20 March 2011

Afinal como é?


Na passada quinta feira, dia 10, teve lugar, na Assembleia da República a apresentação formal da Moção de Censura ao governo, por parte do Bloco de Esquerda.

Durante as semanas que antecederam a apresentação formal, assistiu-se a uma completa campanha de ataques, de insinuações e de desinformação, quer dos partidos da direita quer do PS e dos membros do governo, contra esta legitima iniciativa de um partido com assento no Parlamento. O Bloco de Esquerda ousou trazer ao conhecimento e à discussão publica aquilo que os partidos do “centrão” pretendiam ser o seu segredo: um entendimento mais ou menos escondido, bi ou tripartido para “desgovernar” Portugal, sob o alto patrocínio dos “mercados”.

No dia da apresentação formal, o Sr. Primeiro Ministro brindou a câmara e os portugueses com uma lição daquilo que ele entende que são os perigos do “radicalismo”. O seu entendimento sobre o que é uma “esquerda moderna e responsável” não é diferente do pensamento daqueles seus camaradas que patrocinaram a subida ao poder da direita na Itália, na França e Inglaterra, já para não falar da Áustria, da Alemanha e da Irlanda, com os resultados que são conhecidos.

O Bloco de Esquerda censurou as medidas políticas neo-liberais que o PS vai implementando com o apoio da restante direita. Dois dias depois o governo continuou o esbulho da já magra bolsa dos portugueses, aumentando impostos, cortando nas prestações sociais e com as mesmas explicações sobre a necessidade de “agradar” aos mercados. Pelo vistos, é apenas uma amostra do PEC IV.

Em “compensação” o governo resolveu que o golfe irá ver o IVA correspondente ser pago ao escalão mais baixo, 6%, para gáudio dos jogadores e turistas. Este desporto com uma reduzida tradição entre as massas populares no nosso país, mereceu, igualmente, o apoio da Câmara Municipal de Matosinhos que assinou um protocolo com o clube que se instalou nos terrenos dos antigos Caulinos. São modas.

A resposta mais eloquente veio no passado sábado das chamadas manifestações da “geração à rasca” que juntaram nas ruas de 11 cidades do país, e em mais algumas da Europa, centenas de milhares de pessoas preocupadas com a situação a que Portugal chegou, por obra e graça da crise financeira internacional , mas também, e principalmente, do “desgoverno” dos diversos elencos governamentais que temos tido.

Estas gigantescas manifestações de carácter inter geracional, que juntaram os mais jovens aos pais e avós, disseram claramente que é necessário e urgente mudar de rumo e de politicas.
Como diziam alguns manifestantes, bem à moda do Porto, “ Sócrates bota aqui os olhinhos que o povo já está farto “.

Estas manifestações devem ser objecto de um cuidado estudo por parte dos decisores e observadores políticos, dado que representam uma novidade na cena politica portuguesa. Milhares de pessoas foram mobilizadas, sem a tradicional arregimentação partidária ou sindical e mostraram uma grande capacidade para a mudança. Talvez impressionado com a dimensão do protesto, o líder do PSD apressou-se a afirmar que não aprovaria mais “sacrifícios” impostos aos portugueses, pelo governo. Esta manobra de recuo não engana ninguém.

Em nome da estabilidade politica, dos “mercados” ou de outra qualquer falácia que descubram de momento, o PSD lá irá deixar passar mais este pacote de austeridade que está, aliás, em consonância com as propostas de cortes nas despesas sociais que tem vindo a defender. A situação ainda não está madura para a direita assumir o poder em Portugal, para já o PS continua a cumprir o papel que lhe foi destinado de destruir o que resta do estado social.

Desiludam-se os que pensam que o PSD constitui uma possível alternativa que assegure uma melhoria para o nosso país. Em Matosinhos conhecemos a realidade local do que este partido é. Não se sabe muito bem quantos “PSD” existem, em que cada um fala por si. Ninguém se entende. Enfim, uma confusão. Se isto é a prática no interior do partido, como esperar que tenham capacidade para governar o país?

Em democracia haverá sempre soluções alternativas.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
E MAIL: jferreirasantos@netcabo.pt

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