas as informações que nos chegam dos países que se encontram sob intervenção do FMI.

Interrogamo-nos, cremos que pertinentemente, sobre o que faz correr os defensores do pedido de ajuda externa. Interrogámo-nos, igualmente, sobre o que está por detrás da sanha persecutória das agências de rating (notação financeira), contra a economia portuguesa. Sabemos que estas agências funcionam como “informantes” dos mesmos especuladores financeiros nacionais e internacionais que têm vindo a ganhar com o aumento dos juros sobre os empréstimos a que temos sido forçados a recorrer.

Temos perfeita consciência de que a situação de Portugal é substancialmente diferente da Islândia, mas estranhamos que a comunicação social não refira as medidas tomadas por aquele país, para ultrapassar a crise para onde a economia de casino, a empurrou. O governo da Islândia, eleito já após a eclosão da crise, recusou pagar as dividas bancárias e está a conseguir dar a volta à economia, já retirou o país da recessão, sem pôr de lado a responsabilização criminal de quem provocou a crise. Na Islândia, o povo é quem mais ordena. No nosso país, a completa submissão dos partidos do centrão aos ditames do eixo Berlim/Paris e a visão neo-liberal da economia que os norteia, não permite equacionar, sequer, outras medidas para sair da crise.

Iremos ter em 5 de Junho eleições para a Assembleia da Republica, de onde deverá sair um novo Governo. Os portugueses deverão estar bem atentos às propostas que lhes vão ser apresentadas. À esquerda têm sido feitas propostas alternativas às políticas que têm vindo a ser seguidas pelos governos PS e PSD/CDS e que levaram o país à triste situação a que chegamos. É tempo de experimentar novas formas de enfrentar os problemas, não recorrendo aos modelos que já provaram não serem capazes de alterar a situação. Os portugueses têm fama e disso já deram provas, de serem um povo corajoso. Está na altura de o provar de novo, alterando o rumo e procurando novas políticas.

Um novo governo, saído das eleições, deveria assumir a responsabilidade de defender o estado social, o serviço nacional de saúde, o ensino público, recusar a privatização das empresas estratégicas do estado, transportes públicos, CTT e a Caixa Geral de Depósitos; rever os contratos das parcerias publico/privadas; renegociar a dívida pública; taxar as grandes fortunas; as transacções financeiras para os offshores, os negócios das grandes empresas; criar condições de financiamento às pequenas e médias empresas, permitindo a criação de empregos e pôr fim aos apoios à banca privada. Enfim, colocar a economia ao serviço das populações e não o contrário como hoje acontece. Uma tal perspectiva merece ser encarada com a maior esperança. Nada é impossível, o futuro está nas nossas mãos.

Um exemplo do que não deve ser feito está à vista em Matosinhos. A Câmara Municipal resolveu aumentar exponencialmente as taxas de publicidade dos estabelecimentos comerciais a pretexto de que necessita de fundos. Estranhamente há pouco tempo foi apresentado pelo Bloco de Esquerda, na Assembleia Municipal, uma recomendação para que fosse taxada a ocupação da via pública pelas vulgarmente conhecidas Caixas Multibanco. Tal proposta foi rejeitada por todas as bancadas, pois nos bancos não se pode tocar. A 5 de Junho podemos alterar a situação, basta que o queiramos. Como dizia o poeta , “ … caminhante, não há caminho, faz-se o caminho ao andar “.

José Joaquim Ferreira dos Santos Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda E MAIL : jferreirasantos@netcabo.pt

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