19 April 2011

Participação democrática é a chave

Afinal o governo do PS, obedecendo às ordens dos banqueiros nacionais e cedendo às pressões dos burocratas de Bruxelas, pediu a entrada do FMI no nosso País. O Banco Central Europeu declarou, pela voz do Sr. Trichet, que deu um empurrão para que o governo português pedisse o apoio externo.
A atitude dos banqueiros instalados em Portugal não é de estranhar, limitaram-se a morder a mão de quem os andou a “alimentar” com juros altíssimos e não os obrigou ao pagamento de impostos equivalentes aos das outras empresas, em todo este tempo.
Entretanto, nesta semana, perante as declaraçõescontraditórias, ficamos sem saber quem “responsabilizar” pela entrada do FMI, se o PS, que andou seis anos a apregoar farroncas e a afirmar o bom estado da nossa economia, se o resto da direita que diz umas coisas para consumo interno e depois faz outras afirmações face aos seus parceiros europeus.
A União Europeia, isto é, o directório que comanda a UE, já deu as suas ordens para a formação de um novo governo, dócil e incapaz de reagir e se opor às pressões dos mercados. Infelizmente os sonhos de construção de uma Europa democrática e solidária vão sendo enterrados sob os discursos e as práticas arrogantes e grosseiras dos eurocratas como o Sr. Olli Rehn, comissário europeu que parece confundir a União Europeia com uma dominação de carácter colonial.Resta saber qual vai ser a resposta do povo português.
Um facto político novo, quanto a mim, foi a reunião, a pedido do Bloco de Esquerda, das direcções do Bloco com a do Partido Comunista, para troca de informações que anunciam mais convergências contra a intervenção do FMI e por uma saída política de esquerda para a bancarrota que ameaça o país. Foi anunciado que o diálogo vai continuar.
As eleições marcadas para 5 de Junho poderão constituir uma viragem na situação que atravessamos. Os portugueses têm possibilidades de alterar o rumo das politicas neo-liberais, de sujeição aos interesses especulativos dos mercados a que os últimos governos nos amarraram.



Não é suficiente fazer, agora, apressadas declarações de interesses na defesa do estado social, quando se passaram seis anos a destruí-lo, como acontece com o governo demissionário do PS.
Um governo realmente de esquerda terá que assumir com a máxima clareza medidas de defesa do Estado Social, da saúde e da escola pública, contra a privatização do banco publico do Estado ( Caixa Geral de Depósitos) , e das empresas estratégicas, assegurando a sua gestão séria por individualidades competentes e honestas e não “boys”, numa clara alternativa ao paradigma neo-liberal que tem vindo a orientar as politicas governamentais.
Um governo realmente de esquerda terá que promover o aumento da riqueza nacional com vista à sua distribuição justa pelos portugueses e não para ser acumulada no bolso dos do costume.
Esse aumento de riqueza passa pela criação de emprego, pelo aumento da produção em substituição das importações e pela continuação do aumento das exportações.
A indústria, a agricultura e as pescas têm que ser encaradas com realismo e com vontade politica, visando reequilibrar as diferenças entre o litoral e o interior do país e em diminuir de forma sensível as diferenças sociais que têm vindo a crescer.
Um governo realmente de esquerda terá que colocar a economia ao serviço dos cidadãos, promovendo a justiça social e a melhoria das condições de vida.Um governo realmente de esquerda terá que se empenhar no fim das intervenções de portugueses nas forças de agressão, no redimensionamento das forças armadas e na saída de Portugal da NATO, com vista à promoção da paz e do entendimento entre os povos.Um governo realmente de esquerda terá que se mostrar capaz de mobilizar as vontades dos portugueses para concretizar as propostas indicadas, com uma politica clara, de verdade e de rigor, sem mentiras, sem negócios escuros, sem promessas vãs e sem falsidades. Um governo realmente se esquerda tem de ser capaz de promover a mais ampla participação cidadã, como forma de alicerçar a sua governação na vontade colectiva e consciente dos cidadãos.
Chega de fantasias, embustes e mentiras. Só assim os portugueses poderão voltar a acreditar na politica e nos políticos.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
E MAIL: jferreirasantos@netcabo.pt

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