09 March 2011

Uma geração "à rasca", mas não "rasca"


O desemprego e a precariedade são o grande flagelo social do momento, nomeadamente no nosso país. Conforme tem sido dito, não são realidades inevitáveis e muito menos inelutáveis.
Se as prioridades governamentais passassem por colocar a economia ao serviço das pessoas, muitas propostas foram já apresentadas para minorar o desemprego e para acabar com a precariedade. Mas, com o actual “ deus ex machina” a que se alcandoraram os mercados, as pessoas são apenas tidas como peças da engrenagem de fazer lucros.
Neste momento, a geração que deveria ter iniciado a sua entrada no mundo do trabalho, vai ser a primeira a ter uma qualidade de vida inferior à geração dos seus pais.
Mas isto não tem que ser assim.
Durante muitos anos, os órgãos de difusão ideológica do neo-liberalismo têm tentado inculcar as “virtudes” do individualismo e as necessidades de cada um tratar da sua “vidinha”, sem se associar a sindicatos e muito menos meter em politicas.
Desde os primórdios da história do capitalismo, esta prática tem vindo a ser seguida, na clara intenção de “dividir para reinar”. As práticas politicas desenvolvidas pelos partidos do “centrão” ( PS, PSD/CDS) têm contribuído para provocar o afastamento dos jovens de tudo o que cheire a intervenção política ou sindical, o que não impediu, recentemente, o aparecimento de organizações de jovens trabalhadores precários e de estagiários não remunerados.
Mas isto não tem que continuar a ser assim.
Alguns jovens, por meio das facilidades de contacto que as redes sociais da Internet proporcionam, iniciaram a convocação de uma manifestação de protesto pela situação em que vivem. Esta pode constituir uma importante viragem no aparente conformismo e apatia de que parecia padecer a juventude portuguesa.
É evidente que as criticas malévolas e as calunias mais soezes surgiram, imediatamente, nos média por parte dos porta-vozes do neo-liberalismo. Deputados de direita, directores de jornais, comentadores e outros “fazedores de opinião” saíram à liça para criticar esta iniciativa e para defender os princípios do “ cada um por si” , tentando atirar os jovens contra a geração dos seus pais, com afirmações de que a falta de condições de trabalho para os jovens advém do “excesso de regalias” de que gozam os mais velhos ( os seus pais).
Convém desmontar esta falsidade. As “regalias” de que falam são direitos conquistados, duramente, por várias gerações de trabalhadores, que agora querem fazer regredir às condições de trabalho do século XIX. Muitos destes direitos foram conquistados primeiro na rua e só depois na lei.
Mas isto não tem que ser assim.
A politica portuguesa necessita da renovação que a “geração dos 500 euros” lhe pode trazer. Não é agredindo os jovens e os seus legítimos protestos que se pode contribuir para alterar as condições da crise para que todos fomos atirados.
Os actuais decisores políticos do nosso país não podem continuar a pensar que se irão eternizar no poder, contra tudo e contra todos. Por outro lado, os políticos e as organizações de esquerda não devem tentar interferir ou controlar o protesto dos jovens da “ GERAÇÃO À RASCA”, antes dar-lhe o seu apoio, sem paternalismos.
São necessárias e urgentes modificações nas políticas que permitam desenvolver a economia, criar empregos com direitos, aumentar a produção, substituindo as importações e diminuindo o endividamento público que tão caro nos fica.
Precisamos, urgentemente, de voltar a acreditar no futuro.
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
E MAIL : jferreirasantos@netcabo.pt

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