04 March 2011

Pela transparência na política

Os violentos ataques que a iniciativa politica do Bloco de Esquerda em apresentar uma Moção de Censura ao governo tem sofrido por parte do PS , da direita politica, e dos “fazedores de opinião” encartados, serviram para aquilatar da justeza dessa mesma iniciativa.
As recentes diatribes e amuos entre o PS e o PSD em torno das leis do trabalho, quer sobre a duração dos contratos a termo, quer sobre a obrigatoriedade da remuneração dos estagiários, apenas comprovam que entre os dois “venha o diabo e escolha”. Nenhum deles é alternativa credível. As políticas dos partidos do “centrão” equivalem-se.
No âmbito de uma política de transparência, o Bloco de Esquerda considera indispensável tornar públicas as iniciativas que toma na Assembleia da Republica e discuti-las com os eleitores. Assim, em torno da apresentação da Moção de Censura estão a ser realizadas dezenas de sessões de debate por todo o país e a ser distribuídos muitos milhares de jornais informativos.
Em Matosinhos, realiza-se hoje uma Sessão Pública de Debate , pelas 21.30horas, no salão da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira. Aí, por dirigentes do BE, vão ser debatidas, com quem os quiser interpelar, as razões da apresentação da Moção de Censura e a conjuntura que lhe deu origem.
A situação de crise financeira em que vivemos, mas de que não fomos causadores, está a provocar cada vez mais dificuldades num cada vez maior número de famílias, ou por via do desemprego crescente, ou por via da diminuição de salários e das prestações sociais.
Nesta ordem de ideias, neste país, os gastos sumptuários têm mesmo que acabar. É insuportável pensar nos gastos com “brinquedos de luxo” militares, os submarinos, os carros de combate e outros, sem utilidade à vista, quando há portugueses que não têm rendimentos suficientes para se alimentarem a si e às suas famílias.
Do mesmo modo, não se entendem as despesas com compras de estádios de futebol, como parecem estar previstas para Matosinhos sem que haja explicações válidas para tal compra. Pela minha parte esta situação já foi denunciada. Não pretendo entrar nas tricas internas de outros partidos e grupos políticos, que umas vezes apoiam, denodadamente, os clubes e outras vezes condenam esse apoio, nem defender moralismos ou preconceitos.
Para mim, as promiscuidades entre clubes profissionais de futebol e câmaras municipais, só merecem a mais viva condenação, por serem eticamente indefensáveis. O erário público tem, por certo, aplicações sociais mais úteis do que financiar, de forma aberta ou encapotada , clubes que deveriam viver, financeiramente, às suas próprias custas, com gestão parcimoniosa e sem manias de grandezas.
Ao abdicar destes princípios, as câmaras municipais estão a hipotecar a confiança que os eleitores depositam nelas, como distribuidoras dos dinheiros públicos, de forma racional e honesta . O desporto jovem deve merecer todo o apoio das autoridades municipais, dentro das suas possibilidades e atendendo à mais estrita economia de meios, mas isso nada tem a ver com o financiamento de equipas profissionais. A desculpa de que tal financiamento se destina a incentivar os jovens à prática desportiva é completamente falaciosa.
Espero que o bom-senso prevaleça, nesta como em outras questões, que envolvem opções financeiras.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
E MAIL: jferreirasantos@netcabo.pt

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