27 March 2011

Porquê sempre os mesmos a pagar?

Não é fácil entender a situação para que os partidos do “centrão” empurraram, nos últimos tempos, o nosso país. A crise, chamada da dívida soberana, que afecta a generalidade dos países ocidentais, aliada à crise para que a longa incapacidade governativa nos empurrou parece não ter responsáveis a quem atribuir os respectivos custos.

O PS tenta responsabilizar os governos PSD/CDS pela dívida publica e pelo défice que encontrou. O PSD procura fazer esquecer que eram altos militantes seus, até ex-ministros, os causadores dos gigantescos “buracos” bancários do Millenium, do BPN e do BPP, que deram um contributo apreciável para o afundamento financeiro do país. Igualmente, procura fazer esquecer que foi durante o consulado de Cavaco Silva como primeiro ministro que foram destruídos os tecidos produtivos, da indústria, da agricultura, das pescas, em nome de uma “modernidade”, do “progresso” e de uma “integração europeia”. Foi daí que surgiu a corrida ao crédito fácil que levou ao endividamento externo, nas proporções que hoje constatamos.

O CDS de Paulo Portas, sempre tão preocupado com os “lavradores” e com os “pensionistas”, não tem uma palavra para explicar a compra de submarinos, os escândalos da Universidade privada a que esteve ligado, ou o caso das luvas da Portucale. Aliás, este senhor parece estar sempre acima da lei e das responsabilidades.

São estas as formações partidárias que se propõem “salvar” Portugal e os portugueses, exactamente com os mesmos “medicamentos” que o governo do PS utilizou. Parece haver uma grande urgência em se sentarem à mesa do orçamento, quiçá para satisfazer as respectivas clientelas políticas.

O PSD até já se afirma, claramente, disposto a governar às ordens do FMI. Pudera, quem vai continuar a pagar vão ser os trabalhadores deste país, sempre os mesmos. Tudo isto é tanto mais estranho quando todos sabem que o PSD viabilizou todos os PEC’s que o governo PS apresentou na Assembleia da Republica, mais, até está de acordo com as metas apontadas pelo governo e apresentadas a Bruxelas.

Também, todos ainda estamos bem recordados da barreira de acusações que os partidos de direita e o PS fizeram aquando da apresentação , da Moção de Censura, do BE ao governo, acerca do perigo de uma crise política. Quem é que provoca a crise, agora ? E ainda nos falam em coerência.

O Bloco de Esquerda tem manifestado desde sempre, o seu desacordo a que sejam sempre os mesmos a pagar a crise. Este governo manifesta uma espécie de fixação nos cortes de salários, nos cortes de prestações sociais, nos cortes das pensões de reforma, e nos rendimentos do trabalho como se estes fossem a única fonte onde o governo pudesse ir buscar os fundos de que necessita.

Ao mesmo tempo, vemos as parcerias público/privadas beneficiarem de milhões, mesmo fora dos contratos , como, recentemente, aconteceu com a Mota Engil. Continuamos a não ver taxadas as grandes fortunas, os lucros dos bancos , as transacções financeiras para os offshore e os negócios das grandes empresas, coisa que nem sequer é invulgar nos países da União Europeia.

Não sei, no momento em que estou a escrever esta crónica, como ficará o governo PS após a votação do PEC 4 na Assembleia, mas o que tenho a certeza é que nada de substancial mudará se as políticas forem as mesmas. As alternativas têm sido apresentadas, mas não são tidas em consideração por aqueles que sempre se pensam como donos do país.

Também não importa conceber truques, como os que foram ensaiados na chamada “Concertação Social” entre os patrões, o governo e a sua central sindical, também isso já não engana ninguém. Se outra solução não houver, devolvam a palavra aos portugueses, até pode ser saudável, sem populismos, sem arranjinhos ou embrulhadas. Em democracia é sempre possível criar soluções.

José Joaquim Ferreira dos Santos Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda E MAIL: jferreirasantos@netcabo.pt

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